Ministrio da Educao
Secretaria de Educao Especial




                                  A Construo de Prticas Educacionais para
                                   Alunos com Altas Habilidades / Superdotao

                                  Volume 2: Atividades de Estimulao de Alunos




                                                             Organizao: Denise de Souza Fleith




                                                  Braslia, DF
                                                     2007
2
FICHA TCNICA




Secretaria de Educao Especial        Projeto Grfico
Claudia Pereira Dutra                  Michelle Virgolim

Departamento de Polticas de
Educao Especial                      Ilustraes
Cludia Maffini Griboski               Isis Marques
                                       Lucas B. Souza        FICHA CATALOGRFICA
Coordenao Geral de Desenvolvimento
da Educao Especial                   Fotos
Ktia Aparecida Marangon Barbosa       Vini Goulart         Dados Interncaionais de Catalogao na Publicao (CIP)
                                       Joo Campello       Fleith, Denise de Souza (Org)
Organizao                            Banco de imagens:   A construo de prticas educacionais para alunos com
Denise de Souza Fleith                 Stock Xchng         altas habilidades/superdotao: volume 2: atividades de
                                                           estimulao de alunos / organizao: Denise de Souza Fleith.
Reviso Tcnica                        Capa                - Braslia: Ministrio da Educao, Secretaria de Educao
Renata Rodrigues Maia-Pinto            Rubens Fontes       Especial, 2007.
                                                           121 p.: il. color.
Tiragem
5 mil cpias
                                                               ISBN 978-85-60331-15-4


                                                               1.   Educao    dos   superdotados.   2.   Atendimento
                                                           especializado. 3. Aluno superdotado. 4. Desenvolvimento
                                                           da criatividade. 5. Autoconceito. 6. Prtica pedaggica. I.
                                                           Fleith, Denise de Souza. II. Brasil. Secretaria de Educao
                                                           Especial.


                                                                                                           CDU 376.54
4
APRESENTAO




        A proposta de atendimento educacional especializado para os alunos com altas habilidades/superdotao
tem fundamento nos princpios filosficos que embasam a educao inclusiva e como objetivo formar
professores e profissionais da educao para a identificao dos alunos com altas habilidades/superdotao,
oportunizando a construo do processo de aprendizagem e ampliando o atendimento, com vistas ao pleno
desenvolvimento das potencialidades desses alunos.
        Para subsidiar as aes voltadas para essa rea e contribuir para a implantao, a Secretaria de Educao
Especial do Ministrio da Educao  SEESP, convidou especialistas para elaborar esse conjunto de quatro
volumes de livros didtico-pedaggicos contendo informaes que auxiliam as prticas de atendimento ao
aluno com altas habilidades/superdotao, orientaes para o professor e  famlia. So idias e procedimentos
que sero construdos de acordo com a realidade de cada Estado contribuindo efetivamente para a organizao
do sistema educacional, no sentido de atender s necessidades e interesses de todos os alunos, garantindo que
tenham acesso a espaos destinados ao atendimento e desenvolvimento de sua aprendizagem.
        A atuao do MEC/SEESP na implantao da poltica de educao especial tem se baseado na
identificao de oportunidades, no estmulo s iniciativas, na gerao de alternativas e no apoio aos sistemas de
ensino que encaminham para o melhor atendimento educacional do aluno com altas habilidades/superdotao.
Nesse sentido, a Secretaria de Educao Especial, implantou, em parceria com as Secretarias de Educao, em
todas as Unidades da Federao, os Ncleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotao  NAAH/S.
Com essa ao, disponibiliza recursos didticos e pedaggicos e promove a formao de professores para
atender os desafios acadmicos, scio-emocionais dos alunos com altas habilidades/superdotao.
        Estes Ncleos so organizados para atendimento s necessidades educacionais especiais dos alunos,
oportunizando o aprendizado especfico e estimulando suas potencialidades criativas e seu senso crtico,
com espao para apoio pedaggico aos professores e orientao s famlias de alunos com altas habilidades/
superdotao.
        Os professores formados com o auxlio desse material podero promover o atendimento e o
desenvolvimento dos alunos com altas habilidades/superdotao das escolas pblicas de educao bsica e
disseminando conhecimentos sobre o tema nos sistemas educacionais, comunidades escolares e famlias nos
Estados e no Distrito Federal.


                                              Claudia Pereira Dutra
                                         Secretria de Educao Especial
SUMRIO




INTRODUO                                             9

Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade   13
Mnica Souza Neves-Pereira

Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito           35
Angela Mgda Rodrigues Virgolim

Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar          55
Jane Farias Chagas
Renata Rodrigues Maia-Pinto
Vera Lcia Palmeira Pereira

Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa   81
Renata Rodrigues Maia-Pinto

Captulo 5: Grupos de Enriquecimento                  103
Jane Farias Chagas
8
                                                                                                                 9
INTRODUO
Denise de Souza Fleith




                                                                                                            Volume 02: Atividades de Estimulao de Alunos
                                                                                                            Volume 02: Atividades de Estimulao de Alunos
       Apesar do crescente reconhecimento da          diferenas individuais, quanto aos interesses,
importncia de se criar condies favorveis ao       estilos de aprendizagem e habilidades, so alguns
desenvolvimento do potencial de indivduos com        dos fatores que podem interferir negativamente
altas habilidades/superdotao, observa-se que        no desempenho dos alunos com potencial
pouco se conhece acerca das suas necessidades e       elevado.
caractersticas. Ademais, noes falsas sobre estes          Tendncias atuais na educao do super-
indivduos, fruto de preconceito e desinformao,     dotado destacam a relevncia de se preparar o
esto profundamente enraizadas no pensamento          aluno para a definio e soluo de problemas,
popular, interferindo e dificultando a implantao    produzindo conhecimento por meio de prticas
de prticas educacionais que atendam aos anseios      que envolvam o pensamento crtico e criativo,
e necessidades deste grupo. Por exemplo, uma          paralelamente ao cultivo de um conjunto de traos
idia predominante em nossa sociedade  a de          de personalidade como persistncia, autocon-
que o aluno superdotado tem recursos suficientes      fiana e independncia de pensamento, indis-
para desenvolver suas habilidades por si s, no      pensveis a uma melhor expresso do potencial
sendo necessria a interveno do ambiente, ou        superior (Alencar & Fleith, 2006; Colangelo &
seja, os fatores genticos so supervalorizados       Davis, 1997).
em detrimento do ambiente, que ocupa um papel                Do ponto de vista da poltica de incluso
secundrio no desenvolvimento de habilidades          defendida pelo Ministrio da Educao (Brasil,
e competncias. Entretanto, segundo Davis e           2005), flexibilizaes curriculares e instrucionais
Rimm (1994), um potencial no cultivado  um          devem ser pensadas a partir de cada situao
potencial perdido. O aluno com altas habili-          particular e no como propostas universais.
dades/superdotao necessita de uma variedade         Assim, fundamentados nos princpios de ateno
de experincias de aprendizagem enriquecedoras         diversidade e direito de todos  educao de
que estimulem o seu desenvolvimento e favoream       qualidade, chamamos a ateno para a neces-
a realizao plena de seu potencial (Alencar &        sidade de se criar um ambiente educacional que
Fleith, 2001).                                        acolha e estimule o potencial promissor de alunos
       Outro mito  o de que o aluno superdotado      com altas habilidades/superdotao.
apresenta necessariamente um bom rendimento                  Este volume da coletnea sobre "Construo
escolar. Porm, atitudes negativas com relao        de Prticas Educacionais" focaliza atividades e
 escola, bem como um currculo e estratgias         estratgias de estimulao do potencial de alunos
educacionais que no levam em considerao            com altas habilidades/superdotao. No captulo 1,
10
10
                                                 "Estratgias de Promoo da Criatividade", Mnica       Renzulli, do Centro Nacional de Pesquisas sobre        de 
pesquisa. Entretanto, pouco se sabe acerca
                                                 Neves-Pereira apresenta diversas abordagens             o Superdotado e Talentoso da Universidade de           de 
como implement-la de forma eficiente e
Volume 02: Atividades de Estimulao de Alunos




                                                 tericas sobre criatividade, discute barreiras         Connecticut, nos Estados Unidos, fornece alter-        produtiva.
                                                 produo criativa e aponta caractersticas de uma       nativas de enriquecimento curricular que podem          
Finalmente, no captulo 5, Jane Farias
                                                 atmosfera que favorece a expresso das habilidades      ser utilizadas no apenas em programas para            Chagas 
apresenta a estratgia dos "Grupos de
                                                 criativas em sala de aula. Diante do cenrio atual em   alunos com altas habilidades/superdotao, mas         Enriquecimento", 
que visam proporcionar a todos
                                                 que vivemos, de rpidas transformaes e grandes        tambm na sala de aula regular. Este modelo            os 
alunos experincias de aprendizagem desafia-
                                                 desafios,  inquestionvel a necessidade de instru-     sugere que altos nveis de desempenho escolar          doras, 
auto-seletivas e baseadas em problemas
                                                 mentalizar o aluno a prever problemas, romper           e produo criativa podem ser alcanados pelos         reais, 
alm de favorecer o conhecimento avanado
                                                 barreiras, reformular contedos e desenvolver           alunos, desde que sejam oferecidas oportunidades       em 
uma rea especfica, estimular o desenvolvi-
                                                 formas de investigao mais produtivas. Para isso,     de aprendizagem significativa, autntica e que         mento 
de habilidades superiores de pensamento
                                                 necessrio que ele esteja inserido em um ambiente       envolvam a construo do conhecimento pelos            e 
encorajar a aplicao destas em situaes
                                                 que valorize e encoraje a criatividade (Alencar &       alunos. Ainda neste captulo, as autoras chamam        criativas 
e produtivas (Renzulli, Gentry & Reis,
                                                 Fleith, 2003; Wechsler, 2001).                          a ateno para a necessidade do professor, ao          2003).
                                                        A preocupao em atender s necessi-             planejar sua aula, selecionar tcnicas instrucionais    
Esperamos que estes captulos contribuam
                                                 dades intelectuais e acadmicas de alunos com           e formas de avaliao, de considerar a diver-          para 
o enriquecimento profissional dos educadores
                                                 altas habilidades/superdotao  evidenciada            sidade de interesses e estilos de aprendizagem e       fornecendo 
subsdios para uma prtica docente
                                                 em programas e servios para esta clientela.            de expresso dos alunos. Amabile (1989) sugere         que 
estimule um desenvolvimento criativo,
                                                 Entretanto, pouco investimento tem sido feito no        que os ambientes mais prejudiciais a um processo       saudvel 
e singular de cada aluno e oportunize
                                                 que diz respeito ao desenvolvimento emocional           de ensino-aprendizagem produtivo e prazeroso           experincias 
de aprendizagem prazerosa consi-
                                                 e social destes alunos (Alencar & Fleith, 2001;         so ambientes inflexveis que no conseguem            derando 
a diversidade de interesses, estilos e
                                                 Moon, 2002; Silverman, 1993). No captulo               acomodar a variedade de estilos e interesses que       habilidades 
presente em sala de aula.
                                                 2 deste volume, Angela Virgolim aborda o                os alunos apresentam. Ademais, uma educao
                                                 "Desenvolvimento do Autoconceito", dimenso             democrtica  aquela que leva em considerao
                                                 essencial de uma vida emocional saudvel. Neste         as diferenas individuais, promovendo oportu-
                                                 captulo, a autora explica o que  autoconceito,        nidades de aprendizagem compatveis com as
                                                 como ele  formado e que fatores contribuem para        habilidades, interesses e estilos de aprendizagem
                                                 a formao de um autoconceito positivo, alm            dos alunos (Fleith, 1999).
                                                 de nos brindar com diversos exerccios interes-                No captulo 4, "Desenvolvimento de
                                                 santes e criativos de promoo do autoconceito          Projetos de Pesquisa", Renata Maia-Pinto explica
                                                 no contexto escolar.                                    o que  pesquisa, detalha as etapas de elaborao e
                                                        No captulo 3, Jane Farias Chagas, Renata        implementao de um projeto de pesquisa e fornece
                                                 Maia-Pinto e Vera Lcia Pereira se dedicam              inmeros recursos que podem auxiliar o professor e
                                                 a apresentar o "Modelo de Enriquecimento                alunos nesta tarefa investigativa. De maneira geral,
                                                 Escolar". Este modelo, proposto por Joseph              se reconhece, na escola, a importncia da atividade
                                                                                                                     11
Referncias




                                                                                                                     Volume 02: Atividades de Estimulao de Alunos
                                                                                                                     Volume 02: Atividades de Estimulao de Alunos
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        Alencar, E. M. L. S. & Fleith, D. S. (2006).       cultura brasileira: uma dcada de estudos. Teoria,
A ateno ao aluno que se destaca por um                   Investigao e Prtica, 6, 215-226.
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                         Captulo 1




Estratgias de Promoo da
       Criatividade




               Mnica Souza Neves-Pereira
                                                                                                                                                                 
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      C              riatividade  um tema de interesse
                     geral. No h quem no se
                                                          as idias estamos aprimorando nossas habilidades
                                                          criativas. Dentro deste princpio, vamos explorar o
                                                                                                                    Use este espao para construir sua definio
                                                                                                                    de criatividade, usando as letras "inventa-




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
                     encante com os grandes criadores     significado da palavra criatividade, seus conceitos       das" e apresentadas acima. No esquea de
da humanidade. Falar sobre as grandes invenes, a        e suas mltiplas significaes.                           que voc pode criar outras letras diferentes.
arte, a literatura, as descobertas cientficas  sempre          Vamos comear com uma brincadeira! Criar,          Depois que voc escrever a palavra "criatividade"
muito envolvente e nos enche de prazer. Criar d          em japons, se escreve assim:                             neste idioma diferente, traduza para o portugus
                                                                                                                    o conceito inventado por voc.
prazer!  muito bom constatar que nossa espcie
conseguiu chegar at aqui por causa desta compe-
tncia especial.  melhor ainda saber que temos
esta competncia, mesmo que no tenhamos muita                   Na verdade, a palavra  escrita na vertical.
compreenso sobre a criatividade.                         Diferente, no ? A pronncia da palavra corres-
        Para iniciar nossa conversa vamos consi-          ponde ao som "kuriaru". O significado literal
derar que todos somos criativos, pelo menos em             "algo novo que nasce". No idioma japons as
potencial. Vamos pensar em criatividade como um           letras so diferentes, os significados tambm. Se
recurso humano, como uma funo psicolgica que           voc fosse definir o que  criatividade, a partir de
todos ns possumos, desenvolvida em diferentes           um idioma s seu, como seria esta palavra? Qual
graus e dimenses, de acordo com a histria de            seria o seu significado? Voc acrescentaria algo
vida de cada um. Sendo assim, a criatividade no s       novo ao significado de criatividade escrito em
existe em potencial, como pode ser desenvolvida de        japons? Vamos imaginar que o alfabeto do seu
fato. A partir destas idias  que organizaremos os       idioma particular fosse composto, em parte, pelas
contedos deste captulo, que se prope a discutir        letras abaixo.
um pouco sobre criatividade, o que  este fenmeno               Que letras so estas? O que significam?
to complexo, o que caracteriza as pessoas que se                Use estas letras para escrever a palavra
destacam por sua criatividade, quais barreiras so        criatividade. D um significado a cada uma delas,
comuns e impeditivas do processo de criar e como          um significado que se relacione com o fenmeno
podemos trabalhar no sentido de aprimorar nossas          criativo. Brinque com estes smbolos e construa
ferramentas criativas, nosso potencial latente,           o seu conceito de criatividade. Voc pode acres-              Uma vez construda sua prpria definio
nosso talento.                                            centar novas letras, se quiser.                        sobre o que  criatividade, podemos retomar a
        Falar sobre criatividade, portanto, exige                                                                discusso sobre este conceito, que apresenta algum
esforo e certo talento criativo. Algum disse, um                                                               consenso em sua definio e tambm expressa
dia, que a necessidade  a me da criao. Vamos                                                                 diferentes formas de abordagem do tema por parte
partir do princpio de que a criatividade tem,                                                                   de diversos pesquisadores.
tambm, um pai, que  o divertimento. Criar pode                                                                        Se voc utilizou, na sua definio de criati-
e deve conter uma dimenso de prazer, de alegria,                                                                vidade, a expresso "produzir algo novo" aproximou-
de realizao. Ao brincarmos com o pensamento e                                                                  se da maior parte dos conceitos existentes.
16
     Se tambm argumentou sobre a necessidade deste                     O que ns chamamos de criatividade  um           da poca. Foi necessria a passagem do 
tempo para
     "algo novo ser til em alguma instncia", tambm            fenmeno que  construdo por meio de interaes         que a obra deste grande artista pudesse 
adquirir
     chegou perto do que pensa a maioria dos investiga-          entre produtores e audincia. Criatividade no  pro-    reconhecimento e exercer profunda influncia 
na
     dores da rea. Criatividade parece incluir estas duas       duto de indivduos singulares, mas fruto de sistemas     arte contempornea. O exemplo de Van Gogh 
nos
     caractersticas, alm de outras mais. Vamos ver o           sociais que fazem julgamentos sobre estes indivduos     mostra que a criatividade necessita da 
chancela
     que dizem diferentes pesquisadores:                         e seus produtos. (Csikszentmihalyi, 1999, p. 314)        do grupo social e histrico para emergir, 
precisa
                                                                                                                          ser reconhecida pelo outro, que vai atribuir 
valor e
             Criatividade  o processo que resulta em um                H vrios conceitos sobre criatividade, cada      utilidade para a produo criativa.
     produto novo, que  aceito como til e/ou satisfa-          um deles acrescentando uma nova dimenso ao                     Alguns autores (Boden, 1999; Smolucha,
     trio por um nmero significativo de pessoas em             fenmeno. Em geral, todos concordam que algo             1992a, 1992b; Vygotsky, 1987, 1990) destacam 
uma
     algum ponto no tempo. (Stein, citado em Alencar,            criativo tem que atender aos critrios de ser original   dimenso da criatividade que consiste em 
produzir
     1995, p. 13)                                                e til, em um determinado tempo histrico. Um            algo novo a partir da "combinao de idias" 
j
             Pessoas de mente cientfica (...) geralmente        produto ou idia, para serem considerados criativos,     existentes. Parte-se do princpio de que 
"ningum
     definem criatividade como "combinao original de           tm que contar com a concordncia de um grupo            cria alguma coisa do nada".  indispensvel 
que o
     idias conhecidas" (...). As combinaes originais          social, em um determinado momento do tempo.              sujeito criativo domine sua rea de criao, 
tenha
     precisam ter algum tipo de valor, pois chamar uma           Esta proposio  fcil de ser verificada. Vamos         conhecimentos adequados para ser capaz 
de
     idia de criativa  dizer que ela no  apenas nova,        examinar o exemplo de Van Gogh.                          combinar idias e gerar um resultado original.
     mas interessante. (Boden, 1999, pp. 81-82)                         Vincent Van Gogh (1853-1890), pintor                     Vygotsky (1987), renomado estudioso 
do
             A criatividade, como conceito, constitui uma        holands,  considerado um dos maiores mestres da        desenvolvimento, foi um dos defensores 
desta viso
     construo terica elaborada para tentar apreender          histria da arte de todos os tempos. Por meio do seu     da criatividade. Este pesquisador compreendia
     uma realidade psicolgica que se define, essencial-         trabalho, Van Gogh estabeleceu as bases da pintura       a criatividade como fenmeno potencialmente
     mente, por dois critrios que so relativos: os critrios   do sculo XX. Mais ousado do que os impressio-           universal, isto , patrimnio de todos, 
e tambm
     de novidade e de valor; existindo consenso entre os         nistas, o holands expressou seus sentimentos por        considerava a criatividade muito mais como 
regra do
     especialistas de que a criatividade se refere  capaci-     meio de uma representao totalmente subjetiva da        que exceo. Vygotsky tambm refora a 
percepo
     dade de produzir algo que, simultaneamente,  novo          realidade. Van Gogh criou uma nova "linguagem"           da criatividade como fenmeno presente, 
de modo
     e valioso em algum grau. (Martnez, 2001, p. 92)            plstica, desconstruindo modos de pintar e               potencial, em todos os seres humanos. Na 
sua
             Novidade ou originalidade devem ser carac-          propondo variaes de pinceladas originais nunca         concepo, no podemos definir se um indivduo 

     tersticas imediatamente associadas com criatividade        antes experimentadas. Este notvel pintor, entre-        criativo ou no apenas a partir de sua 
performance
     (...). Para ser criativo, uma idia ou produto deve ser     tanto, no foi compreendido pela sociedade de sua        ou desempenho individual. As caractersticas 
que
     novo. O segundo aspecto da criatividade  a apro-           poca. Sua obra, hoje considerada genial e vendida       compem o fenmeno da criatividade so 
dadas
     priao. Um fator importante na determinao da             por preos exorbitantes, no foi reconhecida             pelas experincias de vida de cada sujeito 
em seu
     apropriao  o contexto cultural no qual a criativida-     quando Van Gogh era vivo. O seu grupo social             cenrio histrico e cultural.
     de  baseada (...). Os veculos e o foco da criatividade    no conseguiu identificar a originalidade do seu                Este autor compreende a criatividade 
como
     variam de cultura para cultura e ao longo do tempo.         trabalho, apenas a dimenso de transgresso da           fenmeno psicolgico, isto , a criatividade 
faz
     (Starko, 1995, p. 5)                                        sua obra, que no foi bem recebida pela sociedade        parte do nosso repertrio psicolgico, 
assim como
                                                                                                                                                                 
17
a inteligncia, a memria, a afetividade, as emoes,      trabalhos, encontraremos os conceitos criatividade e        a distino que este autor fez entre imaginao
dentre outros. O sujeito criativo desenvolve suas          imaginao compondo um pequeno sistema que ele              reprodutiva e imaginao combinatria. A




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
funes psicolgicas em um cenrio social que ,           denominou "imaginao criativa".                            imaginao reprodutiva est diretamente vinculada
tambm, histrico e cultural. O modo como este                     A imaginao , tambm, uma funo psico-           aos processos de memria e consiste na cpia, 
por
sujeito vai construir as rotas de desenvolvimento de       lgica humana. Costumamos pensar sobre a imagi-             parte do indivduo, de situaes passadas, 
objetos
sua criatividade se relaciona com este cenrio, ou seja,   nao como o exerccio de um "pensamento aberto             ou elementos apreendidos, dados de experincias
como ele  significado, percebido e internalizado.         a todas as possibilidades". Por meio da imaginao          afetivas, entre outros fatores. J a imaginao 
combi-
Alm disso, Vygotsky considera o sujeito como ser          podemos tudo: visitar planetas desconhecidos,               natria, corresponde  criao de novos elementos,
ativo nesta construo do desenvolvimento, um              imaginar pessoas que no existem, pensar em idias          no vivenciados pelo sujeito, por meio da 
unio e/ou
sujeito que vai atuar no sentido de produzir o novo        malucas ou simplesmente divertidas. A imaginao,           fuso de idias, experincias concretas ou 
subjetivas
e reconhecer o novo. Desta forma, parece que a             porm,  uma atividade mental totalmente conectada          anteriores, dando origem a novas formas, compor-
relao criatividade & indivduo & cultura faz parte       com a realidade, pois seus contedos so retirados          tamentos, produtos.  uma ao eminentemente
de um mesmo sistema, em que o indivduo se torna           da realidade e, posteriormente, transformados e/ou          de origem social, pois corresponde aos anseios
sujeito por meio da cultura, desenvolve suas habili-       recombinados pela funo imaginativa, construindo           humanos de projeo no futuro, buscando solues
dades criativas em um cenrio scio-histrico e            novas realidades. Se a imaginao permite combinar          para situaes do presente ou atendendo a 
desejos
devolve a este cenrio o produto de sua criatividade,      idias, ela no s pode como deve ter muito a ver           de produtividade pessoal. Dessa forma, todo 
ato
que pode ser traduzido em arte, cincia e/ou conhe-        com a produo da criatividade. Boden (1999),               criativo nasce da imaginao que, por sua 
vez, se
cimentos cotidianos. Csikszentmihalyi (1999), um           quando definiu criatividade, destacou a "combi-             origina no contexto histrico-cultural.
dos autores citados nas definies de criatividade,        nao de idias" como aspecto constituinte do                      Uma vez apresentados e discutidos distintos
aproxima seu modo de ver o fenmeno criativo das           ato de criar. Vygotsky tambm apostou na imagi-             conceitos sobre criatividade, compreendendo 
que
concepes de Vygotsky.                                    nao como elemento essencial para que houvesse             este fenmeno tem uma natureza extremamente
       Uma vez compreendida desta forma, como              expresso criativa.                                         complexa e que seu desenvolvimento  sistmico, 
isto
fenmeno psicolgico humano, como funo tpica                    A atividade criativa, para Vygotsky,  originria   , envolve vrias dimenses da existncia 
humana,
do homem, o conceito de criatividade se amplia e,          da funo da imaginao,  uma ao relacionada             podemos nos aventurar em outro tema relevante: 
"o
segundo Vygotsky (1987), se liberta da concepo           com a interpretao da realidade feita pelos sujeitos       sujeito criativo"!
corriqueira que julga a criatividade como atributo         e depende, diretamente, das experincias do homem                  Quem  o sujeito criativo? O que diferencia
de alguns poucos iluminados, desconsiderando a             em contato com sua realidade cultural objetiva e            esta pessoa das outras? Por que algumas pessoas
capacidade criativa presente no homem comum.               subjetiva. A imaginao est ligada  emoo. Ela           conseguem produzir arte, cincia e tecnologia
 reconfortante saber que todos somos criativos,           retira fragmentos da realidade e, por meio de novas         com superioridade, quando comparadas a outros
em alguma competncia, alguma instncia, algum             significaes destes fragmentos, devolve  cultura,         sujeitos?
cantinho do nosso saber-fazer e sentir. Mas, o que        em forma de um produto criativo, leituras renovadas                Examinemos o quadro a seguir:
criatividade para Vygotsky?                                desta mesma realidade. Esta  a essncia do processo               Jlio, Luzia, Andr, Paula e Kika so 
pessoas
       Ao falar sobre criatividade,Vygotsky (Smolucha,     criativo na concepo de Vygotsky.                          comuns, cada um com suas caractersticas prprias,
1992a) no dissociou este fenmeno de outras funes               Concluindo a conceituao de criatividade           que as definem como personalidades distintas.
psicolgicas, especialmente da imaginao. Em seus         na perspectiva de Vygotsky (1987) vamos destacar            Certamente conhecemos vrias outras pessoas 
que
18
     possuem traos de personalidade parecidos com os         uma produo criativa. Afinal, uma obra de arte, um     principais traos de personalidade. A psicologia 
da
     das nossas personagens acima. Jlio, Luzia, Andr,       modelo cientfico, um produto inovador costumam         criatividade j avanou bastante nesta rea 
de inves-
     Paula e Kika, potencialmente, podem ser conside-         ser reconhecidos por uma gama de indivduos (pelo       tigao e tem algumas contribuies a dar.
     rados criativos. Porm, se entre as nossas personagens   menos) dentro de um contexto social. Entretanto, se            Para identificar traos de personalidade
     h alguma, em especial, que se destaca por uma           desejamos conhecer sobre criatividade no podemos       que caracterizam pessoas criativas parece bvio
     produo criativa em maior grau, como saberemos?         abrir mo de tentar compreender quem  o sujeito        procurar conhecer os sujeitos que se destacam 
por
            Definir quem  o sujeito criativo consiste        criativo.  importante saber o que diferencia este      elevada criatividade e tentar analisar o que 
carac-
     em uma tarefa difcil. Parece mais fcil identificar     sujeito das outras pessoas e investigar quais os seus   teriza a personalidade destes indivduos. Foi 
o que
                                                                                                                      fizeram Barron e MacKinnon (citados em Alencar,
                                                                                                                      1995). Estes pesquisadores elaboraram estudos
                                                                                                                      com o propsito de conhecer quem  o sujeito
                                                                                                                      considerado criativo, como ele funciona cognitiva-
                               Jlio - 15 anos                                               Luzia - 19 anos
                                                                                             Aventureira,
                                                                                                                      mente e quais as caractersticas e traos de 
perso-
                               Muito inteligente,                                            gosta do perigo          nalidade que o diferenciam dos demais.
                               sensvel e                                                    e de desafios.
                               romntico.                                                    Na escola,                      As pesquisas realizadas utilizaram como
                               Desenha                                                       porm, apresenta         amostra sujeitos representantes de vrios campos
                               muito bem.                                                    problemas.
                                                                                                                      do conhecimento, como: artes, cincias, arqui-
                                                                                                                      tetura, matemtica, entre outros, todos consi-
                                                                                                                      derados altamente criativos pelas contribuies
                                                               Andr - 25 anos                                        prestadas s suas respectivas reas. Por meio
                                                               Curioso, tem senso                                     destes estudos, evidenciou-se que as caracters-
                                                               investigativo e                                        ticas e os traos de personalidade dos sujeitos
                                                               gosta de mist-
                                                               rios. No  muito                                      estudados apresentavam pontos comuns perce-
                                                               comunicativo e                                         bidos nas diversas amostras analisadas. Alencar
                                                               gosta de silncio.
                                                                                                                      (1992) procurou articular os diferentes traos
                                                                                                                      de personalidade tpicos de sujeitos criativos 
em
                                                                                                                      quatro tpicos, a saber:
                                   Paula - 30 anos                                                                      (a) autonomia, iniciativa e persistncia;
                                                                                             Kika - 12 anos
                                    uma pessoa                                              Rebelde e indisci-         (b) flexibilidade e abertura a experincias;
                                   triste, mas escreve                                       plinada, no gosta
                                   lindas poesias. J                                        de seguir regras.          (c) autoconfiana, independncia e
                                   publicou 3 livros                                          a lder do seu
                                   e tm recebido                                                                       (d) sensibilidade emocional, espontaneidade 
e
                                                                                             grupo e admira-
                                   convites para                                             da por todos.                   intuio.
                                   palestras.
                                                                                                                             Starko (1995) considera que a identificao
                                                                                                                      de sujeitos criativos consiste em um grande 
desafio
                                                                                                                      para a cincia. Indivduos criativos so dotados 
de
                                                                                                                                                                 
19
personalidades complexas, como todas as pessoas,            regular ou superior de inteligncia. Quando o sujeito
porm com traos personolgicos diferenciados.              que cria apresenta inteligncia superior  mdia, este             O SUJEITO CRIATIVO TEM...




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
Como ainda no avanamos o suficiente no campo              fator parece no exercer efeito significativo sobre os          Senso de humor elevado;
cientfico, a ponto de sabermos o que acontece              resultados do esforo criativo.                                 Independncia para julgar
na mente de um sujeito criativo, a autora prefere                   Criatividade exige inteligncia, sem dvida,            suas pr-prias idias;
apostar nesta identificao por meio de trs fatores        porm a recproca no parece proceder. Entretanto,              Flexibilidade mental;
distintos:                                                  h casos de sujeitos com dficits de aprendizagem               Pensamento metafrico;
  (a) anlise das caractersticas cognitivas do             e desenvolvimento que apresentam criatividade em                Abertura para novas idias;
        sujeito;                                            grau significativo. H relatos de indivduos "savant"           Muita indignao;
  (b) identificao de traos de personalidade              (um quadro em que o sujeito apresenta dficits
                                                                                                                            Habilidades de pensamento lgico;
        relacionados com a criatividade e                   cognitivos e, ao mesmo tempo, grande talento em
                                                                                                                            Preferncias     por   situaes    e 
pensamentos
  (c) eventos biogrficos, que nos permite conhecer         rea especfica) que apresentam produes altamente             complexos;
        melhor o sujeito criativo por meio da sua           criativas, em domnios distintos (Starko, 1995). Estes          Coragem;
        histria de vida.                                   casos representam excees  regra. Em geral, sujeitos
                                                                                                                            Foco na tarefa;
        Um aspecto que podemos destacar no sujeito          criativos so muito inteligentes. Pode-se evidenciar
                                                                                                                            Compromisso com a tarefa;
criativo  a alta probabilidade dele apresentar inteli-     tal relao em pessoas com altas habilidades. A criati-
                                                                                                                              Curiosidade;
gncia superior. A relao entre criatividade e inteli-     vidade  um dos elementos que permite a identifi-
                                                                                                                              Perseverana;
gncia vem sendo investigada h tempos, por diversos        cao da superdotao.
                                                                                                                              Disposio para correr riscos;
autores (Barron, 1969; Barron & Harrington,                         Com relao aos traos de personalidade, os
                                                                                                                              Auto-estima positiva;
1981; Getzels & Jackson, 1962; Guilford, 1967,              estudos de MacKinnon (1978) tambm identifi-
                                                                                                                              Abertura a novas experincias;
1979; MacKinnon, 1978). Os resultados apontam               caram que o sujeito criativo :
para aspectos interessantes e ambguos, porm de              (a) original, capaz de gerar mltiplas idias;                  Tolerncia  ambigidade;

relevncia na composio do intricado quebra-                 (b) independente, o que gera motivao para lidar              Interesses    amplos     por    diferentes 
campos
                                                                                                                            do saber;
cabea que representa a compreenso do sujeito que                  com situaes onde a liberdade  valorizada e
                                                                                                                              Gosto pela aventura;
se destaca por sua criatividade.                                    o conformismo no tem vez;
        Inteligncia e criatividade parecem se relacionar     (c) intuitivo, ou seja, valoriza inspiraes, insights,         Percepo de si mesmo como criativo;

de modo singular. Os achados de MacKinnon                           metforas e aspectos subjetivos do saber;                 Resistncia a seguir regras.
(1978), por exemplo, no permitem avaliar a criati-           (d) interessado em mltiplas reas do
vidade de uma pessoa por meio de um escore de                       conhecimento e                                      principais caractersticas personolgicas 
identificadas
QI, mas indicam que sujeitos que se destacam por              (e) acredita em seu potencial criativo, no valor do       em pessoas com alto desempenho criativo.
uma produo criativa costumam apresentar inteli-                   seu trabalho e do seu esforo.                             O sujeito criativo apresenta traos 
de perso-
gncia superior. Barron (1969) identificou, em seus                 O sujeito criativo, portanto,  dotado de           nalidade bem especficos. Porm, mesmo de 
posse
estudos, uma moderada relao entre criatividade            distintos traos de personalidade que costumam ser          destes saberes, identificar uma pessoa como 
altamente
e inteligncia. Na perspectiva deste autor, qualquer        comuns a todos aqueles que se destacam por uma              criativa baseado apenas em evidncias de 
traos de
contribuio criativa exige, do seu autor, um padro        produo criativa. O desenho abaixo apresenta as            personalidade pode no levar a resultados 
precisos.
20
                                                              terizam criatividade no adulto no necessaria-        aquela fora interna que nos mobiliza e nos 
leva
                                                              mente garante que estes mesmos traos apaream       a realizar e produzir coisas, idias, objetos, 
arte ou
                                                              em crianas criativas, ou mesmo em crianas que      cincia pelo simples desejo de querer produzir. 
A
                                                              crescem em companhia de adultos muito criativos.     motivao intrnseca  interna, surge no mago
                                                              Na perspectiva desta autora, os conhecimentos que    do nosso desejo de realizar coisas. Para que haja
                                                              dominamos sobre a criatividade e suas manifes-       criatividade, a motivao intrnseca  indispen-
                                                              taes em crianas so, ainda, bastante limitados.   svel. Amabile enfatiza, ainda, a diferena entre
                                                              Tal limitao, entretanto, no impede que se pense   motivao intrnseca e extrnseca, alegando
                                                              sobre estratgias de promoo da criatividade na     que esta ltima pode ter efeito danoso sobre o
                                                              infncia. O conhecimento acerca dos aspectos         processo criativo, uma vez que desvia o interesse
                                                              personolgicos que caracterizam o sujeito criativo   do indivduo da tarefa para elementos exteriores
                                                              muito tem a auxiliar neste contexto.                 de carter compensatrio.
                                                                     Um ponto, que tem sido tambm destacado              At aqui apresentamos mltiplas possibi-
                                                              nas discusses sobre a personalidade criativa, diz   lidades de identificao de sujeitos criativos, 
com
     Uma pessoa  mais do que o somatrio dos seus            respeito  importncia de se possuir "conheci-       base em seus processos cognitivos e traos de 
perso-
     traos de personalidade. Ela  fruto de uma histria     mentos", sejam gerais ou especficos. A maioria      nalidade. Entretanto, podemos dizer que as nossas
     pessoal, nica e intransfervel. Mesmo cientes de que    dos autores concorda que, sem algum conheci-         personagens so criativas a partir da evidncia
     estes traos, por si ss, no so capazes de informar    mento prvio sobre um assunto, torna-se pouco        destes elementos? Vamos rever nossas personagens.
     sobre o nvel ou grau de criatividade de uma pessoa,     provvel produzir algo que possa ser considerado     Se formos analisar o breve histrico de cada
     eles representam um avano nas investigaes sobre       inovador ou original. Uma bagagem de conheci-        personagem vamos encontrar traos de persona-
     criatividade, pois lanam luzes importantes sobre esta   mentos  fundamental para o processo criativo.       lidade que se associam  criatividade em quase
     tarefa complexa, que  "conhecer a personalidade de      Quanto maior esta bagagem, maior o nmero            todas. Entretanto, a identificao destes traos 

     pessoas com alto potencial criativo".                    de padres, combinaes ou idias que se pode        suficiente para avaliarmos se Kika, por exemplo,
             A identificao dos traos de personalidade      alcanar (Alencar, 1992).                             uma menina criativa? A presena destas carac-
     que caracterizam sujeitos criativos tambm repre-               A motivao  outro aspecto que tambm        tersticas  fator indicativo, mas no garante 
que
     senta uma opo metodolgica quando pensamos             tem recebido destaque por diferentes estudiosos,     o sujeito seja, de fato, criativo. Criatividade, 
como
     em promover criatividade. Se conhecemos os               como Amabile (1983), Amabile e Hennessey             todo fenmeno complexo, exige mais trabalho
     traos que esto associados aos sujeitos com alto        (1987) e Torrance (1987). Torrance, em suas          em sua identificao. Avaliar a criatividade de
     potencial criativo, podemos atuar no sentido de          consideraes sobre o comportamento criativo,        um sujeito demanda, tambm, compreender sua
     auxiliar pessoas comuns a trabalharem estes traos       identificou que se pode esperar altos nveis de      histria de vida, a sua construo de rotas de 
desen-
     em si mesmas e, conseqentemente, abrir campo            performance criativa de pessoas que apresentam       volvimento, seus processos de aprendizagem e sua
     frtil para o cultivo da criatividade.                   motivao e habilidades necessrias ao ato           produo criativa. A histria do sujeito tem muito
             Identificar adultos criativos  a mesma coisa    criativo. Amabile defende a hiptese de que a        a nos informar sobre sua criatividade, por isso 
a
     que identificar crianas criativas? Starko (1995)        motivao intrnseca  a chave mestra que abre as    relevncia em investigarmos os traos biogrficos
     destaca que a identificao de traos que carac-         portas do processo criativo. Motivao intrnseca    que se relacionam com um perfil criativo.
                                                                                                                                                                 
21
                                                                                                                desenvolver suas habilidades criativas do que outras
                                                                                                                crianas, desprovidas destes aspectos ambientais.




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
                              Jlio - 15                                               Luzia - 19                      O fenmeno criativo  revestido de uma
                              anos                                                     anos
                                                                                       Aventureira,             natureza muito complexa e parece indispensvel
                              Muito                                                    gosta do                 abord-lo a partir de, pelo menos, dois eixos, a 
saber:
                              inteligente,                                             perigo e de
                              sensvel e                                               desafios. Na                (1) um eixo de anlise do indivduo criativo,
                              romntico.                                               escola, porm,                    que vamos chamar de eixo intrapessoal, isto
                              Desenha                                                  apresenta
                              muito bem.                                               problemas.                        , uma perspectiva de avaliao do sujeito
                                                                                                                         em seus processos internos e,
                                                                                                                   (2) um eixo de anlise do ambiente social
                                                        Andr - 25 anos                                                  e cultural do sujeito criativo, que vamos
                                                        Curioso, tem sen-
                                                        so investigativo e                                               chamar de eixo interpessoal, ou seja, uma
                                                        gosta de mist-                                                  perspectiva de avaliao do sujeito em suas
                                                        rios. No  muito
                                                        comunicativo e                                                   interaes com os outros e com o ambiente
                                                        gosta de silncio.                                               social e cultural (Neves-Pereira, 2004).
                                                                                                                       Criatividade investigada em uma perspectiva
                                                                                                                intrapessoal vai enfatizar aspectos constituintes 
do
                               Paula - 30 anos                                      Kika - 12 anos
                                                                                    Rebelde e
                                                                                                                fenmeno, como a dimenso cognitiva, o processo
                                uma pessoa
                               triste, mas escreve                                  indisciplinada,             criativo e alguns traos de personalidade. Tais
                               lindas poesias.                                      no gosta de
                                                                                    seguir regras.              dimenses ampliam nosso conhecimento sobre
                               J publicou 3
                               livros e tm                                          a lder do seu            a criatividade e seus processos, mas ofertam uma
                               recebido convites                                    grupo e admi-
                               para palestras.                                      rada por todos.             viso ainda limitada da dinmica e funcionamento
                                                                                                                da ao criativa inserida em um contexto ambiental
                                                                                                                e cultural. Ao considerar a perspectiva interpessoal,
                                                                                                                as pesquisas sobre o fenmeno criativo privilegiam
       Em Starko (1995) encontramos alguns indica-     Entretanto, h registros de sujeitos criativos que       tpicos como:
tivos sobre aspectos biogrficos que se relacionam     no apresentavam estas caractersticas biogrficas. O      (a) as barreiras sociais presentes no ato de criar;
com a criatividade. Esta autora comenta que sujeitos   que os estudos nos mostram  que estas variveis se        (b) as dimenses social e cultural que outorgam
criativos so, em grande parte, filhos primognitos    relacionam de modo significativo com a expresso                a chancela de "criativo" para determinados
e so criados em ambientes ricos em estimulao e      criativa, mas no so elementos presentes em "todos"            produtos e/ou idias e
diversidade de informaes. Tambm aparece como        os sujeitos criativos. Porm, crianas que tm a           (c) a relevncia do suporte social para que a
resultado de pesquisa que os sujeitos altamente        oportunidade de vivenciarem um clima familiar                   criatividade se desenvolva. Compreender a
criativos, na infncia, gostavam muito da escola,      harmonioso e estimulador, que esto cercadas por                criatividade como fenmeno que s existe
adoravam a leitura, adotavam diversos hobbies          adultos inteligentes e criativos e que recebem escola-          em uma relao de interdependncia com
e tinham mltiplos interesses extra-escolares.         ridade de qualidade possuem melhores condies de               o ambiente e a cultura  muito importante
22
             para entender quem  o sujeito criativo e o      de premissas culturais, historicamente datadas e
             que o motiva a criar.                            construdas por estas pessoas ao longo de suas traje-
             Segundo Amabile (1983), para que o sujeito       trias desenvolvimentais. Portanto, a menos que um
     possa estar intrinsecamente motivado  necessrio        determinado grupo social d a chancela de criativo
     um ambiente propcio e favorvel, que valorize           a determinado produto, este no tem chances de
     a criatividade e que no imponha restries ou           adquirir este valor por si s. Como destaca o prprio
     contextos competitivos, detrimentais a uma               autor: "Assim, se uma idia ou produto so criativos
     produo original. Neste sentido, a motivao            ou no, no depende de suas qualidades intrnsecas,
     intrnseca no  compreendida como um fenmeno           mas do efeito que so capazes de produzir em outros
     psicolgico apenas interno, dissociado de uma            sujeitos expostos a eles" (1988, p. 314).
     perspectiva maior, que  representada pelo contexto             Csikszentmihalyi define criatividade, ento,
     ambiental e/ou social. A proposta desta autora  de      como um fenmeno construdo por meio de
     uma "Psicologia Social da Criatividade", na qual as      interaes entre criador e audincia. Criatividade
     dimenses ambientais vo operar de modo signi-           no  produto de indivduos singulares, em aes               Na sua perspectiva, para que ocorra 
criati-
     ficativo no incentivo  motivao intrnseca, que        individuais, mas sim fruto do julgamento e              vidade, uma srie de prticas, crenas e valores 
devem
     consiste na semente do ato criativo.                     aceitao de determinados grupos de indivduos          ser transmitidos do domnio para o indivduo. 
Este
             Csikszentmihalyi (1999) tambm destaca a         acerca dos produtos apresentados como criativos. A      pode, por meio da significao destas informaes
     importncia de analisarmos a criatividade conside-       dimenso social  que vai significar a criatividade,    culturais, produzir algo novo a partir do domnio.
     rando sua dimenso social e ambiental. Ele destaca       porm, em uma perspectiva sistmica, onde cada          Entretanto, esta produo deve ser selecionada 
e
     que a criatividade tem sido investigada mais como        sujeito  relevante para o processo, mas dependente     aprovada pelo campo, para que haja futura incluso
     fenmeno mental do que fenmeno social e cultural,       do grupo social para reconhecimento e validao de      da novidade no domnio e, conseqentemente,
     aspectos que a caracterizam com mais nfase. A partir    sua criao.                                            transformao cultural.
     de suas reflexes e estudos sobre o fenmeno criativo,          Na formulao do seu modelo explicativo                 A viso sistmica de Csikszentmihalyi
     este autor desenvolveu um modelo sistmico por meio      do fenmeno criativo, Csikszentmihalyi (1999)           considera a cultura (domnio) como fonte
     do qual tenta explicar as complexas relaes entre       acrescentou outros conceitos aos j discutidos          da produo humana. Sem a cultura no h
     criatividade, sociedade e cultura (Csikszentmihalyi,     anteriormente. Ele identificou a relevncia de          humanidade, nem significao de obras, produes
     1988). O modelo proposto por este pesquisador parte      se considerar a cultura como representante do           e inovaes. O modelo tambm assume a relevncia
     da premissa de que no  possvel a emergncia da        aspecto simblico do processo, que ele nominou          do indivduo no processo criativo e o diferencial 
que
     criatividade sem um aval scio-cultural. Conceituar      como "domnio", assim como uma dimenso                 cada sujeito faz no contexto da criao, sem, 
entre-
     ou mesmo identificar criatividade com base em            social, neste modelo denominada como "campo".           tanto, dissoci-lo de seu entorno social e 
cultural,
     traos personolgicos ou mesmo a partir de signi-        A estas duas dimenses foi somada a dimenso            que vai alimentar esta criatividade para que 
ela
     ficados subjetivos que o sujeito d  sua produo       "individual", correspondente ao sujeito co-autor        seja devolvida ao domnio, por meio de obras 
e
     no consiste em postura correta neste domnio. Algo      do processo criativo. A partir deste modelo e das       novas idias. Csikszentmihalyi, porm, acrescenta
     s  reconhecido como criativo quando exposto ao         interaes entre as partes constituintes  que surge    o conceito de campo, considerando a organizao
     julgamento de outras pessoas. Este julgamento parte      a criatividade.                                         social do domnio a dimenso que vai decidir 
o
                                                                                                                                                                 
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que  aceito como criativo pela sociedade, em seus                   So vrias as barreiras que impedem a                     O desconhecimento, por parte do indivduo,
diferentes nveis.                                           emergncia da criatividade. Estas barreiras tm                   de seus prprios recursos internos;




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
        Em uma perspectiva sistmica, a criatividade         origem em aspectos individuais, coletivos, sociais e              Medo de arriscar e de fracassar;
sempre vai gerar modificaes em todas as instncias         culturais. Em geral, as sociedades no se organizam               Dificuldade em reestruturar um problema,
envolvidas no processo criativo: o sujeito, seu ncleo       de modo a promover ou mesmo estimular seus                        vendo-o sob um novo enfoque, dimenso 
ou
social e seu nicho cultural. Ao inovar, o sujeito parte de   indivduos a serem criativos. Pessoas criativas trans-            ponto de vista;
premissas, idias e informaes recebidas por meio dos       gridem, modificam as regras, mudam os sistemas,                   A dificuldade de reformular um julgamento
mediadores culturais, devolvendo este saber em forma         promovem inovao. Estes processos so complica-                  previamente formado a respeito de 
algo;
de um produto ou idia, suficientemente impactantes,         dores da ordem social e, portanto, pouco estimulados              Inabilidade para observar e isolar 
aspectos
a ponto de gerar novos padres nesta mesma cultura da        na sociedade. Vivenciamos um paradoxo: necessitamos               diversos de um problema.
qual foi originado.  um processo que se auto-alimenta,      da criatividade, pois ela  a mola mestra que promove             As barreiras de natureza social surgem 
no seio
que funciona modificando todas as dimenses envol-           progresso e adaptao  vida, mas, ao mesmo tempo,        da cultura de cada grupo e atuam no sentido 
de evitar
vidas e que tem origem na complexidade das relaes          tememos o novo, porque ele modifica as estruturas j      comportamentos desviantes "da norma social". 
As
homem e cultura. Portanto, compreender criatividade          conhecidas. Diante deste impasse, o contexto social       agncias sociais, como a escola, trabalham 
para "educar"
sem abordar uma viso sistmica e dialtica restringe        termina por impedir a expresso criativa como medida      e "moldar" as pessoas a partir de modelos 
estabelecidos
a riqueza deste fenmeno, situando-o em dimenses            de manuteno da "ordem e da estabilidade" social. As     de acordo com as ideologias dominantes. Inseridos
isoladas, que no permitem a visualizao e o enten-         barreiras surgem a partir deste contexto, desta neces-    neste sistema, os sujeitos apresentam dificuldades
dimento da dinmica e da estrutura desta funo              sidade de construirmos sociedades "anticriativog-        significativas para expressarem seus talentos, 
desejos e
humana to necessria para a nossa sobrevivncia.            nicas", parafraseando Arieti (1976).                      inspiraes. Alencar (1995) aponta para as 
seguintes
        Mesmo investigando as mltiplas nuances que                  Estas barreiras, entretanto, so de natureza      barreiras de natureza social:
caracterizam a criatividade, ainda assim a identifi-         diferenciada. Algumas expressam impossibilidades                  As presses sociais em relao ao 
indivduo que
cao do sujeito criativo continua sendo tarefa difcil.     pessoais e so construdas por meio de crenas e                  diverge da norma;
Entretanto, se conhecemos os traos personolgicos           valores disseminados mediante a educao informal                 Aceitao pelo grupo como um dos valores
que definem um perfil criativo, se compreendemos             e formal. As barreiras pessoais impedem que nos                   mais cultivados;
a histria do sujeito e se conseguimos visualizar sua        vejamos como criativos e embaam a percepo do                   As expectativas com relao ao papel 
sexual, ou
produo inserida em um contexto ambiental, social e         sujeito no sentido de "ver o novo". Estas barreiras, em           seja, h coisas que s os meninos 
fazem e outras
cultural j somos competentes o suficiente para levan-       geral, incluem o reforo de traos de personalidade               que s as meninas podem fazer;
tarmos hipteses sobre a existncia de criatividade.         que no so favorveis  expresso criativa, promo-               Considerao da tradio como prefervel 

H, porm, outros fatores que inviabilizam a expresso       vendo no indivduo sentimentos de insegurana com                 mudana;
do talento criativo, como por exemplo, as barreiras de       relao ao seu potencial criador. Alencar (1992, 1995)            nfase na razo e na lgica, desvalorizando-se 
a
diferentes naturezas que impedem a criatividade. Falar       elencou algumas destas barreiras, a saber:                        intuio e os sentimentos.
sobre estas barreiras  de extrema relevncia para o                 Medo do erro e da crtica;                                Estas barreiras, to comuns na vida 
diria,
entendimento do processo de criar, pois o meio social e              Baixa expectativa com relao a si mesmo;         impedem o florescimento da criatividade em
cultural tanto promove como inibe a expresso criativa               Preferncia por julgar idias ao invs de         mltiplas instncias, em especial na escola. 
A
dos sujeitos.                                                        gerar idias;                                     partir de agora vamos direcionar nosso assunto
24
     para a escola, como local privilegiado de desen-           sempre um ncleo de mensagens culturais a serem         pedaggico, por vezes, impede o pleno desenvol-
     volvimento humano e aprendizagem e como                    transmitidas (de forma intencional e/ou oculta) e       vimento das competncias citadas anteriormente,
     espao potencialmente capaz de promover a                  esse trabalho cabe ao universo da educao formal,      destacando tarefas e atividades que privilegiam 
a
     criatividade dos alunos.                                   que advoga para si a funo de preparar os novos        memorizao, a reproduo de conhecimentos, 
a
            A escola, desde o seu surgimento nas socie-         cidados de uma sociedade.                              obedincia e a submisso s regras, aspectos 
detri-
     dades industrializadas, vem assumindo a tarefa da                 A escola  o destino da maioria das crianas     mentais  expresso criativa.
     educao formal, preparando crianas e jovens para         das sociedades industrializadas.  na escola que elas          O que parece  que a escola, historicamente,
     a vida em sociedade, para a aquisio de um fazer          passaro anos, em convvio intenso com colegas,         no assumiu seu papel de promotora da criatividade
     profissional e para a construo de competncias de        professores, educadores e os significados da cultura.   dos seus alunos e nem de um ensino criativo. 
Nos
     cidadania. Em quase todas as culturas ocidentais, as       A escola no  uma opo para estas crianas,           pases desenvolvidos, observamos iniciativas 
que
     crianas esto ingressando cada vez mais cedo na            a regra. Todos devero passar por ela e a ela se      mostram certo interesse em prover os educadores
     instituio escolar. Por mltiplas razes, esse ingresso   submeter. Sendo este espao de tamanha influncia       de programas e modelos que auxiliem na tarefa 
do
     antecipado tem promovido transformaes qualita-           nos processos de desenvolvimento e aprendizagem         desenvolvimento das habilidades criativas 
(Cropley,
     tivas e quantitativas no desenvolvimento infantil. A       infantil,  bom que a escola se d conta disto e se     1997; Davis, 1991; Starko, 1995; Torrance, 
1987).
     escola  o local onde parte significativa dos processos    prepare para atuar da forma mais competente e           Em pases em desenvolvimento, entretanto, 
esta no
     de desenvolvimento e aprendizagem da criana               adequada possvel.                                      tem sido a tnica.
     acontecer, por meio das suas relaes com profes-                Ao pensarmos em uma escola preparada para               No Brasil, em especial, os programas 
de
     sores e colegas.                                           atuar de modo competente, no podemos desconsi-         formao de professores no tem considerado 
a
            A escolarizao formal implica insero do          derar a relevncia da criatividade como geradora de     relevncia de preparar o professor para a 
mediao de
     sujeito em uma instituio social, com regras e valores    mtodos, contedos e habilidades a serem formadas,      um ensino criativo. Salvo iniciativas pontuais, 
geral-
     pr-estabelecidos e com um objetivo bem especfico:        tanto em alunos como em professores. Ser que a         mente identificadas por meio de demandas 
de cursos
     transmitir o legado cultural de cada grupo social aos      escola est preparada para isto? Est pronta para       e oficinas de criatividade, tanto o setor 
pblico como
     alunos, assim como o repertrio de crenas e valores       promover a criatividade dos alunos? Est pronta para    o setor privado do ensino no assumiram, 
ainda, um
     cultuados pela comunidade onde se localiza a insti-        ofertar um ensino criativo?  capaz de preparar seus    compromisso genuno com a promoo da criatividade
     tuio. Para adquirir essa herana cultural, a criana     educadores para, tambm, serem sujeito criativos        na escola. Em um pas com tantas demandas 
educa-
     necessita participar concretamente das atividades          em sala de aula e fora dela?                            cionais urgentes, como vagas nas escolas 
pblicas,
     culturais (Rogoff, 1990, 2003), permanecendo por                  A realidade escolar  complexa e contra-         preparo e capacitao de professores, aquisio 
de
     um tempo em contato com essas mensagens (da               ditria, quando se trata de criatividade e ensino.      recursos materiais, fomento financeiro, entre 
outros
     a importncia da continuidade do ensino bsico).           Geralmente, encontramos escolas, professores e pais     aspectos, preocupar-se com a criatividade 
no ensino
     Ela precisa, portanto, vivenciar estas prticas por        muito interessados em criatividade e sua promoo.      torna-se, aparentemente, quase um luxo. Mas 
no .
     meio de exerccios, jogos e brincadeiras, para que         Na prtica, o cenrio  um tanto diferenciado deste            Quem pesquisa e investiga criatividade 
no
     a internalizao possa ocorrer de modo eficiente. A        desejo. Em algumas escolas,  possvel identificar      contexto educacional sabe da importncia 
deste tema
     despeito das escolas adotarem modelos pedaggicos          nfase em atividades que auxiliam o desenvolvi-         para o desenvolvimento humano e cultural 
de uma
     muito diferenciados, todas assumem esse objetivo           mento da autonomia, autoconfiana, criatividade         nao. O desperdcio que se observa em sala 
de aula,
     central: "a transmisso do conhecimento". H               e auto-estima das crianas. Em outras, o desenho        com relao ao desenvolvimento do potencial 
criativo,
                                                                                                                                                                 
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 elevado e se reflete no produto final do ensino em             Uma dimenso vinculada  criatividade,
nosso pas, como por exemplo: alunos mal preparados,     normalmente negligenciada pela escola, diz respeito




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
com uma viso reprodutivista do conhecimento e sem       ao desenvolvimento dos processos de imaginao. 
auto-estima para inovar e/ou propor solues originais   do senso comum a constatao de que a imaginao
para os velhos problemas. Tal contexto  detrimental     faz parte da estrutura psquica infantil, destacando-se
para o pas, pois evidencia o pouco aproveitamento de    como funo de grande valor no processo de desen-
competncias humanas totalmente disponveis, bem         volvimento da criana (Vygotsky, 1987). Ainda no
ali, na sala de aula.                                    dotada de um raciocnio conceitual, a criana experi-
        A escola, por falta de informao e formao,    menta e compreende o mundo a partir da imaginao.
vem atuando muito mais na direo oposta, no que         Suas emoes se expressam tambm por meio desta
diz respeito ao fomento da criatividade. O que se        funo. Mesmo quando inicia o domnio do raciocnio
registra, em grande parte das instituies de ensino,    conceitual, a criana mantm atividades imaginativas,
 uma atuao no sentido de bloquear e desesti-          pois estas lhes proporcionam imenso prazer e senti-        favorece o surgimento de autoconceito negativo 
e/
mular o processo criativo nos alunos. As caracte-        mento de liberdade. Entretanto, a escola no tem se        ou inadequado nas crianas. Essa postura depre-
rsticas estruturais da escola refletem uma postura      posicionado como um espao propcio ao exerccio da        ciativa em relao ao potencial e capacidades 
do
educacional voltada para o passado, cuja principal       imaginao ou mesmo da fantasia. Em geral, prope-         aluno termina por desperdiar talentos, recursos 
e
preocupao se refere ao acmulo de conheci-             se a "treinar" os alunos para lidarem com a "realidade",   possibilidades disponveis, mesmo que em latncia,
mentos. Permanece a conduta conservadora que             reforando todos os comportamentos no estimula-           em todos os indivduos.
no reconhece a necessidade de olhar o futuro e          dores da imaginao e da fantasia como o silncio, a              A questo do erro, como sinnimo de
seus desafios e preparar os alunos para lidarem          ateno, a memorizao e a repetio de contedos.         fracasso, merece ateno dentro do contexto escolar.
com um mundo em rpida mutao, dando-lhes               Segundo Alencar (1992):                                     dado culturalmente, e a escola como agncia 
de
instrumentos para solucionar problemas diferen-                  O treino da realidade comea, porm, bem           socializao refora essa crena, uma regra com 
a
ciados e criar modelos novos.                            cedo na vida de toda criana e a imaginao tem sido       qual a maior parte das pessoas concorda. A regra
        Dentro deste quadro de resistncia a modifi-     rejeitada e reprimida. Mesmo na pr-escola, a nfase       : " proibido errar!", principalmente se almejamos
caes, a escola vem se posicionando como no            tem sido cada vez mais no sentido de se transmitir         ao sucesso. De posse dessa regra, toda vez que
estimuladora do pensamento criativo. O ensino            informaes factuais e o espao para o jogo e para a       cometemos erros nos sentimos constrangidos e
tem se pautado na reproduo e memorizao dos           brincadeira vem se reduzindo de uma forma signi-           envergonhados. Esquecemos que o erro constitui
conhecimentos, com pouco estmulo  pesquisa e           ficativa. (p.77)                                           fenmeno oposto, porm complementar ao acerto,
soluo de problemas. Quase todo o tempo gasto                   A escola apresenta-se, ento, como um local        so lados de um mesmo processo de ao. Em geral,
na escola destina-se  aquisio de conhecimentos.       onde se prepara o aluno para atitudes de confor-           a nfase no " proibido errar" nos leva a adotar
As metodologias, em geral, reforam o conserva-          mismo e de no explorao de seu talento e potencial.      comportamentos conservadores e assumirmos
dorismo e estimulam a obedincia. A criana perde        A nfase no conformismo termina por propiciar              posturas onde no corremos riscos. Perdemos,
a oportunidade, dentro da escola, de desenvolver         campo frtil para o surgimento de sujeitos com uma         assim, a oportunidade de vivenciarmos experincias
suas habilidades de pensamento criativo assim            viso de si mesmos limitada, no reconhecedores de         instrutivas que, caso resultassem em erro, serviriam
como sua capacidade de julgamento e avaliao.           seus prprios recursos. Em geral, este tipo de conduta     como ponto de partida para novas situaes e/ou
26
                                                                     Comprometer-se com a promoo da criati-         contexto. Em geral, os professores no so 
prepa-
                                                              vidade na escola  um grande desafio. Exige da          rados nem para o ensino criativo, muito menos 
para
                                                              escola e de seus componentes uma srie de habili-       o desenvolvimento do potencial criativo dos 
seus
                                                              dades e saberes nem sempre disponveis. Demanda         alunos. A falta de informaes gera uma grande
                                                              a necessidade de pesquisar sobre criatividade, de       quantidade de mitos com relao  criatividade,
                                                              conhecer o fenmeno, de saber como se promove           distanciando os docentes de uma prtica pedaggica
                                                              um ensino criativo, dentre tantas outras nuances que    criativa e transformadora.
                                                              fazem parte deste contexto. Starko (1995) chama a              O professor, com certeza,  o principal
                                                              ateno para a diferena entre ensinar para a criati-   mediador do processo de ensino e aprendizagem.
                                                              vidade (teaching for creativity) e o ensino criativo    Em sala de aula, sua influncia  decisiva 
na
                                                              (creative teaching). Segundo esta autora:               conduta futura dos alunos. Sua atitude  extrema-
                                                                     Uma atividade de ensino que produz prazer        mente poderosa no sentido de influenciar o 
aluno,
                                                              ou mesmo criatividade no necessariamente pro-          tanto positiva como negativamente. Ele pode 
e
                                                              move a criatividade, a menos que os alunos tenham       deve interferir no ensino das habilidades criativas,
                                                              a oportunidade de pensar criativamente... O ensino      estimulando o aluno para que este apresente 
seu
                                                              criativo (quando o professor  criativo) no  o mes-   melhor desempenho. O que se observa, porm, 
so
     aes. A escola no deveria desperdiar os erros de      mo que o ensino voltado para o desenvolvimento da       professores no oferecendo condies adequadas
     seus alunos e sim aproveit-los como matria-prima       criatividade... Ensinar para a promoo da criativi-    para a expresso da criatividade de seus alunos
     geradora de novos comportamentos e aprendizagem.         dade tem um foco diferente; a criatividade essencial    (Alencar, 1992). No h reconhecimento, por 
parte
            A utilizao dos conhecimentos cientficos        surge por parte dos alunos. (p.15)                      do professor, do potencial criativo dos alunos 
nem
     sobre criatividade, no contexto escolar, enfrenta               Esta autora traz uma contribuio relevante      tampouco oferta de espao estimulante ao flores-
     uma srie de dificuldades, barreiras e mesmo             ao diferenciar estes dois aspectos da promoo          cimento das habilidades criadoras. Normalmente,
     contradies. Embora seja do interesse de todos ter      da criatividade. Ao que parece, de nada adianta         o docente tem baixas expectativas com relao
     sujeitos criativos na escola, a presena desses alunos   levar um circo para a sala de aula se os alunos no     aos seus alunos, no confiando em suas capaci-
     termina por gerar situaes de conflitos e oposio      tiverem a oportunidade de trabalharem com suas          dades e talentos. Torrance (1987) destaca que, 
se
     s normas vigente, o que resulta em insatisfao ou      habilidades criativas. Tambm no adianta privi-        o professor no valoriza as habilidades de 
pensa-
     mesmo medo destas pessoas diferentes e ousadas.          legiar o desenvolvimento da criatividade do sujeito     mento criativo,  difcil para ele encorajar 
seus
     A escola quer desenvolver a criatividade de seus         se o ensino no for dotado de abertura para o novo,     alunos a se expressarem criativamente.
     alunos, mas espera que eles atendam ao padro do         de desafios, de elementos estimuladores da criati-             Uma viso ainda tradicional do ensino
     aluno ideal, que  bonzinho, educado, obediente e        vidade.                                                 somada a uma falta de conhecimento acerca do
     conformado com as regras. Abrir-se para o novo                  Podemos at identificar alguns esforos de       fenmeno criativo reflete um contexto onde 
as
     e lidar com pessoas diferentes tornam-se compe-          educadores em promover um ensino criativo, mas          atitudes e comportamentos, tanto de professores
     tncias que a escola deve adquirir se pretende           isso no significa desenvolver, de fato, o potencial    quanto de alunos, permanecem arraigados a prticas
     promover criatividade e mltiplos talentos em suas       criativo dos alunos. Os programas de formao           pedaggicas que no conseguem inovar, ou mesmo
     prticas pedaggicas.                                    de professores tm grande responsabilidade neste        transformar o tecido social e escolar. Um modelo
                                                                                                                                                                 
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educacional com este perfil mostra-se incapaz de           giados. Neves-Pereira (2004) procurou identificar                 mente, estimule o desenvolvimento da 
criati-
incentivar o pleno desenvolvimento do potencial            quais aspectos seriam relevantes para que o professor             vidade.  necessrio que este fenmeno 
seja




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
humano, necessitando de modificaes que visem             pudesse atuar, em sala de aula, de modo a promover                considerado, especificamente, no contexto
promover condies adequadas  promoo da                 a criatividade de seus alunos, assim como ofertar um              educacional, trabalhado em termos concei-
criatividade em sala de aula.                              ensino criativo. Algumas idias surgiram desta inves-             tuais e em termos de prticas pedaggicas
        Neste ponto do presente texto chegamos ao          tigao. Vamos conversar sobre elas.                              orientadas para o seu desenvolvimento.
nosso objetivo central: "como podemos promover                     Para que ocorra ensino criativo e promoo              Quando um professor  bem formado e
criatividade em sala de aula?". Parece que alguns          da criatividade dos alunos,  importante considerar      conhece sobre desenvolvimento infantil e processos
indicadores emergiram a partir da discusso                os seguintes aspectos:                                   de aprendizagem, sua viso de homem se amplia 
e
elaborada. Vamos tentar aproveit-los.                        (1) Para que um professor promova, de fato,           suas concepes acerca dos processos psicolgicos 
se
        A tarefa da promoo da criatividade  ao                 criatividade em sala de aula,  necessrio      tornam mais complexas. Criatividade  um processo
complexa, que exige do educador conhecimentos                       que ele v alm dos conhecimentos espec-       psicolgico, assim como a imaginao, a cognio,
acerca do fenmeno criativo assim como o domnio                    ficos sobre criatividade;  indispensvel o     dentre tantos outros. Um professor competente 
vai
e treino de suas prprias habilidades e competncias                domnio de saberes pedaggicos consis-          apresentar conhecimentos gerais sobre estes temas,
criativas. No adianta ser um professor criativo se                 tentes e progressistas.                         porm sem o domnio necessrio para que, de fato,
no h saberes construdos sobre como desenvolver                  Quando um professor tem formao slida          consiga atuar no sentido de fomentar criatividade
a criatividade da criana. A recproca parece verda-       e detm conhecimentos consistentes sobre modelos         em sala de aula. Parece claro que, para promover
deira: no adianta conhecer estratgias de promoo        tericos que discutem aspectos de desenvolvimento        criatividade em sala de aula,  muito importante 
uma
da criatividade do sujeito se, em sala de aula, o ensino   e de aprendizagem das crianas, a probabilidade          formao profissional consistente e de qualidade,
permanece vinculado a um padro no-criativo. Para         de que este professor perceba a criatividade como        mas esta formao no  determinante para que
trabalharmos no sentido de promover criatividade           parte dos processos de desenvolvimento infantil e        ocorra ensino criativo. S a formao profissional
de modo eficaz  indispensvel atentarmos para dois        merecedora de ateno especial  bastante repre-         de qualidade no  suficiente.  indispensvel 
que
aspectos constituintes deste processo, a saber:            sentativa. Ao possuir domnio terico, o professor       o professor saiba alguma coisa sobre o fenmeno
   (1) a formao do professor capaz de ofertar            facilita sua prtica e favorece uma mediao mais        criativo e sobre como trabalhar com a criatividade
         ensino criativo e;                                rica em sala de aula, o que facilita a promoo da       no contexto da sala de aula. Esta necessidade 
nos
   (2) a construo de estratgias que facilitem a         criatividade. Um professor competente, por mais          leva ao aspecto seguinte.
         promoo da criatividade do aluno em sala         que desconhea sobre criatividade e seus processos,         (3) Um professor apto a desenvolver criati-
         de aula.                                          tem mais chances de estruturar aulas criativas do                 vidade em seus alunos deve ter uma
        Formar um professor criativo, capaz de             que um professor pouco competente e tambm                        formao especfica nesta rea.
organizar um ambiente escolar estimulador da               desconhecedor dos processos criativos. Portanto, a              J sabemos que a promoo de um ensino
criatividade e que domine diferentes estratgias de        formao de qualidade  critrio de extrema impor-       voltado para o desenvolvimento das capacidades
promoo da criatividade exige um esforo concen-          tncia na promoo da criatividade no ensino.            criativas exige uma formao de qualidade do
trado que se estende desde a formao inicial deste           (2) O domnio de saberes pedaggicos consis-          professor, em aspectos diretamente relacionados
profissional at a oferta de formao continuada,                   tentes e progressistas, entretanto, no         sua prtica pedaggica. Tambm sabemos que
em que contedos sobre criatividade sejam privile-                  suficiente para que um professor, particular-   esta formao, por si s, no  suficiente para 
que
28
     ocorra criatividade em sala de aula, embora seja      pessoas criativas, se interessa por atividades           dominar as estratgias adequadas para que haja
     indispensvel. Para que um professor possa, de        artsticas e/ou cientficas, tem diversos hobbies e      ensino criativo e promoo da criatividade dos
     fato, ofertar atividades de ensino que privilegiem    interesses mltiplos, ele termina por promover           alunos em sala de aula. Conhecer sobre criati-
     o desenvolvimento da criatividade em sala de aula,    sua prpria criatividade, o que vai sensibiliz-         vidade, identificar a personalidade criativa,
      necessrio que ele domine, de modo incontes-        lo para promover a criatividade de seus alunos.          compreender a relevncia do meio social e
     tvel, os conhecimentos construdos sobre estra-      Anteriormente, consideramos a relevncia dos             cultural para a expresso criativa no garante 
que
     tgias de ensino e fomento do potencial criativo      aspectos biogrficos na identificao do sujeito         o professor saiba como promover criatividade 
em
     no contexto escolar. Somente de posse desta           criativo. De fato, parece que esta dimenso de           sala de aula. Este profissional deve se apropriar
     ampla gama de conhecimentos especficos  que         anlise da criatividade procede. A pessoa imersa         de estratgias, tcnicas, metodologias e saberes
     ele poder trabalhar de forma mais eficaz com o       em um ambiente social e cultural que valoriza a          especficos a respeito do fomento da criatividade
     desenvolvimento do potencial criador em sala de       criatividade, provavelmente, vai se contaminar           e isto exige treino, estudo e superviso. Portanto,
     aula. Estudar, ler, investigar, pesquisar, conhecer   pelo clima reinante e vai angariar habilidades           mais uma vez surge a necessidade de aquisio
     sobre criatividade e seus modos de promoo          criativas quando comparada com pessoas que               de conhecimentos tericos e prticos sobre a
     indispensvel para o professor.                       no compartilham contextos sociais semelhantes.          criatividade e suas estratgias de promoo. 
Caso
       (4) O professor torna-se mais apto a desen-         Um ambiente que valoriza a criatividade facilita         contrrio, o professor corre o risco de organizar
              volver criatividade em sala de aula quando   a construo de uma viso holstica sobre o              atividades que terminam por inibir o potencial
              este conceito, efetivamente, faz parte de    fenmeno criativo, o que auxilia a pessoa a lidar        criativo ao invs de promov-lo. Boas intenes
              sua histria pessoal e cultural.             melhor com habilidades e competncias relacio-           nem sempre so eficazes.
            Quando o professor se percebe como             nadas  criatividade. A familiaridade com a criati-         (6) Preparar um professor para a promoo 
de
     criativo, valoriza a criatividade, convive com        vidade auxilia na sua promoo.                                  um ensino criativo no consiste apenas 
em
                                                             (5) Muitas vezes, o professor pode enganar-                    prover conhecimentos acerca da criatividade,
                                                                    se com relao a sua prpria prtica e no              mas, principalmente, dot-lo de mltiplos
                                                                    perceber que est atuando no sentido oposto             saberes. Autoconhecimento e reflexo 
sobre
                                                                    ao desejado, isto , ao invs de promover               a prpria prtica tambm so elementos
                                                                    criatividade ele inibe sua expresso. Assim             indispensveis.
                                                                    sendo,  preciso um trabalho especfico                Este aspecto, na realidade, representa 
uma
                                                                    visando desenvolver no professor a              sntese dos anteriores. Sugere que, preparar 
um
                                                                    capacidade de anlise da estrutura das ativi-   professor para promover criatividade em sala 
de
                                                                    dades por ele selecionadas e a capacidade de    aula consiste em uma tarefa muito mais complexa 
e
                                                                    auto-observao, para que perceba de que        que exige esforos de outra natureza.  necessria
                                                                    forma suas aes podem estar contribuindo       uma formao multidisciplinar e de qualidade
                                                                    ou dificultando a expresso criativa em sala    como requisito de valor na hora de capacitar 
um
                                                                    de aula.                                        professor para a mediao de um ensino criativo.
                                                                  Este ponto chama a ateno para a impor-          Estes aspectos dizem respeito  necessidade de
                                                           tncia do preparo do professor no sentido de             se trabalhar processos de autoconhecimento por
                                                                                                                                                                 
29
parte do professor e o hbito de realizar reflexes     especficos sobre criatividade, por parte do docente.          idias, a produo de idias e a soluo de
sobre a prpria prtica pedaggica. O professor         Agora podemos finalizar nosso texto refletindo                 problemas;




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
que adota uma postura de avaliao e reflexo           sobre algumas estratgias que auxiliam na tarefa de            Adotar bibliografias sobre criatividade como
sobre sua prpria prtica, que partilha com seus        mediar crianas e jovens no desenvolvimento de                 referncia para a construo das prticas 
peda-
colegas suas dvidas e saberes e que conta com          seus potenciais e talentos criativos. Promover criati-         ggicas.
a superviso de profissionais que investigam            vidade em sala de aula demanda algumas medidas,
os processos criativos tem maiores chances de           como por exemplo:                                        As medidas acima descritas auxiliam o professor 
que
atuar de forma competente e, de fato, auxiliar                                                                   deseja organizar um espao escolar favorvel ao
seus alunos a descobrirem e realizarem seus                   Promover um ambiente rico em estimulao           desenvolvimento da criatividade. Entretanto,
potenciais e talentos.                                        de todo tipo, com oportunidades mltiplas de       conhecer sobre tcnicas e exerccios estimuladores
       Ao pensarmos em programas de desenvol-                 conhecimentos para as crianas e adoles-           das diferentes dimenses que compe o fenmeno
vimento de criatividade no contexto escolar, no              centes;                                            criativo  tambm atitude adequada. A este respeito,
podemos ignorar que a criatividade  uma das                  Construir,coletivamente,um clima de harmonia,      o leitor deve consultar as leituras recomendadas, 
ao
funes psicolgicas originadas nas interaes                respeito s diferenas e aceitao do novo;        trmino deste captulo. Porm, a ttulo de ilustrao,
sociais presentes na sala de aula e a elas submetida.         Adotar posturas de valorizao e aproveita-        seguem algumas sugestes inspiradoras de prticas
Formar profissionais para desenvolver criatividade            mento dos erros e equvocos cometidos ao           pedaggicas nutritivas da criatividade.
no contexto escolar consiste, portanto, em uma                longo do processo de aprendizagem;
ao que pertence a um mbito maior do que o                  Construir metodologias de ensino inovadoras,              Neste ponto do texto encerramos as conside-
simples preparo instrumental. Consiste em uma                 originais e instigantes;                           raes acerca da formao do professor apto a ofertar
ao diretamente vinculada ao contexto sociocul-              Ofertar situaes de ensino e aprendizagem         ensino criativo. Em seu currculo no pode faltar:
tural que permeia a escola e seus agentes e que exige         diferenciadas, divertidas e com grau gradativo            Uma formao de qualidade, com amplo domnio
um esforo multidisciplinar para que o sucesso                de dificuldade;                                           de saberes pedaggicos progressistas e atuais;
seja alcanado. Preparo tcnico, formao terica             Atuar, de modo consistente, no reforo e est-            Conhecimentos gerais sobre a criatividade 
e
e prtica, especializao no tema criatividade,               mulo  auto-estima e autoconceito dos                     sua promoo em sala de aula;
construo de processos de autoconhecimento e                 alunos;                                                   Formao especfica em contedos sobre
elaborao de reflexes acerca da prpria prtica             Valorizar expresses afetivas e incen-tivar o             criatividade, seus processos e estratgias 
de
educativa representam aspectos indispensveis no              uso da imaginao e da fantasia;                          promoo;
currculo amplo, formador dos docentes aptos a                Prover diversas situaes, experincias, exerc-          Familiaridade com crenas, valores e hbitos
proverem um ensino voltado para o fomento do                  cios, desafios e prticas escolares onde as               culturais que priorizem a expresso criativa;
potencial criativo.                                           crianas e adolescentes possam exercitar                  Clareza sobre suas prticas pedaggicas
       O desenvolvimento do potencial criativo do             competncias do pensamento criativo;                      relacionadas  criatividade e domnio das
aluno deve ser mediado por meio do uso de diversas            Planejar cada dia de atividade escolar junto              estratgias de promoo da expresso criativa;
estratgias promotoras de criatividade em sala de             aos alunos, enfatizando a cooperao e o                  Domnio de saberes interdisciplinares, inves-
aula. J discutimos sobre a formao do professor e           trabalho coletivo;                                        timento em processos de autoconhecimento
sobre a importncia da apropriao de contedos               Estimular a leitura, a reflexo, a elaborao de          e reflexo sobre a prpria prtica.
30
                                  SUGESTES PARA ORGANIZAR UMA SALA DE AULA                                SUGESTES PARA ELABORAR METODOLOGIAS DE ENSINO
                                      ESTIMULADORA DO POTENCIAL CRIATIVO                                             PROMOTORAS DE CRIATIVIDADE

                                                                                                                       Usar mtodos de ensino que valorizem a paz, 
a coo-
                                                                                                                       perao e o auxlio mtuo nas tarefas de aprendiza-
                                                                                                                       gem. Uma sala de aula receptiva e psicologicamente
                                                                                                                       confortvel auxilia na promoo da criatividade;



                                                                                                                       Organizar as atividades curriculares orientando-as
                                 Um lugar s para        Oportunidades Iguais     Desafios, mistrios e                para a estimulao da imaginao dos alunos;
                                 coisas diferentes      para Meninos e Meninas problemas para solucionar
     UMA SALA DE AULA CRIATIVA




                                                                                                                       Estruturar as atividades realizadas em sala 
de aula
                                                                                                                       de modo a explorar as habilidades e talentos 
dos
                                                                                                                       alunos;


                                   Muitos Livros              Informaes           Materiais diferentes
                                                             sobre o mundo           para manusear
                                                                                                                       Alinhavar os contedos curriculares para que 
o co-
                                                                                                                       nhecimento seja compreendido como uma totalidade,
                                                                                                                       vinculado com a vida diria, o cotidiano e 
a soluo
                                                                                                                       de problemas;


                                                                                                                       Incluir a diverso em sala de aula, despertando
                                                                                                                       o prazer pelo aprendizado, pela descoberta, 
pelo
                                 Espao para pesquisa         Muita Diverso              Msica                       novo;



                                                                                                                       Estimular a participao do aluno em todas 
as ati-
                                                                                                                       vidades, garantindo um clima de respeito s 
diferen-
                                                                                                                       as e aproveitamento do erro como matria-prima
                                                                                                                       do crescimento.

                                  Muita histria               Muita Arte        Espao para informao
                                                                                                                                                   31
        SUGESTES PARA ELABORAR SISTEMAS DE                           SUGESTES PARA TRABALHAR COM O AUTOCONCEITO E
              AVALIAO QUE AUXILIAM                                             A AUTO-ESTIMA DOS ALUNOS




                                                                                                                                                   Captulo 1: Estratgias 
de Promoo da Criatividade
            NA PROMOO DA CRIATIVIDADE
                                                                      Valorize as qualidades dos seus
Incentive seu aluno a partici-     Planeje provas criativas, onde     alunos. Diga a cada um deles o
par ativamente do processo de      o aluno busque informaes         que os destaca como indivduos
avaliao de sua disciplina ou     extras, seja incentivado a pes-    e os tornam especiais;
turma;                             quisa, a inserir seus prprios
                                   saberes na avaliao formal;       Aceite as contribuies de cada
Construa exerccios, atividades                                       aluno sem julgamentos e cr-
escolares, provas, seminrios,                                        ticas. Aprenda a valorizar as
                                   Adote modelos de avalia-
trabalhos em grupo que per-                                           idias de cada criana, em sala
                                   o elaborados pelos alunos.
mitam ao aluno a percepo de                                         de aula;
                                   Inclua a avaliao nas ativi-
que a avaliao  parte das ati-
                                   dades co-construdas em sala
vidades escolares e tem a fun-                                        Acredite em seus alunos, acre-
                                   de aula;
o de orientar a trajetria de                                       dite no potencial de cada um,
aprendizagem;                                                         acredite que eles so capazes
                                   Inove ao elaborar trabalho,
No permita que o sistema de       provas e atividades a serem        de realizar muitas coisas, coisas
avaliao utilizado assuma         realizadas com o intuito de        que at voc mesmo no tinha
carter punitivo. Avaliao deve   avaliar a criana. Experimente     pensado;
ser momento especial e privile-    construir instrumentos de ava-
giado de aprendizagem e no        liao divertidos, estimuladores   Oua, oua, oua! D escuta aos seus alunos. Oua o que cada um tem a
sistema de punio ao aluno;       e desafiadores;                    dizer. Olhe em seus olhos e d-lhes a certeza de que esto sendo ouvidos;

                                                                      Seja amigo (a) dos seus alunos. No receie demonstrar sentimentos de afeto
                                                                      e considerao. Procure ser autntico nas interaes em sala de aula;

                                                                      Crie espao para que seus alunos falem sobre seus sentimentos, com con-
                                                                      fiana, sem medo de julgamentos ou avaliaes. Valorize o clima emo-
                                                                      cional da sua sala de aula. Procure torn-lo confortvel e receptivo;

                                                                      Organize situaes de aprendizagem que incluam a expresso das idias,
                                                                      pensamentos e emoes dos alunos;

                                                                      No incentive comportamentos "pr-conceituosos" ou discriminatrios
                                                                      em sala de aula. Oriente seus alunos a lidarem com o diferente, respei-
                                                                      tando e incluindo pessoas que agem, vivem ou falam de modo peculiar.
32
                                                                                          Desenvolver a criatividade dos alunos 
           SUGESTES PARA DESENVOLVER CRIATIVIDADE EM SALA DE AULA                 possvel. Fomentar as competncias criativas do
                                                                                   professor, para que ele promova ensino criativo
                                                                                   tambm  tarefa vivel. O presente texto pretende
                                             Ouse, tenha coragem de propor coi-    contribuir neste sentido, ao esclarecer sobre o
     Pense que cada atividade a ser feita    sas novas em sala de aula;
                                                                                   fenmeno criativo e sugerir aes e prticas que
     em sala de aula pode ser ensaiada de
     diversas maneiras. Ensaie todas as                                            facilitem o despertar deste potencial fantstico,
     maneiras de dar uma aula e d cada                                            que todos ns possumos e, por razes diversas,
                                             Adote a pesquisa em sala de aula
     aula de um jeito diferente, envol-      como uma prtica corriqueira.         nem sempre conseguimos express-lo em
     vendo os alunos a participarem ati-     Auxilie seus alunos a adotarem uma    sua plenitude.
     vamente de cada momento;                postura curiosa diante do conheci-           O compromisso com um ensino criativo
                                             mento e da vida;                      exige conhecimento e prtica. Esperamos que
                                                                                   este trabalho amplie os horizontes de todos os
     Introduza em suas aulas os seguintes                                          educadores que vm trilhando a senda do ensinar
     ingredientes: imaginao + fantasia
                                             Valorize a originalidade e estimule   e aprender, tarefas fundamentais na construo do
     + senso de humor + informaes
     variadas + novidades + tudo o que       a produo de idias. Lembre-se: em   ser humano. Desejamos, tambm, que esta simples
     possa instigar a curiosidade dos alu-   criatividade, quantidade  igual     contribuio acenda a chama criativa em cada um
     nos;                                    qualidade. Tenham muitas idias em    dos leitores e os estimule a desenvolver e expres-
                                             sala de aula.
                                                                                   sarem seus talentos e competncias. Como diz
                                                                                   o mestre Caetano Veloso: "gente  para brilhar!".
     Transforme tudo em problema a ser                                             Vamos, ento, acender a luz da nossa criatividade?
     solucionado. Estimule seus alunos                                             O convite est feito.
     a adotarem a postura do investiga-
     dor, que sai em busca de mltiplas
     solues para situaes diversas;




     No critique! No critique! No cri-
     tique! Aceite as diferenas. As pes-
     soas no so iguais e a diversidade 
     uma riqueza. J a crtica s inibe a
     expresso criativa;
                                                                                                                                                                 
33
Referncias




                                                                                                                                                                 
Captulo 1: Estratgias de Promoo da Criatividade
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                 Captulo 2




Desenvolvimento do
   Autoconceito




             Angela M. R. Virgolim
36
                                                                                                                                                                 
37
                                                                                                                                                                 
37


      B             etts e Neihart (1988) afirmam que
                    a criana superdotada influencia
                                                          (por exemplo, cientistas, artistas, msicos, pesquisa-
                                                          dores, tcnicos, lderes governamentais, entre outros)
                                                                                                                       assim como a percepo que temos dos outros 
sobre
                                                                                                                       ns. O autoconceito funciona como uma espcie 
de




                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
                    e  influenciada por suas famlias,   que podem servir de modelos para os jovens com alto          filtro, moldando nossas escolhas e afetando 
o modo
sua educao, seus relacionamentos e pelo seu prprio     potencial ou atuar como seus mentores. Todos estes           com que reagimos aos outros e ao mundo. Algumas
desenvolvimento pessoal. Sabe-se que o ambiente tem       recursos devem ser utilizados para uma educao mais         definies de autoconceito so apresentadas 
no
um grande impacto no indivduo em desenvolvimento         ampla e completa do aluno superdotado, de forma que          Quadro 1 (Definies de Autoconceito).
e no caso da criana superdotada , s vezes, difcil     ele possa entender a extenso de seus talentos e aceitar             Quando falamos do autoconceito, ou 
da
detectar se suas altas habilidades so frutos de carac-   a si prprio como pessoa nica e especial.                   auto-estima, estamos nos referindo s vrias 
vises
tersticas pessoais ou de caractersticas do ambiente             Os educadores recomendam que a educao da           do "si mesmo" (e que os psiclogos chamam 
de self),
onde vive.                                                criana que apresenta um potencial promissor deva se         o que inclui os vrios papis que assumimos 
e os
        Neste sentido,  importante entender que a        iniciar cedo, num ambiente de aprendizagem criativo,         atributos que fazem parte de nossa vida. Enquanto
criana no  superdotada apenas no perodo em que        que a encoraje a explorar seus talentos, exercitar           o autoconceito  um termo mais amplo e geral 
que
est na escola; ela deve ser percebida como um ser        sua capacidade de aprender e entender suas habili-           implica organizao de partes, peas e compo-
humano que necessita de condies, seja na famlia,       dades especiais. Da mesma forma, diversos pesqui-            nentes internos hierarquicamente organizados 
e
escola ou comunidade, que favoream seu desenvol-         sadores tm demonstrado a importncia dos fatores            inter-relacionados de uma forma complexa, 
a auto-
vimento e aprendizagem. Cada um destes ambientes          emocionais e sociais para a realizao do potencial do       estima implica julgamento, constituindo o 
aspecto
tem um papel importante na educao da pessoa             indivduo (Colangelo, 1997; Janos, Fung & Robinson,          avaliativo do autoconceito, composto pelos 
senti-
com altas habilidades. A famlia, que seria a primeira    1985; Neihart, Reis, Robinson & Moon, 2002). Um              mentos de competncia e de valor pessoal. 
Assim,
escola da criana, tem o papel fundamental de nutrir      dos aspectos que tem consistentemente chamado a
suas necessidades afetivas, contribuindo para que ela     ateno de pesquisadores diz respeito ao autoconceito
possa desenvolver uma percepo positiva a respeito       das crianas com altas habilidades/superdotao. Uma
de si mesma, fortalecer sua auto-estima e desenvolver     vez que as crenas e atitudes que temos com relao a
precocemente seus talentos. Ao entrar na escola, a        ns mesmos so centrais em nossa personalidade e em
criana encontra um ambiente privilegiado onde, se        nosso comportamento, torna-se fundamental entender
lhe for dada a oportunidade de fazer escolhas signi-      este construto com mais profundidade. Vamos a seguir
ficativas sobre sua prpria aprendizagem, de explorar     enfocar este tema, mostrando como o autoconceito
livremente, manipular uma ampla variedade de              surge e evolui, sua estrutura e os efeitos que o rtulo de
materiais e receber estmulos variados, ter uma apren-   "superdotado" pode ter na auto-estima do indivduo.
dizagem muito mais efetiva. A comunidade, por sua
vez, por meio de museus, bibliotecas, teatros, estdios   O Self, o Autoconceito e a
de rdio e TV, laboratrios, indstrias etc, oportu-      Auto-Estima
nizam recursos humanos e materiais fundamentais
para a educao avanada e especializada do aluno               O autoconceito se refere  imagem subjetiva
com altas habilidades/superdotao. Na comunidade         que cada um tem  respeito de si, o que inclui as
encontramos, ainda, diferentes tipos de especialistas     crenas e atitudes que temos a nosso prprio respeito,
38
     o autoconceito seria o termo utilizado para os         percepes so formadas a partir das experincias          experincias de sucesso e fracasso que o indivduo
     aspectos descritivos do self em termos de papis e     da pessoa nos ambientes em que vive e altamente            vai acumulando, a sua posio social (ou dos 
pais),
     atributos (por exemplo, ser alto ou baixo), ao passo   influenciadas pelas informaes do meio a seu              opinies e crticas que o indivduo recebe, 
compa-
     que a auto-estima deve ser usado para se referir ao    respeito. A percepo que o indivduo tem de si            rao de si mesmo com pessoas de projeo 
que so
     aspecto avaliativo do self (por exemplo, sentir-se     influencia seus atos, e estes, por sua vez, influenciam    vistos como modelos pessoais, e o seu prprio 
nvel
     feliz por ser baixo).                                  a forma pela qual ele se percebe. Assim, o autocon-        de educao (ou dos pais, em se tratando de 
crianas
            Vimos ento que o autoconceito  o conjunto     ceito  um construto inferido das respostas do             e adolescentes). A comparao do indivduo 
com os
     de percepes que o indivduo tem de si mesmo. Tais    indivduo s diferentes situaes apresentadas em          outros  um dos fatores que mais afeta a auto-estima
                                                            seu contexto social, cultural, escolar e familiar.         da pessoa. Quanto mais jovem a criana, mais 
vulne-
            QUADRO 01: DEFINIES DE                                Segue-se ento que o autoconceito se refere        rvel pode estar aos estmulos que diminuem 
sua
                AUTOCONCEITO                                aos aspectos conscientes e inconscientes daquilo           auto-estima. Punio excessiva, infligida 
no curso de
                                                            que achamos que somos - nossas caractersticas             seu desenvolvimento, pode torn-la mais consciente
                                                            fsicas e psicolgicas, nossas caractersticas positivas   de sua significncia e fraqueza; da mesma 
forma, a
      Definies de Autoconceito                            e negativas. O estudo da psicologia infantil mostra        falta de fora fsica aliada  conscincia 
da superio-
                                                            que, ao nascer, o ser humano no possui a noo de "si     ridade fsica da pessoa que a pune diminui 
sobre-
          Autoconceito consiste nas crenas que o           mesmo" (self), e sim uma capacidade para o desen-          maneira sua auto-estima.
          indivduo tem a respeito de si mesmo, nas         volvimento deste self.  medida em que o beb se                  Alencar (1993) salienta que, como so
          quais ele baseia suas expectativas e,  luz       desenvolve, a difuso inicial d lugar a organizao       mltiplas as facetas do autoconceito, o indivduo
          destas, os seus atos e realizaes (Peres,        de significados pessoais. Cada indivduo estrutura         pode se ver de forma mais positiva com relao 
a
          citado em Virgolim, Fleith & Neves-               sua experincia de acordo com sua prpria possibi-         uma faceta, e de forma mais negativa com relao
          Pereira, 2006).                                   lidade e percepo de vida, sendo que o self emerge        a outra.  medida em que se desenvolve, a 
criana
                                                            a partir das aprendizagens que o indivduo realiza. O      recebe informaes do ambiente, vindas especial-
          Autoconceito  composto por todas as              que d sentido ao self  a necessidade de persistente      mente das pessoas significativas a ela, e 
que lhe
          crenas e atitudes que o indivduo mantm         equilbrio entre as aprendizagens que realizamos           transmitem a extenso em que  aceita e valorizada
          sobre si mesmo e que determinam quem              e as necessidades que possumos, que mudam de              pelo grupo, ou rejeitada e no aprovada por 
ele.
           voc, o que voc pensa que  e o que            acordo com a evoluo. Das aprendizagens de vida e                Alm disso, desde muito cedo, a criana
          voc pensa que pode se tornar (Canfield &         da interao com os outros, desenvolvemos tambm           comea a ter experincias de sucesso e de 
fracasso,
          Wells, 1976).                                     a autoconscincia, o que colabora para o desenvol-         a receber crticas e elogios por suas realizaes. 
A
                                                            vimento da personalidade e para a ampliao do             partir de tais experincias ela estrutura 
o conceito
          Autoconceito constitui um determinante
                                                            sentido que damos  vida. Voltaremos a aprofundar          de si mesma. Se, desde muito nova, ela  criticada 
e
          importante da pessoa que somos;
                                                            este aspecto mais  frente neste texto.                    ridicularizada ao apresentar idias originais; 
se os pais
          determina ainda o que pensamos a
                                                                    Os pesquisadores concordam que os fatores          no a deixam experienciar coisas novas por 
no ter
          respeito de ns mesmos, o que fazemos e
                                                            que influenciam a auto-estima das pessoas durante          competncia ou habilidade; se  punida ou 
criticada
          o que acreditamos que podemos fazer e
                                                            as diferentes fases de suas vidas so numerosos, mas       por ser mal-sucedida em suas tentativas; e 
se a este
          alcanar (Alencar, 1993).
                                                            alguns deles podem ser considerados universais: as         quadro tambm se aliam crticas dos professores
                                                                                                                                                                 
39
para com suas produes, respostas e idias,  natural   preponderante. Ele  visto como uma estrutura           o indivduo consiga manifestar sua tendncia de
ento que a criana introjete a crtica, inibindo sua    organizada e mutvel de percepes relativas ao         atualizao, torna-se necessrio que as noes de 
eu




                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
natural capacidade de pensar e criar. Em funo          prprio indivduo, como, por exemplo, caracte-          real, derivadas da experincia vivida (sentimentos,
disto, ela pode bloquear seu prprio desenvolvi-         rsticas, atributos, qualidades e defeitos, capaci-     desejos, ansiedades, angstias), se aproximem do
mento, deixando de utilizar seu potencial de forma       dades e limites, valores e relaes, que se reconhece   eu ideal e da percepo que ele tem de como os
plena e passando a se perceber como incompetente         como descritivos de si mesmo, constituindo sua          outros o percebem e se comportam com relao a
ou incapaz.                                              identidade.                                             ele. Quando a percepo que o indivduo tem do
                                                                Rogers considera que todo ser humano             mundo  congruente com esta percepo mais
A Teoria Humanista com Relao ao                        tende  "auto-realizao", termo que indica a           realista, ele ter boas chances de conseguir alcanar
Autoconceito                                             tendncia diretriz, evidente em toda a vida orgnica    os objetivos a que se prope. Por outro lado, se 
a
                                                         e humana, de se expandir, de se estender, de se         noo de self apresenta lacunas e inconsistncias, 
a
        Para o humanista Rollo May (1991), o self  a    desenvolver e amadurecer, ou seja, todo ser humano      tendncia atualizadora no ser clara; o indivduo
funo organizadora do indivduo, por meio do qual       tem a tendncia para colocar em ao todas as suas      ter a tendncia de propor metas difceis de se
um ser humano pode relacionar-se com o outro. Para       capacidades e potencialidades, estando  espera das     atingir e experienciar o fracasso, com todas as
ele, o self no  a simples soma dos vrios papis que   condies adequadas para se exprimir e se manifestar.   frustraes dele decorrentes. Assim, a noo deve
representamos, mas sim a capacidade de sabermos          Para que isto acontea, no entanto, torna-se neces-     ser realista, fundamentada na experincia autntica
que representamos tais papis.  tambm o centro         srio um contexto de relaes humanas positivas,        do indivduo, para que possa conduzi-lo a uma
pelo qual vemos e temos conscincia das diferentes       favorveis  conservao e  valorizao do eu;         satisfao subjetiva e um comportamento eficaz. 
A
facetas de nossa personalidade.  a autoconscincia      requer relaes desprovidas de ameaa ou desafio        condio essencial deste funcionamento autntico
que permite o indivduo ver a si mesmo como os            concepo que o sujeito faz de si mesmo, ou ao         a liberdade para experienciar.
outros o vem e sentir empatia; colocar-se no lugar      seu autoconceito. Assim, depreende-se da teoria                 Assim, pela teoria humanista, o indivduo 
que
do outro e imaginar como se sentiria e o que faria se    de Rogers que o ambiente ideal para o desenvolvi-       no se sente psicologicamente livre se v obrigado 
a
fosse ele. Permite, em ltima instncia, realizar suas   mento do ser humano (seja na famlia, na escola ou      se defender, negando ou deformando a sua realidade,
potencialidades como pessoa. O homem realiza suas        na sociedade),  aquele onde o indivduo se sente       a fim de conservar o afeto ou estima daqueles que 
lhe
potencialidades somente quando planeja e escolhe         amado e respeitado como pessoa; um ambiente             so caros. Nem sempre, no decorrer de seu desenvol-
conscientemente, e o fato de no poder realiz-las       onde suas idias, opinies e aes so valorizadas e    vimento, a criana experimenta esta liberdade para
est na raiz de sua doena e neurose. O objetivo da      apreciadas de forma positiva.                           experienciar, pois muitas vezes precisa dissimular 
e
vida, sob o ponto de vista deste autor,  a alegria,            Em ltima anlise,  a noo de self que         disfarar seus sentimentos "negativos" aos olhos 
dos
no a felicidade idealizada, uma vez que a alegria       determina se essa tendncia atualizadora, de            pais, a fim de conservar sua afeio e se sentir 
aceita
 a emoo que acompanha a realizao de nossa           poder expandir suas capacidades e potenciali-           por eles. Essa atitude defensiva produz um desnvel
natureza como seres humanos. Tornar-se pessoa ,         dades, ser efetiva e realista. Este processo ocorre    que pode levar a diferentes nveis de desordens 
do
dessa forma, um aprofundar dessa conscincia do          da seguinte forma: o indivduo acredita que  de        sistema de comunicao interno, inclusive  neurose.
prprio "eu", conscincia de que  um eu ativo.          uma determinada maneira ou que possui deter-            A ao da criana passa a ser dirigida de forma 
a
        Na teoria rogeriana (Rogers, 1978; Rogers &      minados atributos e qualidades, a esta percepo        lhe garantir amor e aprovao, no importando se 

Kingett, 1977), o self ou "si mesmo" tem um papel        Rogers denominou de "eu ideal". Assim, para que         uma ao saudvel ou no a ela.
40
            Surge da a necessidade, que Rogers (1978)      que pequenas crticas e desaprovaes sejam destru-              Em uma etapa posterior, a criana comea 
a
     considera fundamental e mesmo universal, de amor       tivas para a autoconfiana e respeito prprios. Mas,      formar a noo de que ela tambm  um objeto 
no
     ou considerao positiva, que acaba por guiar a         medida que os pais se alegram pelo seu bem-estar        mundo, ou seja, assim como uma bola  redonda,
     criana, no pelo carter agradvel ou desagradvel    e dividem suas preocupaes sobre ela, a criana se       ou a bonequinha  macia, ela tambm tem suas
     de suas experincias e comportamentos, isto , no     convence de sua importncia e valor para eles; nessa      caractersticas prprias, como gnero (ser 
menino
     por sua significao em relao  sua tendncia        base  que ela poder desenvolver suas convices         ou menina), tamanho, um nome e qualidades que
     atualizadora, mas pela promessa de afeio que         sobre seu prprio valor como pessoa.                      se agregam pelo que ela ouve ou percebe de 
como
      elas encerram.                                                                                                  os outros a tratam. Mas essa autoconscincia 
apenas
            Em sua longa experincia como terapeuta,        Como Surge a Noo de                                     se inicia por volta dos 15 ou 18 meses, e pode 
ser
     Rogers conclui que uma das funes essenciais de       Autoconceito                                              avaliada por um teste simples chamado "teste 
do
     que se reveste o processo teraputico  a de levar                                                               espelho". Este procedimento consiste em colocar 
o
     o indivduo  aceitao incondicional de si mesmo,               no primeiro ano de vida que o beb desen-      beb  frente de um espelho, deixando-o interagir
     como se , com suas qualidades e defeitos; de poder    volve o senso de si mesmo como um agente no               livremente com a imagem refletida. Depois de 
certo
     experienciar livremente seu eu, aceit-lo sem negar    mundo, ou seja, algum capaz de fazer as coisas           tempo, fingindo brincar com o beb, coloca-se 
uma
     nenhuma aspecto, com toda a sua variedade e            acontecerem. O beb aprende paulatinamente a              manchinha de batom no nariz do beb e deixa-se
     contradio superficial. O ponto final do processo    coordenar suas aes e adquire a noo de que  capaz     que ele se olhe no espelho outra vez. O teste 
crucial
     o momento em que o indivduo descobre que pode         de controlar certos acontecimentos no mundo. Esse         do auto-reconhecimento (e da autoconscincia) 
 se
     ser a sua experincia e no mais precisa negar os      senso de eficcia ou de controle acontece tanto em        o beb estende a mo para a mancha no seu nariz
     elementos de si mesmo que no se encaixam com a        relao a objetos - por exemplo, quando descobre          e no para a do nariz do rosto que est no 
espelho.
     imagem de self que ele formou para si.                 que consegue fazer um mbile mexer puxando a              Resultados de estudos realizados com este proce-
            Podemos ento refletir sobre a importncia da   cordinha - quanto em relao a sua interao com          dimento mostram que a grande maioria de bebs
     aceitao positiva do indivduo em seu desenvolvi-     adultos, os quais respondem ao comportamento da           aos 21 meses j manifestam esse nvel de auto-
     mento, tanto pela famlia, quanto pela escola, como    criana, sorrindo quando o beb sorri, ou repetindo       reconhecimento, a que os pesquisadores chamam 
de
     agentes formadores do autoconceito da criana.         as brincadeiras que provocam reaes de alegria           "self objetivo". Nessa mesma idade, observa-se 
que
     Nesta mesma linha de pensamento, o psicanalista        na criana. Da perspectiva do beb,  ele quem fez        tambm as crianas j so capazes de se referir 
a si
     Bruno Bettelheim (1988) assinala que a criana         aquele comportamento acontecer e o seu senso de           mesmas pelo nome quando lhes so mostradas 
fotos
     precisa que acreditemos nela e em sua capacidade       self, de eficcia e de ser uma pessoa separada do outro   suas, noo que se completa por volta da segunda
     de governar a prpria vida, a fim de adquirir a        vai se estabelecendo. Esta etapa d origem ao que os      metade do segundo ano de vida.
     segurana necessria para efetivamente faz-lo.        pesquisadores chamam de "self subjetivo", pois o beb            Atingindo essa conscincia, o comportamento
     A confiana que depositamos na criana cria nela       comea a criar a noo de que existe separadamente        da criana passa a ser afetado de vrias maneiras.
     uma confiana bsica em sua prpria capacidade.        dos adultos que o cercam e tambm a compreender           Ela comea a se utilizar mais da palavra "meu" 
ou
     Independentemente de ter sido ou no criticada         que estes adultos (papai e mame, na maioria das          "minha" e assume uma postura mais independente
     antes, a criana pequena "recebe qualquer crtica      vezes) continuam a existir mesmo quando esto             e de controle sobre os objetos, tornando-se 
mais
     como dirigida no s ao que ela pensa ou faz, mas      fora de vista (a isso Piaget denominou permanncia        impositiva em suas vontades. Aos 2 anos, a 
criana
     tambm a ela como pessoa" (p. 79), o que faz com       do objeto).                                               demonstra tornar-se consciente de si mesma 
no jogo
                                                                                                                                                                 
41
social, passando a ter uma compreenso implcita do        Estados Unidos, pediu a crianas e adolescentes que            Pedro, eu gosto de brincar, eu tenho 10 
anos. Sou
seu prprio papel nas interaes com as pessoas. Por       dessem 20 respostas  questo: "Quem sou eu?" A                bonito, tenho 6 letras no meu nome. Meu 
olho 




                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
exemplo, ela comea a pensar em si mesma como              autora afirma que crianas de 5 a 7 anos de idade              verde e estudo o dia todo quando tem prova.
"ajudante da mame" nas situaes em que est              so capazes de dar uma descrio bastante acurada              Eu tenho 12 anos, eu nasci em 1989 no dia
aprendendo determinado papel, como o de guardar            de si mesmo em uma srie de dimenses, tendo uma               3 de maio. Sou inteligente, bonito, e eu 
gosto
seus brinquedos, ou de "chefe" ou mesmo "papai"            clara noo de sua capacidade em executar algumas              de escrever.
quando est dizendo a outra criana o que fazer.           tarefas, como montar quebra-cabeas, dominar                   Eu sou uma pessoa qualquer, como todas
Isto  evidente nas situaes de brincadeira em que        determinados assuntos na escola, escalar ou pular              as outras, mas tenho defeitos e qualidades
ela comea a representar papis explcitos: "eu sou o      cordas e fazer amizades.                                       diferentes. Sou um menino de 13 anos que
papai e voc  a mame", ou "eu sou a professora".                No incio, o autoconceito do pr-escolar                sonha em ser o melhor na profisso ou no
 assim que a criana pr-escolar aprende, pouco            concreto e tende a centrar-se em caractersticas             esporte que eu escolher fazer e no em 
ser
a pouco, os papis que desempenha em sua rede              visveis  por sua aparncia, se  menino ou menina,           mais um no mundo.
social, assim como o que  esperado dela ao desem-         o local onde mora e aquilo que sabe fazer bem.                 14 anos. Sou uma pessoa feliz, alegre, 
no me
penhar estes papis.                                       Mas ao longo dos anos do ensino fundamental, o                 mataria. Imagine deixar um monte de gente
        Ao final do segundo ano, ela tambm comea         autoconceito concreto se torna paulatinamente                  que gosta de voc sem voc... Sou algum
a mostrar sinais de vergonha e orgulho, usando             mais abstrato, mais comparativo e mais genera-                 com planos para o meu futuro, que deseja
palavras que demonstram que est julgando a                lizado, menos centrado em caractersticas externas,            ser algum, ser reconhecida. Sou algum 
que
si mesma ou aos outros de acordo com algum                 passando a refletir mais os aspectos internos do               tenta fazer mal  nenhum ser, no prejudic-
padro. A vergonha surge quando ela percebe que            indivduo, seus sentimentos e idias. Os seguintes             lo. Sou algum consciente das minhas aes,
no atingiu um certo padro, enquanto o orgulho            relatos de crianas e jovens de 8 a 15 anos de uma             das minhas loucuras...
aparece quando foi capaz de atingi-lo - por exemplo,       escola particular do Distrito Federal ilustram bem a           15 anos. Eu sou um ser humano, original, 
com
de construir uma torre bem alta ou lavar as mos de        transio desta fase at a adolescncia.                       DNA diferente e genes provindos do meu 
pai
forma que fiquem "limpinhas" - e que ela percebe                  Eu sou Marta. Eu sou um pouco alta, tenho               e da minha me. Eu sou eu e mais ningum,
por meio da aprovao ou no do adulto.                           vergonha e sou legal. Tenho 8 anos, gosto               sendo que eu penso e imagino o que eu quero.
        Ao chegar  idade escolar, a criana j interna-          de nadar, fazer arte, ter amigos. Eu sei fazer          Eu sou algum, talvez um achado impor-
lizou esses padres e expectativas, tornando-se mais              pipa e gosto de brincar muito. Gosto de                 tante, mas no momento, sou s algum e 
mais
autnoma em seu autojulgamento e assim tornando-                  fazer amizades e a cor de mim (sic)  morena            ningum. Se te importa saber, sou algum 
e
se mais apta a regular sua expresso emocional e seu              clara, meus olhos so castanhos e meu cabelo            ningum, algum achado, ningum perdido.
comportamento. Tendo assim atingido a autocons-                   tambm.                                                 Espero que esse ningum se torne algum 
e
cincia inicial, a criana em idade escolar comea                Eu sou uma pessoa bonita e cheirosa. Eu                 espero ser esse ningum, algum. Posso 
ser eu,
a descobrir suas prprias qualidades e seus papis                tenho 9 anos, sou baixa, tenho cabelo grande            voc, todo mundo e tambm ningum. Eu sou
sociais, sendo capaz de dar uma descrio mais                    e cacheado, sou morena e gosto de escrever,             s eu, ningum, algum e voc.
completa de si mesmo em vrias dimenses. Em                      pintar, ler e desenhar. Eu gosto de brincar             Harter tambm afirma que, enquanto as
uma srie de pesquisas sobre este assunto, Susan                  de queimada e comidinha. Meu nome               crianas de 1 a 3 sries prestam menos ateno 
ao
Harter (1998), da Universidade de Denver, nos                     Dayanne.                                         desempenho dos colegas em determinadas tarefas,
42
     tendendo a identificar as prprias qualidades como     grande potencial intelectual, embora, na verdade, as      (a)   O autoconceito  organizado: para facilitar
     positivas, por volta da 4 srie comeam a comparar    crianas assim rotuladas tivessem sido escolhidas               a sua compreenso das experincias de 
vida,
     os desempenhos dos colegas com o seus, incluindo       sem nenhum critrio especfico. No entanto, os                  sobre as quais a percepo de si mesmo 
se
     elementos positivos e negativos em seu autojulga-      alunos apontados como tendo maior potencial,                    baseia, o indivduo tende a situ-las 
em
     mento. Com os professores, a mesma mudana se          tipicamente, ao final do ano, apresentavam mais                 categorias, que variam de acordo com 
a
     nota. Os professores das sries iniciais enfatizam o   ganhos acadmicos do que os outros alunos,                      cultura particular de cada um. As categorias
     esforo e hbitos de trabalho dos alunos e em sries   mostrando nitidamente o efeito que as expectativas              representam a forma de organizar as experi-
     mais avanadas, os julgamentos comparativos so        do professor podem causar no desempenho escolar                 ncias e dar um significado a elas.
     mais freqentes. Os professores passam no s a        do aluno.                                                 (b)   O autoconceito  multifacetado: as facetas
     comparar os alunos uns com os outros, mas tambm              Alencar e Virgolim (1993) consideram os                  particulares de que se revestem o autocon-
     com outros alunos e com alunos de outras escolas.      anos escolares de fundamental importncia para a                ceito refletem o sistema de categorias
            Em um estudo bastante conhecido no mbito       formao da imagem que a pessoa desenvolve sobre                adotado pelo indivduo, em particular, 
ou
     pedaggico, a que denominou "Pigmalio na sala         si mesma. No ambiente escolar, onde o aluno passa               partilhado pelos grupos. Pode incluir 
reas
     de aula" (Rosenthal & Jacobson, 1968), Robert          grande parte de seu tempo, ocorrero experincias               como escola, aceitao social, atratividade
     Rosenthal demonstrou o efeito das profecias auto-      diversas, que podero atuar tanto no sentido de                 fsica e habilidade em reas especficas.
     realizadoras no ambiente escolar. Em suas pesquisas,   modificar as percepes anteriores que ele tem de         (c)   O autoconceito  hierrquico: segundo 
os
     o pesquisador dizia ao professor que algumas das       si mesmo, quanto de fortalecer atitudes e crenas               autores, as facetas do autoconceito podem
     crianas da turma foram testadas e que mostravam       e propiciar o conhecimento de outras facetas de si.             formar uma hierarquia, tendo na base 
as
                                                            Os professores e os colegas, mesmo no intencio-                experincias individuais em situaes 
parti-
                                                            nalmente, influenciam diretamente na formao                   culares, e no pice, o autoconceito geral.
                                                            do autoconceito do aluno; sendo assim, este se                  O autoconceito geral se divide em dois
                                                            configura como o contexto ideal para o professor                componentes, o autoconceito acadmico 
e
                                                            ajudar ao aluno a desenvolver um autoconceito mais              o autoconceito no-acadmico. Cada um
                                                            positivo, a conhecer seus talentos e competncias e             desses componentes tambm se divide. 
No
                                                            propiciar-lhe reconhecimento como pessoa.                       caso do autoconceito acadmico, as divises
                                                                                                                            correspondem s matrias escolares e 
s
                                                            A Estrutura do Autoconceito                                     reas especficas em cada uma delas. 
O
                                                                                                                            autoconceito no-acadmico pode ser
                                                                   Os estudos de Shavelson, Hubner e Stanton                dividido em autoconceito social, emocional
                                                            (1976) se tornaram clssicos com relao ao entendi-            e fsico e estes divididos em facetas 
tambm
                                                            mento do funcionamento e da estrutura do autocon-               mais especficas.
                                                            ceito. Estes autores consideram o autoconceito como       (d)   O autoconceito  estvel: de acordo com
                                                            um construto organizado, multifacetado, hierrquico,            o aspecto hierrquico do autoconceito,
                                                            estvel, evolutivo, avaliativo e diferencivel. Cada um          medida em que se "desce" do geral para
                                                            desses traos ser considerado a seguir.                        o especfico, aumenta a dependncia a
                                                                                                                                                                 
43
       situaes especficas, o que o torna menos               forma avaliaes de si mesmo, que podem ser              Competncia atltica: Percepo da criana
       estvel. Alm do mais, as mudanas nos                   feitas tanto com relao a padres absolutos,            quanto  sua habilidade nos esportes e




                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
       nveis mais baixos da hierarquia so prova-              como a um padro "ideal" em relao aos                  jogos atlticos;
       velmente atenuadas pelas conceituaes                   pares ou aos outros significantes. Segundo               Aparncia fsica: Percepo da criana
       nos nveis mais altos, o que faz com que o               Shavelson e colaboradores, a dimenso                    quanto ao seu aspecto fsico e o que ela 
acha
       autoconceito seja resistente  mudana. Para             avaliativa pode variar em importncia para               da sua aparncia;
       que se mude o autoconceito geral,  neces-               diferentes indivduos em diferentes situaes,           Comportamento: Percepo da criana
       srio mudanas nas situaes especficas, o              dependendo, em larga medida, das experi-                 quanto ao seu comportamento, se ela gosta
       que explica o fato do sucesso ou fracasso                ncias passadas do indivduo em sua cultura              da forma com que se comporta e o grau em
       do indivduo numa determinada rea no                   e sociedade. Estes autores consideram os                 que este comportamento  o que se espera
       afetar seu autoconceito geral.                           termos autoconceito e auto-estima inter-                 dela;
(e)    O autoconceito se desenvolve: no incio                  cambiveis.                                              Global: Percepo da criana com relao 
a
       de seu desenvolvimento, a criana tende a          (g) O autoconceito  diferencivel: o autocon-                 gostar dela como pessoa e da forma com que
       no se diferenciar do seu ambiente, o que s             ceito  influenciado por experincias                    est conduzindo sua prpria vida.
       acontece mais tarde, atravs da maturidade e             especficas. Assim, quanto mais perto est               O modelo prope que o autoconceito da
       aprendizagem. Desta forma, o autoconceito                o autoconceito de situaes especficas,          criana seja composto de vrias dimenses, relativa-
       da criana pequena  global e no diferen-               tambm mais relacionados estaro o autocon-       mente independentes umas das outras. Sendo assim,
       ciado para situaes especficas. Quando a               ceito e o comportamento nesta situao. Da        estratgias podem ser desenvolvidas, em sala de 
aula
       criana comea a construir os conceitos de si            mesma forma, o autoconceito relacionado           ou mesmo na famlia, para desenvolver aspectos
       mesma, utilizando as palavras "eu" e "mim",              ao potencial intelectual provavelmente est       especficos do autoconceito ou da auto-estima que
       ela tambm comea a construir conceitos                  mais associado  realizao acadmica do que      necessitem de maior ateno e reforo por parte 
de
       para categorizar pessoas e situaes.                    habilidade em situaes fsicas e sociais.      pais e educadores.
       medida em que ela cresce, diferentes partes            Harter (1985) percebe o autoconceito como
       de si mesma se tornam mais importantes          sendo composto por mltiplas dimenses. Assim,             O Autoconceito do Indivduo com
       para ela e diferentes partes do seu mundo       prope que seja entendido em termos de domnios            Altas Habilidades/Superdotao
       assumiro mudanas significativas na sua        de competncia; a pessoa pode se sentir competente
       viso. Com a aquisio da linguagem, princi-    e confiante em um aspecto, mas no necessariamente                Feldhusen (1985; Feldhusen, Wood & Dai,
       palmente, o autoconceito se torna diferen-      em outro. Essas dimenses foram assim descritas            1997) considera que o self, conforme percebido
       ciado e  medida em que ela coordena e          por ela:                                                   pelo indivduo com altas habilidades/superdotao,
       integra partes de seu autoconceito, podemos            Competnciaescolar(oucognitiva):Percepo           exerce uma fora dinmica no seu desenvolvimento,
       ento nos referir a um autoconceito multi-             da criana com relao  sua competncia ou         sendo refletido em suas habilidades superiores. 
Este
       facetado e estruturado.                                habilidade na rea escolar;                         conceito de self consiste das percepes e interpre-
(f )   O autoconceito  avaliativo: alm de                   Aceitao social: Percepo de ser aceita pelos     taes de "si mesmo", do self ideal que se tenta 
atingir
       desenvolver uma descrio de si mesmo em               colegas, ser popular e se sentir aceita e querida   e das percepes dos prprios talentos e habilidades.
       situaes especficas, o indivduo tambm              pelos amigos;                                       Durante a infncia e adolescncia, o indivduo
44
     superdotado pode vivenciar momentos de dvida,          que muitas vezes pode produzir uma desarmonia           dos fatores que pode influir negativamente na 
auto-
     desespero ou confuso com relao  percepo que       ou dissonncia cognitiva, principalmente quando         estima, como demonstram Janos, Fung e Robinson
     tem dos outros sobre si mesmo, pois sua precocidade     o desempenho escolar no corresponde ao nvel de        (1985) que pesquisaram o autoconceito de crianas
     pode faz-lo parecer estranho ou anormal aos olhos      suas habilidades.                                       superdotadas de 5 a 10 anos de idade. Os dados 
deste
     alheios. Uma imagem percebida como negativa a                  Dado o aspecto multidimensional do               estudo mostraram que as crianas de alto QI 
que se
     seu respeito pode faz-lo se sentir "fora do padro",   autoconceito,  natural que o indivduo super-          percebiam como diferentes de seus colegas obtiveram
     sentimento este que pode ser danoso, a menos que        dotado possa ter uma elevada autopercepo em           resultados mais baixos em medidas de autocon-
     seja contrabalanado com uma viso de si mesmo          uma rea e baixa em outra dimenso associada.           ceito, popularidade e satisfao do que seus 
pares
     como competente. O autor considera fundamental          Hay (1993), em reviso da literatura na rea, revela    de alto QI que no se percebiam como diferentes.
     que o indivduo superdotado se veja, desde tenra        resultados de pesquisa que apontam os indivduos        Estes tambm reportaram maiores dificuldades
     idade, como algum competente, capaz de produzir        com maior realizao escolar e que tiram notas boas     no relacionamento com seus colegas e amigos.
     novas idias, novos produtos, novas produes ou        na escola como aqueles que geralmente possuem           Embora parte do sentimento de ser diferente 
possa
     desempenhos artsticos; que incorpore um sentido        maior autoconceito geral, quando comparados com         advir de experincias sociais negativas, os 
autores
     de satisfao consigo mesmo, para que possa             alunos com realizao mdia ou abaixo da mdia.         ressaltam que  tambm possvel que a mera consci-
     desenvolver seus talentos e habilidades de forma        O autor alerta, no entanto, para as pesquisas que       ncia de sua superioridade intelectual e padres
     mais plena.                                             mostram que, como grupo, os indivduos super-           atpicos de interesse possam diminuir a auto-estima
            Sekowski (1995) discute o papel especial da      dotados apresentam autoconceito mais baixo do           deste grupo.
     auto-estima do indivduo talentoso em seu funcio-       que seus pares no identificados como tais. Um                 No entanto, resultados opostos encontraram
     namento psicolgico. A auto-estima influencia de        dos problemas com relao  autopercepo destes        Lehman e Erdwins (1981) com relao  auto-
     forma considervel todo o processo de comuni-           indivduos  que eles parecem apresentar expecta-       estima e ajustamento social e emocional do super-
     cao do indivduo com os outros, suas escolhas,        tivas no realistas de si prprios.  comum entre       dotado. Neste estudo, os autores usaram uma 
amostra
     seu processo de aprendizagem, sua percepo do          o grupo um desejo de chegar ao nvel timo de           de crianas de alto QI que cursavam a 3a srie 
do
     ambiente, tomadas de deciso e outros processos         perfeio, o que pode levar  frustrao e  reduo    ensino fundamental, comparando-a com dois outros
     mentais. Segundo o autor, a baixa auto-estima reduz     da motivao. Alm disso, conforme discute Clark        grupos de QI mdio, um de 3a srie e outro de 
6a
     a eficincia, produz sentimento de ameaa, causa        (1992), o perfeccionismo pode interferir com sua        srie. Os resultados demonstraram que as crianas
     depresso e ansiedade, interrompe o funcionamento       relao com os pares, resultando em solido, auto-      do grupo de alto QI obtiveram resultados superiores
     social normal, afetando todo o processo de comuni-      aceitao limitada e mau-humor.                         aos dos outros dois grupos quanto s medidas 
de
     cao interpessoal da pessoa. Ele considera ainda              Os problemas advindos da aspirao de            ajustamento social e de personalidade e relataram
     que a auto-estima das pessoas com altas habilidades     querer ser praticamente perfeito (ou o "efeito Mary     sentimentos mais positivos sobre si mesmos do 
que
      freqentemente vista pelos outros como elevada,       Poppins", como discutem alguns pesquisadores do         os alunos de QI mdio da mesma idade. Alm disso,
     sendo elas percebidas como autoconfiantes, super-       tema), podem ser a causa do baixo autoconceito da       o grupo de superdotados obtiveram escores mais
     valorizando seu valor prprio e indiferentes aos        criana superdotada, pois as expectativas muito altas   altos do que os colegas de 6a srie quanto  
medida
     outros e seus problemas. Esta forma de se perceber      sobre o prprio comportamento os impulsionam em         de relacionamento familiar positivo e maior 
do
     o superdotado est conectada com o preconceito e        direo a metas no realistas e difceis de atingir.    que os pares de 3a srie quanto ao relacionamento
     esteretipos que usualmente se faz deste grupo e               Sentir-se diferente dos pares e amigos  um      no ambiente escolar. Como grupo, eles tambm
                                                                                                                                                                 
45
relataram sentimentos mais positivos com relao        verbal do que fsica, quando comparados com
a si mesmos e maior maturidade e facilidade no          as mes do outro grupo.




                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
relacionamento com outros.
       Loeb e Jay (1987) compararam crianas de 9       Efeito da Rotulao
a 12 anos de idade, identificadas como superdotadas,
com crianas no-identificadas em trs medidas                 Outro aspecto que tambm tem sido
de autoconceito (auto-estima, locus de controle e       pesquisado diz respeito ao efeito do rtulo "super-
auto-satisfao), colhendo dados adicionais sobre       dotado" sobre o aluno identificado como tal. Este
personalidade e comportamento, fornecidos por           aspecto foi investigado por muitos autores, que
suas mes e professores. Os resultados apontaram        chamaram a ateno para os possveis efeitos
uma diferena a favor das meninas superdotadas,         negativos no autoconceito, auto-imagem e auto-
mostrando que estas se descreviam como tendo            expectativas deste grupo.
um autoconceito mais positivo do que as meninas                Clark (1992) chama a ateno para os
no-superdotadas. Elas tambm acreditavam que           possveis efeitos negativos da rotulao, que              ncia de fatores como: a posio da criana identi-
a razo para o prprio sucesso escolar era devido       pode resultar em mudana nas expectativas de               ficada na famlia, o autoconceito da criana (se 
ela se
s suas capacidades e potencialidades, e no por        pais e professores, como tambm no autoconceito            percebe de forma negativa ou positiva) e a percepo
sorte ou esforo, como acreditavam as meninas no       da criana. Observa-se, no entanto, a necessidade          que tem em relao aos pares, colegas e professores.
identificadas como superdotadas. Evidenciou-se          de mais pesquisas na rea, para esclarecer o papel                Colangelo (1997) conclui, a partir de numerosos
tambm menor auto-satisfao entre os meninos,          destas expectativas no desenvolvimento da criana,         estudos sobre o autoconceito dos superdotados, 
que
particularmente na rea de fora fsica e agressi-      assim como seus efeitos no seu autoconceito e na           este grupo tem sentimentos variados com relao 
ao
vidade, comparativamente s meninas. Os profes-         motivao para realizao. Torna-se essencial inves-       rtulo de superdotao. Em um de seus estudos, 
o
sores tendiam a ver o grupo superdotado, de forma       tigar os efeitos do rtulo ao longo do anos, a fim         autor encontrou que, embora as crianas tivessem 
uma
geral, como possuindo menos problemas quando            de se clarificar sua exata extenso e durao com          viso positiva a respeito do rtulo, achavam que 
seus
comparados ao grupo no identificado como               o passar do tempo. E, essencialmente, investigar os        colegas e professores os percebiam de forma negativa.
superdotado. Este, por sua vez, demonstrou maior        efeitos do rtulo na criana com altas habilidades/        Outro estudo indicou que as atitudes de adolescentes
agressividade, maior ndice de depresso, falta de      superdotao, nos seus colegas de escola, irmos,          superdotados com relao  sua prpria superdotao
confiana e menor concordncia com relao aos          pais e professores.                                        eram multifacetadas. Enquanto a superdotao era
pares e adultos. As mes das meninas identifi-                 Os pesquisadores ressaltam que a famlia tem        focalizada em termos acadmicos e de crescimento
cadas como superdotadas relataram tambm menos          um papel preponderante na forma com que a criana          pessoal, o sentimento ligado ao rtulo era positivo. 
No
problemas do que as mes do grupo no identificado      superdotada se percebe. Quando a famlia percebe           entanto, quando o foco se dava em termos das relaes
como superdotado. Diferiam tambm quanto s             a criana identificada como superdotada de forma           sociais com os colegas, o rtulo de superdotado 
era
estratgias utilizadas para educar seus filhos, sendo   positiva,a criana tende a ser ver tambm de forma mais    percebido como negativo.
que as mes do grupo de superdotados enfati-            positiva; mas se as atitudes so mistas, ento a criana          Em outro estudo (Colangelo & Brower, 1987)
zavam mais a independncia do que a obedincia e        passa a se ver de forma mais negativa. Os efeitos da       foram verificados os efeitos adversos, a longo 
prazo,
preferiam utilizar preferencialmente mais a punio     rotulao sobre a criana podem ainda receber influ-       do rtulo "superdotado" na dinmica familiar de
46
     crianas engajadas em programas de superdotao          de si prprios.                                                resto de sua vida;
     nos Estados Unidos. Esses autores observaram que                                                                        Mantenha em sala de aula uma postura 
do
     o rtulo parece no mais afetar as relaes familiares   Sugestes para Desenvolver o                                   tipo "Voc  capaz";
     como um todo, especialmente entre irmos. Segundo        Autoconceito em Sala de Aula                                   Destaque as reas fortes do aluno;
     os resultados evidenciados por este estudo, os efeitos                                                                  Chame o aluno pelo nome;
     negativos do rtulo "superdotado"no sistema familiar            Alencar e Virgolim (1993) refletem que,                 Considere o erro como etapa do processo 
de
     parecem declinar paulatinamente e, aps decorridos       independentemente do professor estar ou no atento             aprendizagem do aluno;
     cinco anos da entrada do sujeito no programa, no        a formao e desenvolvimento do autoconceito do                D tempo para os alunos desenvolverem 
suas
     se percebiam mais sinais evidentes de disfuno nas      aluno, ele estar influenciando neste aspecto. Por             idias;
     relaes. No entanto, enquanto os pais e irmos da       esta razo, para que ele possa exercer uma influncia          Oferea oportunidades para que os alunos
     criana identificada como superdotada mostravam,         positiva, alguns princpios poderiam nortear o seu             vivenciem experincias de sucesso;
     inicialmente, sentimentos positivos com relao          comportamento em sala de aula, como por exemplo                Tenha uma expectativa positiva acerca 
do
     a ela, esta, em contrapartida, no percebia neles        (Alencar, 1990, 1993; Martnez, 2001; Raffini,                 desempenho de seus alunos;
     sentimentos positivos com relao ao rtulo, nem         1996):                                                         Encoraje seus alunos no uso de habilidades
     sentia que havia clima no ambiente familiar para se             Elogie o aluno e ressalte suas qualidades               de auto-avaliao;
     discutir aspectos relacionados a isso.                          sempre que possvel;                                    Valorize os esforos e realizaes do 
aluno;
            Grenier (1985) tambm examinou os efeitos                Valorize sempre o aspecto em que o aluno se             Procure entender o ponto de vista do 
aluno;
     da percepo familiar sobre a criana rotulada como             destaca;                                                Combine tarefas com o ritmo de aprendi-
     superdotada em famlias onde apenas uma das                     Procure ouvir o aluno. Aceite suas opinies             zagem do aluno;
     crianas participava de programas especiais. Neste              sem julgamentos ou crticas destrutivas;                Relacione o contedo s experincias 
e
     estudo, o autor observou que as crianas rotuladas              Seja prximo, afetivo e emptico com o                  interesses dos alunos;
     reagiam positivamente  competio no relaciona-                aluno;                                                  Evite focar nas dificuldades do aluno;
     mento com o irmo, pois se sentiam encorajadas                  Aceite acertos, erros ou dificuldades do                Lembre-se de que os alunos diferem entre 
si
     a cooperar e a se comunicar de uma forma que se                 aluno;                                                  em termos de habilidades, estilos, interesses
     revelou benfica para a sua auto-estima. No entanto,            Relacione-se com o aluno como pessoa,                   etc;
     os efeitos da competio tiveram impacto negativo               merecedor de todo seu afeto e ateno;                  Valorize a diversidade em sala de aula;
     nas crianas no-rotuladas, inibindo a cooperao               Evite que o aluno tenha apenas experincias             Encoraje os alunos a apresentarem suas 
idias
     e causando prejuzos a sua auto-estima. O atrito                de fracasso. Crie situaes que possibilitem            e produes em sala de aula;
     mostrou ser maior quando a criana mais velha  a               seu sucesso, mesmo que seja uma brincadeira             Instigue no aluno confiana em suas 
poten-
     rotulada. A percepo do tratamento dos pais pela               ou um jogo;                                             cialidades;
     criana se mostrou altamente relacionada  auto-                Alimente e fortalea sua autoconfiana e                Proteja o trabalho do aluno da crtica
     imagem dos filhos. O autor concluiu que a forma                 auto-respeito;                                          destrutiva e das gozaes dos colegas.
     como os pais se sentiam com relao  criana                   Conscientize-se que uma simples palavra ou              Ao final do captulo so apresentados 
vrios
     identificada como superdotada influencia direta-                comentrio poder ter um efeito devastador       exerccios para o desenvolvimento do autoconceito.
     mente a forma como os irmos se sentem a respeito               na criana, ou marc-la positivamente para o
                                                                                                                                                                 
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Referncias




                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
        Alencar, E. M. L. S. (1990). Como desenvolver               Harter, S. (1998). The development of self-repre-   Pigmalion in the classroom: teacher expectations
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O professor e seu papel na formao do autoconceito.         16-21.                                                     International, 10, 65-70.
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Em N. Colangelo, & G. A. Davis (Orgs.), Handbook             nalidade e educao. Campinas: Papirus.                            Canfield, J. & Wells, H. C. (1976). 
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48
     Exerccios para o Desenvolvimento                            para a criana menor so dadas a seguir:                            juzo de valor (por exemplo, 
saber falar mais uma
     de um Autoconceito Positivo                                         Para o aluno: Vamos brincar com                              lngua). Discutir esses pontos 
em grupo d uma
                                                                  nosso nome?                                                         viso interna de si, ao mesmo 
tempo em que se
     1.   IDENTIDADE                                                     Escreva o seu nome, de forma criativa, utili-                coloca em perspectiva a questo 
da personalidade
             Para o professor: Uma boa forma de comear                  zando cada letra para representar como voc ;               de cada um. Ao compartilhar, 
o aluno percebe
     uma dinmica com um grupo que ainda no se conhece                  Desenhe o seu nome, colocando no desenho                     outras pessoas que so da mesma 
forma, ou que
     ou que se formou recentemente  tornar cada membro                  as coisas que voc mais gosta ou que so mais                possuem caractersticas semelhantes, 
colocando
     do grupo consciente de si mesmo e do seu nome. O                    importantes na sua vida. Explique seu desenho                em contexto o que significa 
"ser diferente".
     nome carrega uma boa parte da nossa identidade e,                   para a turma;                                                Os alunos podem querer saber 
a origem dos seus
     ao brincar com ele, estamos conscientizando o aluno                 Desenhe o seu nome, dando a cada letra o                     nomes. Pea-os para procurarem 
em livros ou na
     dos traos da sua personalidade que esto refletidos                formato de coisas que voc gosta de fazer para               internet. Alguns nomes so 
nicos e originais;
     na forma em que escrevemos nosso nome, o pronun-                    se divertir;                                                 pea a eles para buscarem a 
histria do seu nome
     ciamos e o ouvimos sendo pronunciado. A proposta                    Escreva seu nome ou apelido em letras bem                    em suas famlias. Como eles 
receberam o seu
      descontrair o grupo de forma criativa, utilizando o               grandes e arredondadas. Nos espaos dentro e em              nome? Quem teve a idia de 
dar esse nome a
     nome como motivao.                                                volta de cada letra escreva/desenhe as coisas que as         eles? Escreva a histria do 
seu nome e compar-
             Material necessrio: fichas de papel carto no              pessoas dizem sobre voc ou como voc .                     tilhe com o grupo.
     formato 203x127 mm (ou papel A4 dobrado ao meio),                   Variaes sobre o tema:
     lpis colorido, hidrocor ou giz de cera.                            Tcnica do PNI: Pea aos alunos para fazerem,          2.   APELIDOS
             Instrues: "Cada um de ns vamos nos                       na parte de trs dos cartes que receberam para              Voc tem ou j teve algum apelido? 
Liste-os aqui:
     apresentar para o grupo de uma forma bem criativa.                  desenhar o seu nome, trs colunas, onde vo                  Voc conhece a histria por 
trs deste apelido?
     Vamos desenhar o nosso nome (ou apelido, o que                      listar, respectivamente, seus aspectos Positivos,            Como voc se sente ou sentia 
com estes apelidos?
     preferir), colocando nele nossos traos de persona-                 Neutros e Interessantes sobre si mesmo.                Compartilhe com seus colegas.
     lidade, nossas caractersticas e maneira de ser".                   Aspectos positivos so os traos que eles                    Quais so os nomes que o fazem 
sentir-se bem
             Para evitar constrangimentos iniciais, o professor          percebem possuir, em termos de personalidade,          com voc mesmo? ...
     participa tambm da atividade, atuando como modelo                  que so fortalecedores da sua opinio sobre eles       Discusso:
     e compartilhando aspectos da sua forma de ser. O                    mesmos. Os pontos Neutros podem ser positivos                 Quais os que fazem se sentir 
diminudo e com
     professor deve encorajar os alunos a falarem um pouco               ou negativos, dependendo do ponto de vista             pouca autoconfiana?
     de si, mostrando seu desenho para a turma e comparti-               (por exemplo, teimoso pode ser uma descrio                  Voc j teve ou tem algum 
apelido do qual voc
     lhando os aspectos de personalidade que ressaltou. Para             negativa, mas visto de uma forma positiva pode         no gostava?
     alunos maiores, o professor pode dar essas instrues de            representar persistncia); alm disso,  melhor               Faa um desenho dos sentimentos 
que este
     forma bem aberta, sem sugerir um formato pronto; com                no acentuar pontos negativos, pois alguns             apelido lhe despertava.
     isso, a criatividade do aluno ser mais estimulada. Para            alunos podem ter a tendncia de se ver pela                   Agora troque-o por algum outro 
apelido que
     alunos mais novos, instrues mais especficas podem                tica negativista, dando pouca chance de se            favorea suas competncias e habilidades.
     ser dadas, diversificando a atividade e mostrando as                perceber de forma mais neutra. Interessante so               Como voc gostaria de ser 
chamado?
     diferentes formas de execut-la. Algumas sugestes                  os aspectos da pessoa que no carregam nenhum                 Desenhe seu novo apelido em 
letras bem grandes
                                                                                                                                                                 
49
3.   EU, EU MESMO E MINHA FOTO                                4.   QUANDO EU ERA CRIANINHA...
        Para o professor: Pea a cada aluno para trazer              Para o professor: Outra forma de se conhecer




                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
uma foto atual para a sala de aula. Coloque os alunos em      bem a criana ou jovem,  atravs da investigao da
crculo. Distribua a cada um uma folha de papel almao        sua infncia. Se a criana ainda  pequena, pode-se                              Carla
(dupla).                                                      acentuar suas lembranas de "quando eu era menor,
        Pea aos alunos para colar ou fixar com um clips      ou criancinha". O professor pode estimul-los a
sua foto na pgina de rosto do papel almao e escrever        trazer retratos de criana, ou brinquedos, revistas e
seu nome em letras bem destacadas. Pea para no escre-       outros objetos da sua infncia. As atividades devem          Ana Maria:
verem nada no verso da primeira folha. Na segunda folha       ser sempre seguidas de discusso, para que se forme     Querida Carla, adoro o seu sorriso!
do papel almao, pea a eles para listarem 5 atividades       a conscincia do si mesmo em funo da pessoa que            Jorge:
que mais gostam de fazer, deixando um espao entre            fomos no passado, nossas preferncias e nossa forma     Carla, voc  uma tima parceira de xadrez!
cada uma (por exemplo, pulando dez linhas entre uma           de perceber o mundo.
atividade e outra). Quando todos tiverem terminado,                  Para o aluno: Vamos lembrar de quando                 Greisy:
repassem a folha para o colega da direita, que vai escrever   ramos criancinhas?                                     Acho voc muito simptica e legal!
alguma coisa positiva para o colega; conte trs minutos              Qual era o seu brinquedo preferido quando             Joo:
e pea para repassarem novamente, repetindo o proce-                 voc era menor? Descreva-o em detalhes.           timo ser seu amigo!
dimento com o novo colega; e continuam a repassar,                   Faa um desenho para compartilhar com
sempre ao seu sinal, at que a pessoa volte a receber sua            os outros. Qual  o seu brinquedo favorito
prpria ficha, agora acrescida de recadinhos dos seus                agora?
colegas (se precisar usem o verso da folha ou acrescente             Quais eram seus jogos preferidos (dentro e                       Carla
novas folhas)1.                                                      fora de casa)? Quais as lembranas que essas
        Para o aluno: Escreva um recadinho legal para                brincadeiras lhe trazem?                         Atividades que eu gosto:
seu colega na folha que voc acabou de receber (onde                 Como os seus pais descreviam voc enquanto       (Aqui meus colegas que gostam da
tem o retrato dele/dela). Se no houver nada de legal                criana? O que voc lembra a respeito do que     mesma atividade se identificam)
para escrever para ele/ela, passe adiante (nunca escreva             eles diziam sobre voc? O que eles dizem de
nada para criticar ou rebaixar o outro). Agora leia, na              voc agora?
                                                                                                                           Ler:
outra pgina, as atividades que ele/ela gosta de fazer.              Qual era o seu apelido enquanto criana?
                                                                                                                      Ana Maria, Jorge, Greisy
Se voc gosta das mesmas coisas, escreva seu nome                    Como voc se sentia em relao a ele quando           Danar:
na frente dessa atividade (assim ele saber que vocs                era menor? E agora?                              Ana Maria, Greisy
compartilham do mesmo interesse). Se voc no gosta                  Relate um dia tpico de sua infncia;
de nada, deixe em branco.                                            Relate um aniversrio ou natal marcante de            Jogar Xadrez:
                                                                     sua infncia. O que aconteceu de especial        Jorge, Greisy, Joo
        1 A autora do presente captulo agradece aos alunos          para voc? Como voc se sentiu?
Greisy Gonzles Vzquez, Ana Maria Freitas Monteiro e                                                                      Desenhar:
Jorge Luiz Venncio Medeiros pelas sugestes dadas a esta            Voc j teve algum animalzinho de estimao?
                                                                                                                      Joo, Jorge, Ana Maria
atividade.                                                           O que voc lembra dele e de como vocs
50
          interagiam quando era criana? Quais os senti-    fsico, o seu visual, reforando uma auto-imagem                   mentos que mais se repetem. Compartilhar 
tais
          mentos que este animalzinho despertava em         fsica positiva.                                                   sentimentos em um clima de aceitao, 
obser-
          voc? Faa um desenho ou traga um retrato dele            Material uma lmpada forte (abajur) ou um                  vando tambm quais so as preocupaes 
dos
          para mostrar para a turma;                                retroprojetor; giz de cera; folhas de papel de             colegas, podem ajud-los a sentirem 
menos
          Fale de alguma pessoa que foi muito importante            embrulho; revista e tesoura; pedaos menores de            "diferentes", "esquisitos" ou "fora 
de sintonia",
          no seu perodo de infncia. O que voc lembra             papel, cola ou durex, ou "post-it";                        favorecendo a auto-aceitao e o contato 
social.
          sobre o seu relacionamento com ela?                       Instrues:
          Para o aluno: Lembranas da escola                   (1) Coloque a criana em p, de perfil para a parede,     6.   MUNDO SOCIAL
          Voc se lembra das escolas pelas quais voc j            onde est afixado uma grande folha de papel.                Para o professor: Podemos entender 
melhor a
          passou? O que havia de especial em cada uma               Faa incidir uma luz forte sobre ela (abajur ou      criana ou jovem situando-o enquanto pessoa 
no seu
          delas?                                                    retroprojetor), de forma a ressaltar a sombra        mundo familiar e social, levando-o a falar 
livremente
          Voc se lembra da sua primeira professora?                de seu perfil. Com o giz de cera, o professor ou     sobre o local onde mora, o contexto social 
e cultural
          Como ela era? Como era a sua relao com ela?             um colega traa o perfil do outro. Variao: A       que o cerca, e os sentimentos relacionados 
a isso. Pea
          Escreva uma frase sobre ela usando a mo no              criana deita sobre uma grande folha de papel e      ao aluno para completar:
          dominante;                                                o colega desenha o contorno de seu corpo;                   Uma coisa muito boa a meu respeito 
 que eu
          Pare e pense em uma escola que tenha sido            (2) Recorte o contorno ou o perfil e pea a criana              sou ...
          muito especial para voc em algum momento                 para utilizar o espao de dentro para fazer uma             Uma coisa muito legal sobre minha 
famlia 
          da sua vida. Faa um desenho da escola ou de              colagem de si mesmo. Pode-se usar gravuras de               que ...
          alguma parte dela que voc se lembra. Escreva             revistas para representar as coisas que ela gosta,          Uma coisa muito boa sobre meus amigos 
 que
          um pargrafo sobre como voc se sentia nesta              realiza, sonha ou deseja;                                   ...
          escola.                                              (3) As colagens so afixadas na parede, ao alcance               Uma coisa muito interessante sobre 
minha
          Complete:                                                 das crianas. Distribua "post-it" ou pedaos de             vizinhana  que ...
          Na escola eu gostava muito de ...........                 papel colorido para os alunos. Estimule-os a                Uma tima coisa sobre minha cidade
          Meus amigos especiais eram ..............                 escreverem bilhetinhos ou recadinhos para os                 que ...
          Eu no gostava de .............................           colegas, escrevendo coisas positivas sobre eles;            Uma coisa interessante sobre o Estado 
em que
          Mas eu achava timo .........................             Variao (a): Fazer a mesma atividade                       eu nasci (ou vivo agora)  ...
          Um fato especialmente importante foi ...                  sobre o desenho da mo ou do p                             Uma coisa excelente sobre meu pas
          Minha melhor professora foi .............                 (ou ambos);                                                  que ...
          Um dia especial na escola foi .............               Variao (b): Fazer a atividade do contorno ou              Uma coisa tima sobre o mundo  que...
          Um dia muito ruim na escola foi .......                   perfil. Distribua revistas e tesouras aos alunos.           Se eu fosse um inventor/a, eu inventaria, 
para
          Mas eu contornei o problema assim: ...                    Estimule os alunos a pensarem nas coisas que                mudar o meu/ a minha (famlia, cidade, 
pas, o
                                                                    os tm preocupado ultimamente e que esto                   mundo) ...
     5.   SILHUETA                                                  sempre voltando ao pensamento. Pea a eles                  Desenhe aqui a sua inveno ou faa 
uma
          Para o professor: Essa atividade consiste                 para recortarem gravuras, palavras ou frases que            colagem para explic-la melhor: ...
     em deixar a criana ou jovem brincar com o seu                 representam tais preocupaes ou os pensa-
                                                                                                                                                                 
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7.   SE EU FOSSE MEUS PAIS, EU...                                   entendam o objetivo da atividade, a fim de que     10.   PLANOS
       Continuaria ...           No Continuaria ...                passem apenas uma viso para positiva do outro;          Se voc pudesse ser muito talentoso 
em alguma




                                                                                                                                                                 
Captulo 2: Desenvolvimento do Autoconceito
         Deixaria ...              No Deixaria ...                 se no tiverem nada para elogiar, devem passar           coisa que voc no  talentoso agora, 
o que seria?
        Esqueceria ...            No Esqueceria ...                adiante.                                                 Por qu?
           Faria ...                No Faria ...                                                                            Se voc pudesse ensinar alguma coisa 
para
        Inventaria ...            No Inventaria ...        9.    MOMENTOS FELIZES                                           os outros (um passatempo, um jogo, uma
        Lembraria ...             No Lembraria ...                Para o aluno: Pense nos momentos felizes da               habilidade, um instrumento musical...) 
o que
         Mudaria ...               No Mudaria ...          sua vida. Focalize seu pensamento nas sensaes boas             seria?
        Perdoaria ...             No Perdoaria ...         que estes momentos lhe trouxeram. Escolha um desses              Se voc pudesse aprender alguma coisa 
de algum
         Proibiria ...             No Proibiria ...        momentos para compartilhar com um amigo:                         colega, o que aprenderia? Quem seria 
o colega a
         Retiraria ...             No Retiraria ...               Um dos momentos mais felizes da minha vida                lhe ensinar?
         Trocaria ...              No Trocaria ...                foi quando ...                                            Se voc pudesse quebrar qualquer recorde 
no
                                                                   O que mais me fez feliz com relao a este                mundo, qual seria? Por qu?
8.   AMIGOS                                                        momento foi ...                                           Se voc pudesse ser qualquer pessoa 
no mundo,
       Para o professor: O principal objetivo desta                Quando me recordo de tudo isso, me sinto ...              quem voc seria? Por qu?
atividade  acentuar a amizade entre colegas, refor-               Faa um desenho ou uma colagem que repre-                 Se voc pudesse viver em qualquer lugar 
do
ando o contato social e a viso positiva do outro.                sente esta felicidade.                                    mundo, onde viveria? Por qu?
       Nesta atividade, as crianas vo desenhar uma               Futuro feliz: Pense em voc daqui h muitos               Se voc pudesse escolher o tipo de vida 
que teria
       flor estilo margarida, bem grande, em cartolina,            anos.                                                     agora, o que seria? Por qu?
       acentuando bem o espao interno (ou miolo) e as             Daqui a 10 anos, o que voc j gostaria de ter            Se voc pudesse mudar algum aconte-
       ptalas. Encoraje os alunos a trazerem para a sala          realizado?                                                cimento da sua vida, o que mudaria?
       um retratinho 3x4 ou uma foto em que possam                 O que voc gostaria de j ter feito aos 30 anos?          Por qu?
       recortar apenas o rosto (se no quiser recortar a           Desenhe como voc imagina que ser sua vida aos
       foto, faa um orifcio circular em torno de onde            50 anos. Quais sero suas preocupaes? Quem        11.   EU TENHO ORGULHO DE...
       ser o miolo da flor). Cada aluno recorta sua               estar a seu lado? O que voc j ter obtido? Que           Para o professor: Coloque os alunos 
em
       flor, colorindo-a da forma que preferir, colando            tipo de pessoa voc seria nesta idade?              crculos. Cada um, em sua vez, fala uma frase 
sobre si,
       o retratinho no centro ou miolo.                                                                                comeando com "eu tenho orgulho de...". Pode-se 
fazer
       As flores sero agora compartilhadas, repas-              Daqui a 10                                            vrias rodadas, enquanto a turma estiver motivada. 
O
       sando-as aleatoriamente pela sala. O aluno                                Aos 30 anos       Aos 50 anos         aluno que no quiser compartilhar deve dizer 
"passo".
                                                                   anos
       que receber a flor deve escrever um elogio ou                                                                           Para o aluno: Pense um pouco nas boas 
coisas
       recadinho para o colega e repass-la para outro                                                                 que voc j fez ou conquistou em sua vida. 
Sentimos
       colega quando tiver terminado. A flor volta ao                                                                  bem conosco quando fazemos boas coisas para 
os
       dono, ao final, quando todas as ptalas estiverem                                                               outros ou conquistamos coisas atravs de nossos
       preenchidas.                                                                                                    prprios esforos. Vamos expressar esses sentimentos
       O professor deve fazer com que os alunos                                                                        livremente, falando bem de ns mesmos e das 
coisas
52
     que nos orgulham. A lista abaixo  um guia para ajud-           Quando estou muito alegre eu ...                             Faa ao final uma dinmica em 
sala para motivar
     lo a pensar nas boas coisas que voc j fez e das quais          Quando tenho cimes eu ...                                   seus alunos a compartilhar seu 
jornal com os
     se sente orgulhoso. Comece cada frase com: "Eu tenho             Quando estou muito triste eu ...                             outros2.
     orgulho de..."                                                   Quando estou magoado eu ...                                  Para o aluno: Vamos criar um jornalzinho 
que
            Eu tenho orgulho de...                                                                                         seja s sobre voc? Pense em um nome diferente 
para
            coisas que voc j fez para os seus pais ou em     13.   JORNAL "EU MESMO"                                     seu jornal e trabalhe cada seo com os 
assuntos do
            casa;                                                      Para o professor: Distribua aos alunos papis       seu interesse. Enfeite suas sees com 
fotos, gravuras,
            coisas que voc j fez para os seus amigos ou      grandes, do tipo pardo, dobrado ao meio, como em um         desenhos, propagandas, quadrinhos e tudo 
o mais que
            para o bem de outra pessoa;                        jornal. Estimule os alunos a criarem o prprio jornal,      lhe desperte o interesse.
            coisas que voc j fez na escola                   dizendo a eles que as matrias e sees contero dados              Pesquise nos jornais de sua cidade 
quais so as
            coisas que voc j fez para a sua cidade/pas;     particulares de cada um, suas preferncias, seus passa-             sees mais comuns e use-as como 
idias para
            coisas que voc fez para voc mesma e o deixou     tempos prediletos e todas as notcias que quiserem dar              suas sees. As sees abaixo 
so sugestes, que
            particularmente feliz;                             sobre si mesmo, sua famlia, sua escola etc. Os leitores            voc pode modificar se desejar.
            coisas que voc conquistou com seu prprio         sero os colegas de classe, a famlia e amigos com quem             Primeira pgina  manchete: o 
seu nascimento.
            esforo.                                           a criana queira compartilhar seu jornal.                           Veja o exemplo a seguir:
                                                                       Crianas menores podem fazer seu prprio                    Entrevista exclusiva: Entreviste 
algum da
     12.   AVALIAO DE SI MESMO                                       jornal,trazendo informaes para que o professor            sua famlia sobre o seu nascimento. 
Pergunte o
           Hoje eu me sinto muito ...                                  as ajude a mont-lo. Crianas maiores podem                 que aconteceu na gravidez da sua 
me, como se
           Eu gosto ...                                                incluir quantas pginas e assuntos desejarem,              deu o nascimento, o que seus pais 
e sua famlia
           Fico infeliz quando ...                                     medida que se motivam para a tarefa proposta;               sentiram com o seu nascimento; 
invente questes
           Sinto-me bem quando ...                                     Incentive as crianas a trazerem fotos para o               para cada membro da famlia responder.
           Eu gostaria que minha professora ...                        jornal ou, quando possvel, a usarem suas habili-           Notciasdomundonodiadomeunascimento:
           Meus colegas pensam que eu ...                              dades de fotgrafos ou a fazerem uso de suas                Procure saber o que acontecia 
no mundo no
           A escola  ...                                              habilidades de desenho, criando personagens,                dia, no ms ou no ano do seu nascimento. 
Faa
           Gosto de ler sobre ...                                      caricaturas, quadrinhos, charges e ilustraes              pequenas colunas mostrando o que 
de mais
           Eu gostaria que os adultos fossem ...                       para as diferentes sees;                                  interessante ocorria na poltica, 
na economia, na
           Eu gostaria que os adultos no fossem ...                   Estimule os alunos a procurarem o que acontecia             cincia, no dia-a-dia da sua cidade 
e, quem sabe,
           Eu gosto mais de mim quando ...                             no mundo no dia ou no ms do seu aniversrio.               at como estava o tempo no dia 
em que voc
           Se eu tivesse escolha, eu...                                Uma boa pesquisa em jornais, revistas semanais              nasceu. Ilustre com seus desenhos, 
gravuras,
           Na escola eu sou ...                                        de informao e na Internet podem ajud-los a               fotos e colagens.
           Eu desejo ...                                               criar uma ambientao para o seu nascimento;
           Amanh, eu gostaria de ...                                  Ajude-os a focalizar o jornal nos aspectos
                                                                                                                                  2 A autora do presente captulo 
agradece aos alunos
           Quando eu quero chamar a ateno, eu ...                    positivos de suas personalidades, valorizando       Luana Ramalho dos Santos, Tatiana Alice 
Sampaio Duarte,
           Quando eu no consigo o que quero eu ...                    suas habilidades e talentos, brincando com suas     Carolina Rodrigues Catunda, Fernando Henrique 
Rezende
                                                                                                                           de Aguiar, Fernando Esteter Colao e Guilhermo 
Salvador
           Quando eu me sinto sozinho eu ...                           prprias idias, desejos e forma de ser;            Caldern Leiva pelas sugestes dadas a 
esta atividade.
                                                                                                                                                       53
                                              Nas pginas seguintes voc pode fazer colunas de    coisa do seu interesse?
 NASCE UMA NOVA ESTRELA                       acordo com os acontecimentos da sua vida, em        Seo Esportes: Nesta seo voc pode falar




                                                                                                                                                       Captulo 2: 
Desenvolvimento do Autoconceito
                                              ordem cronolgica, se desejar. Procure relacionar   dos esportes que voc gosta de participar ou de
                                              as sees de um jornal com a sua prpria vida,      assistir, daquilo que mais o emociona nos jogos
No dia __ / __ / ____ nasceu, na cidade de    suas emoes e sentimentos, suas preferncias e     e esportes, ou de uma importante conquista sua
________ , cheio de amor e alegria, ______    forma de ser. Eis alguns exemplos:                  em alguma modalidade. Voc pode tambm
______________ , EU.                          Seo Entrevista: voc  o entrevistado da          convidar seus leitores a comparecer em alguma
                                              semana! Invente perguntas interessantes sobre       competio/ jogo do seu interesse.
                                              voc, sua vida, suas preferncias, as coisas que    Seo Lazer: O que voc mais gosta de fazer em
(Fale aqui do nascimento do beb, seu peso,   voc gosta etc., e as responda de forma mais        seu tempo vago? Quais so seus interesses? Voc
altura, condies da mame aps o parto e     honesta possvel, ou ento pea a um colega para    gosta de cinema, de ler, de jogar videogame? Use
tudo mais que fizeram deste dia o MELHOR      formular perguntas para voc responder. Ilustre     essa seo para falar de tudo aquilo que voc j
dia do ano!)                                  com uma foto sua atual.                             faz ou gostaria de fazer em seus momentos de
                                              Seo Tempo Real: ltimas notcias:                 lazer. Cole fotos ou gravuras mostrando seus
                                              Nesta seo, d as notcias mais recentes           passatempos preferidos. Recomende ao leitor
   NOTCIAS DO MUNDO NO DIA DO MEU            sobre voc: uma conquista na escola,                filmes, livros, jogos que voc mais gosta.
             NASCIMENTO:                      uma novidade na sua famlia, alguma coisa que       Seo Social: Aqui  o espao ideal para voc
                                              voc conquistou recentemente, algo que voc         falar de sua famlia, seus amigos, seus vizinhos,
                                              descobriu e ficou entusiasmado etc.                 todos em sua vida que so importantes para
                                              Seo Cidade: Aqui voc pode focalizar as           voc. Qual  a fofoca do dia? O que acontece no
                                              notcias do que voc fez, ou participou em sua      seu mundo social que voc gostaria de compar-
                                              cidade; os locais que voc gosta de ir ou acha      tilhar?
                                              importante em sua cidade e recomenda aos            Seo Viagens: Use esse espao para falar de
                                              outros. Coloque uma gravura que mostre como         alguma viagem que voc tenha feito, ou que
                                              este local  e o que voc mais gosta de fazer l.   gostaria de fazer. Fale do local, das acomodaes,
 COLE AQUI UM RETRATINHO SEU DE QUAN-         Seo Poltica: Lance sua candidatura para          dos passeios, das pessoas e de tudo que voc fez
   DO ERA BEB E ESCREVA SEU NOME EM          algum cargo na poltica: vereador, senador,         ou gostaria de fazer para se divertir.
           LETRAS BEM GRANDES:                deputado, presidente... Faa a sua plataforma       Seo Classificados: Os classificados  uma
                                              poltica. O que voc far pelo povo, pela sua       tima ocasio para voc vender alguma coisa da
                                              cidade, por seu pas, se for eleito?                sua personalidade que voc quer se livrar (que
                                              Seo Economia: Imagine que voc  dono do          tal vender a preguia ou a crtica destrutiva?). O
                                              seu prprio dinheiro, mas ter que prestar contas   que voc gostaria de comprar, alugar ou fazer
                                              dele para a comunidade. Com o dlar em baixa/       uma troca? Faa uma propaganda bem legal
                                              alta, o que voc planeja realizar? Como voc        para convencer os leitores das suas necessidades
                                              gastar ou economizar para realizar alguma         enquanto pessoa.
                         Captulo 3




      Modelo de
Enriquecimento Escolar


                       Jane Farias Chagas

              Renata Rodrigues Maia-Pinto

               Vera Lcia Palmeira Pereira
56
                                                                                                                                                                 
57


      O             "Modelo de Enriquecimento
                    Escolar" foi proposto pelo
                                                                 ao ensino de valores ticos, que promovam
                                                                 o respeito  diversidade cultural, tnica ou
                                                                                                                      (4)     Formao da equipe de professores para
                                                                                                                              executar o planejamento estabelecido 
pela




                                                                                                                                                                 
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
                    educador norte-americano Joseph              de gnero, o respeito mtuo e os princpios                  comunidade escolar, como organizao 
de
Renzulli com o objetivo de tornar a escola um lugar              democrticos;                                                cronograma de atividades - semanal, 
mensal
onde os talentos fossem identificados e desenvolvidos.           Implementar uma cultura colaborativa na                      e anual - divulgao das atividades 
plane-
Este modelo  bastante democrtico e pode ser imple-             escola, de maneira que direo, corpo docente                jadas, agendamento de encontros para 
estudo
mentado sem requerer muitas mudanas na estrutura                e discente, outros membros da equipe escolar,                e discusso em grupos de professores, 
pais e
escolar. Para Renzulli,  papel de toda a comunidade             famlia e comunidade possam contribuir para                  alunos e avaliao do processo de implemen-
escolar o provimento, a todos os alunos, de oportuni-            a promoo de oportunidades e tomada de                      tao;
dades, recursos e encorajamento para uma produo                deciso sobre as atividades escolares, formando,      (5) Formao de banco de dados de monitores
autnoma, criativa e relevante tanto para o individuo            assim, uma ampla rede de apoio social no                     interessados em orientar projetos dos 
alunos.
quanto para a sociedade. Ele defende, em consonncia             desenvolvimento dos talentos;                              Vale ressaltar que a proposta explicitada 
no
com outros educadores, que  emergencial, para todas             Criar oportunidades e servios que no so         "Modelo de Enriquecimento Escolar"  bastante
as naes, independente do contexto social, um maior             comumente desenvolvidos a partir do currculo      flexvel, o que viabiliza a sua adaptao a qualquer
investimento na identificao e no atendimento de                regular da escola.                                 realidade escolar e sua aplicao em qualquer
pessoas que demonstrem habilidades superiores, a                 Para a implementao do "Modelo de                 srie ou modalidade de ensino, independente do
fim de que o potencial humano no seja desperdiado       Enriquecimento Escolar", em nvel institucional,          contexto social.  possvel que cada escola encontre
(Renzulli & Reis, 1997).                                  alguns passos devem ser seguidos, no sentido de buscar    a sua maneira de aplicar os pressupostos do modelo,
       O "Modelo de Enriquecimento Escolar"               a adeso da maioria dos atores escolares e de facilitar   acoplando-os ao que j vem sendo realizado por 
sua
valoriza a prtica docente e as propostas pedaggicas     possveis modificaes da estrutura escolar, em termos    equipe, adotando-os e inserindo-os no planejamento
em andamento na escola, integrando e expandindo os        de grade horria, projeto poltico pedaggico, entre      pedaggico da escola, ou ainda, reformulando 
as suas
servios educacionais, no sentido de:                     outros. So eles:                                         estratgias, no sentido de se ajustarem  realidade
       Desenvolver o talento potencial dos alunos de         (1) Construo de consenso entre a equipe de           de seus alunos e professores. Enfim, no se trata 
de
       forma sistemtica;                                          direo e os professores no desenvolvimento      um pacote instrucional pronto e fechado, mas 
sim
       Oferecer um currculo diferenciado, no qual                 do modelo. Este  um passo importante para       um plano de organizao a ser adaptado conforme
       os interesses, estilos de aprendizagem e habili-            a garantia de suporte e apoio necessrios        as necessidades do professor e do aluno e as 
carac-
       dades sejam prioritariamente considerados;                  durante todo o processo;                         tersticas do ambiente escolar. O importante 
 que
       Estimular um desempenho acadmico de                  (2) Envolvimento de toda a comunidade escolar          toda a iniciativa nessa direo seja encorajada, 
todos
       excelncia por meio de atividades enriquece-                na discusso e no planejamento de atividades     os recursos humanos e materiais sejam passveis 
de
       doras e significativas;                                     que envolvam a implementao do modelo e         captao e todo potencial criativo seja utilizado 
na
       Promover o crescimento auto-orientado,                      sua posterior insero na proposta pedaggica    busca de solues de problemas que surgirem ao 
longo
       contnuo e reflexivo por meio de atividades                 da escola;                                       do processo de implementao do modelo.
       que estimulem a liderana e o pensamento              (3) Estabelecimento de metas, prioridades e                    Entre as estratgias de enriquecimento
       criativo;                                                   objetivos a serem alcanados com a imple-        propostas neste modelo, salientam-se: o portfolio 
do
       Criar um ambiente de aprendizagem propcio                  mentao do modelo;                              talento total e o modelo tridico de enriquecimento.
58
     Portfolio do Talento Total                                   tpicos podem ser explorados individualmente ou em
                                                                  pequenos grupos.
             O portfolio do talento total foi desenvolvido               Como benefcios do portfolio, podemos
     para identificar e maximizar o potencial de cada             apontar:
     aluno. Trata-se de um processo sistemtico por                      Destaca os pontos fortes do aluno;
     meio do qual inventrios de interesse, estilo de                    Apresenta evidncia fsica dos talentos e
     aprendizagem e de expresso e produtos elaborados                   habilidades do aluno;
     pelo aluno so coletados, ajudando tanto aluno                       um veculo de comunicao entre escola e
     quanto professor, a tomar decises a respeito de seu                famlia;
     trabalho. O portfolio tem como metas:                               Permite que professores, pais e alunos
        (1) Coletar e registrar informaes sobre                        reflitam regularmente acerca das informaes
               habilidades, pontos fortes, caractersticas,              coletadas, de novas habilidades desenvolvidas
               atividades escolares ou extra-escolares reali-            e interesses despertados;
               zadas pelo aluno;                                         Permite a atualizao peridica dos dados
        (2) Organizar dados do aluno referentes ao                       apresentados;
               estilo de aprendizagem, preferncias por                  Possibilita a utilizao das informaes
               reas do conhecimento, habilidades sociais                contidas no portfolio para o autoconhecimento
               e pessoais, interesses, necessidades espec-              do aluno ou seu aconselhamento educacional,
               ficas e desafios pessoais a serem superados;              pessoal e social;                                maneiras de nutrir de forma criativa tais 
interesses.
        (3) Fornecer subsdios para a elaborao de                      Serve de guia para o desenvolvimento das         Cabe, ento, ao professor auxiliar os alunos 
na
               planejamentos educacionais e o estabeleci-                aes a serem encorajadas em sala de aula;       identificao de seus interesses e apresentar-lhes
               mento de condies ambientais favorveis                  Possibilita a reunio de alunos com os mesmos    uma diversidade de temas ou promover atividades
               ao desenvolvimento da aprendizagem do                     interesses.                                      diferenciadas, bem como identificar o quanto
               aluno;                                                    Exemplos de itens que podem ser includos no     desejam prosseguir com esse interesse. 
O fato
        (4) Destacar estilos de expresso e de pensa-             portfolio so: fotografias de invenes, produtos ou    de alunos gostarem de msica ou literatura 
no
               mento dos alunos.                                  projetos, fotocpias de prmios recebidos ou repor-     quer dizer que se tornaro msicos ou escritores.
             O foco do portfolio  ampliar a capacidade           tagens sobre trabalhos do aluno, cpia de msica,       No entanto, esse interesse inicial pode 
servir de
     da escola de ajudar o aluno a se tornar competente e         redao, livros, receitas, desenhos e programas de      chamariz para a apresentao de uma atividade 
de
     autodirecionado, bem como incrementar o seu desem-           computador elaborados pelo aluno, jornal preparado      explorao que vai enriquecer a vida e 
o conheci-
     penho acadmico. Renzulli (2001) prope que o                pelo aluno, videotape de performances do aluno          mento dos alunos.
     portfolio seja feito de forma colaborativa na qual alunos,   (peas de teatro, concerto, por exemplo) etc.                  Outras informaes que devem constar 
do
     familiares e professores participem. O professor, de                Com relao s informaes sobre os              portfolio de um aluno so estilos de expresso 
e de
     posse das informaes contidas no portfolio do aluno,        interesses do aluno, o professor deve reconhecer no    aprendizagem. O professor deve pesar se 
o aluno
     pode gui-lo delimitando algumas reas de estudo ou          apenas interesses incomuns, de seu aluno, por uma       gostaria de apresentar um trabalho em forma 
de
     enfocando um tema especfico. Algumas atividades ou          rea especfica, como ajud-lo a explorar as diversas   um projeto de arte, um ensaio jornalstico, 
uma
                                                                                                                                                                 
59
dramatizao, entre outros. O conhecimento sobre         facilidade e prazer quando so ensinados de acordo        Figura 1: Modelo Tridico de Enriquecimento
os estilos de expresso do aluno pode ajudar o           com seus estilos de aprendizagem preferidos. Assim,




                                                                                                                                                                 
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
professor a expandir suas propostas relacionadas aos     bons resultados so obtidos quando as estratgias de
tipos de arranjos instrucionais e opes de apren-       ensino do professor so adequadas s preferncias
dizagem para grupos pequenos ou grandes, legiti-         de aprendizagem do aluno.
mando as vrias formas de expresso que os alunos               Para que o professor possa oferecer um
venham a apresentar. Alguns estilos de expresso so     arranjo de sala de aula que atenda s necessidades
mais participativos e orientados para a liderana. Por   de trabalho dos alunos,  necessrio que ele conhea
exemplo, gerenciar atividades como um clube ou um        tambm as preferncias discentes relacionadas ao
negcio, ser lder de uma equipe, desenvolver um         ambiente de aprendizagem. O professor deve inves-
projeto nico, ou participar de um projeto comuni-       tigar se seus alunos preferem trabalhar sozinhos, em
trio devem ser explorados como alternativas s          pares, em equipe ou com adultos. As preferncias
tradicionais formas escritas e orais que caracterizam    em relao ao ambiente podem variar de acordo
as atividades formais de aprendizagem. O conhe-          com a matria ou tema que est sendo trabalhado
cimento sobre as formas de expresso dos alunos          e as relaes sociais que se estabelecem nos grupos.      Fonte: Renzulli e Reis (1997, p.14)
pode ser uma valiosa ferramenta para se organizar        Devem, ainda, ser observadas as caractersticas fsicas
um trabalho em equipe. Renzulli (1997) salienta          do ambiente tais como luminosidade, som, dispo-           introdutrias destinadas a colocar o aluno em
que  importante que sejam explorados, em sala de        sio dos mveis, turno de trabalho etc. Espera-          contato com uma ampla variedade de tpicos
aula, vrios tipos de expresso em diversas reas.       se que os alunos possam produzir mais quando              ou reas de conhecimento, que geralmente no
Por exemplo, uma criana, com ou sem habili-             estiverem melhor acomodados. Ao final do captulo         so contempladas no currculo regular. Todos os
dades musicais, que est interessada em rock, pode       so apresentados exemplos de instrumentos para            alunos podem se envolver nesse tipo de atividade.
explorar esse interesse representando o papel de um      coletar informaes acerca dos interesses, estilos de     A atividade do tipo I deve ser planejada, sempre,
DJ de rdio ou um produtor de concertos de rock.         aprendizagem e expresso dos alunos, com base nos         a partir do interesse dos alunos, ainda que
Outra criana interessada em mistrios pode querer       trabalhos de Oudheusden (1989), Renzullie Reis            seja de um nico aluno, com a finalidade de
cont-los oralmente ou expor seus conhecimentos          (1997), Starko e Schack (1992), Tomlinson (1999)          fomentar a curiosidade, responder a questio-
de forma escrita, em contos, ou no jornal da escola      e Virgolim, Fleith e Neves-Pereira (2006).                namentos, aprofundar uma discusso etc. As
ou, ainda, na rdio escolar, talvez at no nibus,                                                                 atividades devem ser estimulantes e dinmicas
durante o percurso escolar.                              Modelo Tridico de Enriquecimento                         e podem envolver: o contato com profissionais 
e
       Outro aspecto importante a ser consi-                                                                       especialistas por meio de palestras, painis, 
troca
derado  o estilo de aprendizagem do aluno. Nesta                O modelo tridico de enriquecimento sugere        de experincias e oficinas; visitas a instituies,
perspectiva, deve-se considerar como o aluno             a implementao de atividades de enriquecimento           feiras, bibliotecas, museus e eventos culturais;
gostaria de explorar uma determinada atividade,          de trs tipos: atividades do tipo I, atividades do tipo   acesso  literatura; viagens; simulaes; filmes;
assim como classificar suas preferncias relacio-        II e atividades do tipo III (veja Figura 1).              internet.
nadas  aprendizagem, certos tpicos ou reas de                 As atividades de enriquecimento do tipo                  As atividades de enriquecimento do tipo 
I
estudo. Para o autor, os alunos aprendem com mais        I so experincias e atividades exploratrias ou          devem ser fascinantes e atraentes! Devem abarcar
60
     tpicos e metodologias pouco utilizados na escola.          Apresentao de filmes variados, desde                    especializados, universidades, hospitais.
     Elas devem ser alvos de propaganda e divulgao.            os cientficos e tcnicos aos de longas-                  Excurses a parques, cidades histricas 
etc;
     A escola pode elaborar um calendrio contendo               metragens seguidos de questes inquiri-                   Uso de tecnologias computacionais: softwares
     as atividades exploratrias que sero realizadas            doras e de esclarecimentos;                               educativos, enciclopdias digitais e jogos
     ao longo do semestre ou ano letivo. Esse cartaz             Discusso de temas de noticirios do dia                  pedaggicos e simuladores;
     deve ficar exposto em local estratgico e os alunos         atravs de vrias abordagens: criao de                  Minicursos desenvolvidos em perodos
     podero fazer sua inscrio nas atividades, a partir        painis de confronto, pasta de opinies,                  definidos de tempo (dois ou trs encontros),
     do seu interesse e disponibilidade.                         termmetro dos argumentos e tabelas jorna-                com instrutores e especialistas da rea, 
como:
            As atividades exploratrias tm como                 lsticas;                                                 botnica, cuidados pessoais, sade bucal,
     objetivo:                                                   Oficinas variadas: origami, fotografia,                   raas de ces, xadrez, confeco de fantoches,
            Promover atividades que expandam e                   robtica, qumica, alimentos saudveis,                   brinquedos alternativos, pescaria e outros 
de
            enriqueam a experincia de todos os alunos;         cuidados pessoais, trato com animais,                     acordo com a realidade local e interesse 
dos
            Estimular novos interesses que possam                exerccios de raciocnio lgico, xadrez,                  alunos;
            desencadear atividades do tipo II e III.             construes de maquetes, atividades de                    Demonstraes de prticas como primeiro
            As atividades do tipo I podem ser planejadas         resoluo criativa de problemas, organizao              socorros, banho de animais, jardinagem, 
esportes
     a partir de:                                                de colees,tcnicas de desenho,entre outras de           radicais, capoeira, modelagem, mecnica 
entre
        (1) Seleo de tpicos para o refinamento de             interesse dos alunos;                                     outras sugeridas pelos alunos e comunidade
              reas, categorias ou subtpicos de interesse dos   Palestras com profissionais de vrias reas               escolar;
              alunos;                                            do conhecimento como bombeiros, profes-                   Entrevistas desenvolvidas com pessoas
        (2) Lista contendo possibilidades de atividades          sores, botnicos, fsicos, astrnomos, arteses,          de destaque na comunidade local ou com
              e experincias eleitas como fascinantes pelos      artistas plsticos, atores, veterinrios,                 profissionais reconhecidos pelo trabalho 
que
              alunos;                                            chaveiros, soldadores, pedreiros e outros,                desenvolvem na comunidade escolar.
        (3) Lista contendo a quantidade de recursos              focalizando diferentes aspectos de suas ativi-            Nas atividades de enriquecimento do tipo 
II
              materiais e equipamentos existentes na             dades profissionais, tcnicas e mtodos utili-     so utilizados mtodos, materiais e tcnicas 
instru-
              comunidade;                                        zados ou reas de atuao;                         cionais que contribuem para o desenvolvimento 
de
        (4) Lista com a quantidade de profissionais,             Grupos de enriquecimento organizados               nveis superiores de pensamento (analisar, sinte-
              especialistas ou instituies que possam ser       especificamente para atender a curiosidade         tizar e avaliar), de habilidades criativas e 
crticas,
              contatados;                                        de alunos por reas especficas do conheci-        de habilidades de pesquisa (por exemplo, como
        (5) Cronograma de atividades.                            mento desenvolvendo atividades planejadas          conduzir uma entrevista, analisar dados e elaborar
            Resumindo, as atividades do tipo I devem             e organizadas como produo de textos,             um relatrio), de busca de referncias bibliogrficas
     favorecer o contato do aluno com ampla diversidade          robtica, filatelia, clculo, microscopia e        e processos relacionados ao desenvolvimento pessoal
     de tpicos que sejam de seu interesse e despertem           outros;                                            e social (habilidades de liderana, comunicao 
e
     sua curiosidade, mas que no so contempladas nos           Passeios, visitas e excurses. Passeios ecol-     desenvolvimento de um autoconceito positivo). 
O
     currculos escolares. Alguns exemplos deste tipo de         gicos e caminhadas em reservas ambientais.         objetivo deste tipo de enriquecimento  desenvolver
     atividade so apresentados a seguir:                        Visitas a museus, laboratrios, centros            nos alunos habilidades de "como fazer", de modo 
a
                                                                                                                                                                 
61
instrument-los a investigar problemas reais usando   o enriquecimento do tipo III. As atividades do                e outros;
metodologias adequadas  rea de conhecimento e       tipo II nem sempre sero direcionadas para o                  Treinamento em tcnicas de resoluo de




                                                                                                                                                                 
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
de interesse dos alunos.                              aprofundamento e elaborao de projetos, elas                 problemas e conflitos;
        Estas atividades podem ser realizadas em      podem gerar a necessidade de outras atividades                Oficina de idias com materiais alterna-
grupos ou individualmente, de acordo com os           do tipo II ou ainda atividades do tipo I. A nfase            tivos ou reciclagem de sucata;
interesses, habilidades e estilos de aprendizagem     do enriquecimento do tipo II  na oferta de ativi-            Treinamento no manuseio de recursos audio-
de cada aluno envolvido. Quanto  durao,            dades que desenvolvem habilidades de "como                    visuais e tecnolgicos para o desenvolvi-
depender do nvel de complexidade do tpico ou       fazer" e caractersticas pessoais, como autonomia,            mento de trabalhos como: retroprojetores,
do nvel de aprofundamento que se queira atingir.     para desenvolver com produtividade atividades de              slides, televiso, vdeos, gravadores, filmadoras
Em alguns casos, o grupo poder se reunir no          interesse. So exemplos de atividades de enrique-             mquinas fotogrficas, banco de dados, compu-
turno contrrio ao de sala de aula regular para       cimento do tipo II:                                           tador, impressora, scanner, xerox, microscpios,
receber o treinamento necessrio.  possvel que             Elaborao de roteiros de trabalhos: treina-           lupas, telescpios e outros;
algumas dessas atividades possam requerer a                  mento especfico para a delimitao de temas,          Treinamento em tcnicas de discusso,
cooperao ou parceria de voluntrios/especia-               organizao de roteiros e delineamento de              debates e argumentao;
listas.                                                      trabalhos;                                             Treinamento em tcnicas de liderana e
        Ao se engajarem em atividades do tipo II,            Treinamento em tcnicas de observao,                 gerenciamento.
os alunos so encorajados a aplicar os conhe-                seleo, classificao, organizao, anlise           As atividades do tipo II visam, ainda, o
cimentos adquiridos, como possveis fontes e                 e registro de dados;                             desenvolvimento de:
alternativas de instruo para a elaborao dos              Elaborao de objetivos e cronogramas de           (a) habilidades de pensamento criativo - fluncia,
projetos, produtos ou servios que caracterizam              trabalhos: treinamento na formulao de                  flexibilidade,     elaborao,    originalidade,
                                                             metas e objetivos de trabalhos, na organizao           avaliao  e tcnicas e ferramentas de criati-
                                                             e elaborao de cronograma e indicao de                vidade como tempestade de idias, listagem 
de
                                                             audincia alvo;                                          atributos, comparao, relaes foradas etc;
                                                             Treinamento em tcnicas de desenvolvi-             (b) habilidades de definio e soluo de problemas
                                                             mento de apresentaes orais, escritas e                 e
                                                             prticas: comunicao oral, painis, cartazes,     (c) caractersticas afetivas como sensibilidade,
                                                             apresentaes em mdia eletrnica e demons-              apreciao e valorao, cooperao, asserti-
                                                             traes prticas;                                        vidade, autoconfiana, senso de humor etc.
                                                             Treinamento em tcnicas de resumo,                     O planejamento de atividades de enriqueci-
                                                             trabalhos bibliogrficos, esquemas, ficha-       mento do tipo II deve envolver a:
                                                             mentos, relatrios, entrevistas, mtodos de            Seleo de materiais, mtodos e tcnicas que
                                                             pesquisas, entre outros;                               encorajem o envolvimento em atividades do
                                                             Treinamento em tcnicas variadas de apresen-           tipo III;
                                                             tao de produtos como lbuns, cartazes,               Seleo de atividades que gerem o aprofunda-
                                                             maquetes, mbiles, esculturas, experimentos            mento dos conhecimentos tcnicos necessrios
62
              elaborao de produtos de interesse do(s)        devem ser previstas ao longo do desenvolvimento        do tipo III so atividades de investigao 
e produo
             aluno(s);                                          dessas atividades.                                     artstica/profissional, em que o aluno assume 
o papel
             Identificao de materiais com diferentes nveis          Resumindo, as atividades de enriquecimento      de "aprendiz de primeira mo" e "produtor 
de conheci-
             de complexidade;                                                                                          mento", pensando, sentindo e agindo como um 
profis-
             Programao de uma seqncia de atividades;              QUADRO ESQUEMTICO DE ATIVIDADES DO              sional da rea. So exemplos desse tipo de 
atividade:
             Divulgao e avaliao dos processos, mtodos                     TIPO III - PROJETO                              Investigao de problemas reais;
             e tcnicas estudados.                                                                                             Desenvolvimento de projetos coletivos 
e
             As atividades de enriquecimento do tipo III                              ConhecimentoApropriado                   individuais;
                                                                                      Anlise e implantao de dados
     visam a investigao de problemas reais, por meio                                                                         Grupos de pesquisa em reas de estudos
                                                                                             Experimentao
     da utilizao de mtodos adequados de investigao,                                 Participar de simulao               especficos;
     a produo de conhecimento novo, a soluo de                                       Conduo da entrevista                Desenvolvimento de produtos criativos 
e
     problemas ou a apresentao de um produto, servio                                         Treinamento                    originais (como por exemplo, roteiro 
de pea,
     ou performance. Estas atividades tm ainda como                                              Pesquisa                     revista, maquete, poesia, relatrio 
de pesquisa,
     objetivo desenvolver habilidades de planejamento,                                                                         livro ilustrado, desenho em quadrinhos, 
teatro
     gerenciamento do tempo, avaliao e habilidades                                                                           de fantoches, mural etc);
     sociais de interao com especialistas, professores e               Problema                Produto                       Divulgao dos produtos elaborados.
     colegas. O aluno, aps passar por este tipo de experi-           Quem? Onde?          Apropriado para o                   As atividades de enriquecimento do 
tipo
     ncia, dever ser capaz de agir, sentir e produzir como            Quando?              tipo do estudo?           I, II e III encorajam a ao produtiva dos 
alunos
                                                                        Porque?    Mtodo Apropriado para o
     um profissional de uma rea especfica do conhe-                                      tipo do audincia?
                                                                                                                       uma vez que possibilitam diferentes aes 
baseadas
                                                                         Onde?
     cimento. Os problemas e tpicos para este tipo de                   Oque?        III                              em interesses e necessidades desenvolvidas 
por
     atividade devem ser selecionados pelo(s) aluno(s).                      Proposta     Impacto                      meio de diferentes estratgias, materiais 
e recursos.
     Este tipo de atividade requer altos nveis de envolvi-                                                            Estas atividades podem ser implementadas tanto
                                                                                    Audincia
     mento dos alunos em projetos, geralmente, de mdio                            Para quem?                          na sala de aula regular como nas salas de 
recursos
     e longo prazo. A aprendizagem e o desenvolvimento                          Tamanho do grupo                       e programas de atendimento ao aluno com altas
     de cada atividade do tipo III so personalizados e,                          Caractersticas                      habilidades/superdotao. Elas propiciam a 
parti-
     geralmente, implementados individualmente ou                                Disponibilidade                       cipao ativa dos alunos na construo de 
conhe-
     em grupos pequenos. A atividade tipo III envolve a           Objetivos          Acesso             Avaliao      cimentos, produtos e servios. O professor 
tem o
                                                                    Informar                              Pessoa:
     produo criativa e apresentao de resultados obtidos                                                            papel de facilitador e mediador neste processo.
                                                                   Esclarecer                             Aluno/
     em grupos de audincias variadas (colegas de sala,            Sintonizar                            Professor              importante ressaltar que as atividades 
do tipo
     feiras culturais, concursos, reunies de professores,         Formatar                              Processo      I, II e III no obedecem a um procedimento 
linear.
     jornais, empresas, comunidade escolar e outros).               Explorar                              Produto      Assim, uma atividade do tipo I, por exemplo, 
pode
             Para auxiliar no planejamento, execuo e               Medir                               Ambiente      desencadear uma atividade do tipo III, uma 
do tipo
                                                                  Transformar                            Audincia
     avaliao de atividades de enriquecimento do tipo                                                                 III pode requerer uma atividade do tipo I, 
uma do tipo
                                                                    Elaborar
     III, o professor poder utilizar o quadro a seguir, que                                                           II pode avanar para uma do tipo III ou necessitar 
de
     descreve de forma esquemtica as questes que              Fonte: Baum (2002).                                    uma atividade do tipo I. As atividades so 
planejadas
                                                                                                                                                                 
63
de acordo com a dinmica do processo de construo      braille, participaram de oficinas para utilizao de         Dica: Para implementao das atividades de enriquecimento
                                                                                                                      necessrio, inicialmente, identificar habilidades, 
interesses e
de novo conhecimento ou elaborao de um produto.       materiais alternativos. Mas ultimamente, o grupo no




                                                                                                                                                                 
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
                                                                                                                     estilos de aprendizagem dos alunos. Neste sentido, 
observe os
A seguir, so apresentadas algumas situaes em que     consegue se entender sobre quais devem ser as aes          alunos, d oportunidade para eles se expressarem, 
crie e utilize
atividades de enriquecimento poderiam ser realizadas.   prioritrias para a viabilizao do projeto.                 instrumentos que permitam o registro de suas 
habilidades,
                                                                                                                     interesses e necessidades. Fique sempre atento 
ao potencial
       SITUAO 1  Depois da visita a um museu,                                                                     de seus alunos. Outra estratgia  ouvir os 
prprios alunos a
                                                               ATIVIDADES DE                                         respeito de seus hobbies, sonhos, o que gostam 
de fazer, o que
vrios alunos voltaram, no nibus, conversando sobre                                          PROPOSTAS
                                                              ENRIQUECIMENTO                                         fazem bem ou o que poderiam fazer bem se tivessem 
oportuni-
a origem do universo e os primeiros habitantes das                do tipo I                                          dade de aprender.
galxias. Eles pareciam fascinados com o tema e                   do tipo II
perguntaram  professora o que podiam fazer a esse               do tipo III                                                Ao final do captulo, voc encontrar 
sugestes
respeito.                                                     Outras sugestes                                       valiosas para mapear interesses, estilos de 
aprendi-
      ATIVIDADES DE                                                                                                  zagem e habilidades dos alunos.
                                  PROPOSTAS
     ENRIQUECIMENTO                                            SITUAO 4  A professora Telma conversou
          do tipo I
                                                                                                                           QUADRO 1: CARACTERSTICAS DO MODELO DE
                                                        com outras colegas sobre a sua preocupao com o nvel                    ENRIQUECIMENTO ESCOLAR
         do tipo II
                                                        de motivao de seus alunos. A turma est irrequieta
         do tipo III
                                                        e muitos alunos esto desinteressados e demonstram              Modelo de Enriquecimento Escolar
      Outras sugestes
                                                        ter uma auto-estima muito baixa. Ela diversifica as
                                                                                                                           As atividades so dinmicas e retro-alimentadas 
pelos
      SITUAO 2  Dois alunos acabaram de              tarefas, mas uma boa parte dos alunos continua com                 interesses dos alunos;
encontrar duas cobras pequenas no quintal de suas       baixo desempenho nas atividades propostas.                         As atividades favorecem a autonomia do 
aluno ao longo
casas. Eles ficaram muito preocupados, pois j h                                                                          de todo o processo, em todos os nveis;
casos de pessoas picadas por cobra na vizinhana.                                                                          Os alunos so responsveis por solucionarem 
os
                                                               ATIVIDADES DE                                               problemas que encontram durante o processo;
                                                                                              PROPOSTAS
Eles decidiram comear uma campanha de preveno              ENRIQUECIMENTO                                               A iniciativa do aluno  valorizada e suas 
propostas
contra o envenenamento por mordida de cobras, mas                 do tipo I                                                acatadas, ainda que no sejam colocadas 
em prtica
                                                                 do tipo II                                                imediatamente;
no sabem por onde comear.
                                                                 do tipo III                                               O(s) aluno(s) tem autonomia para tomar 
decises;
                                                                                                                            possvel a realizao de vrios projetos 
simultneos
      ATIVIDADES DE                                           Outras sugestes
                                  PROPOSTAS                                                                                e o atendimento personalizado/individualizado 
dos
     ENRIQUECIMENTO                                                                                                        interesses e demandas individuais;
          do tipo I                                                                                                        O professor  o mediador no processo de 
construo do
         do tipo II                                            Professores e alunos devem ser criativos e ter              conhecimento;
         do tipo III                                    autonomia para planejar as atividades de enriqueci-                Os alunos mobilizam a comunidade, quando 
envolvem
      Outras sugestes                                  mento de tal forma que todos aproveitem as muitas                  a sua rede de relacionamentos na realizao 
das
                                                                                                                           atividades;
       SITUAO 3  Um grupo de alunos est             e variadas oportunidades para fazer descobertas e se                possvel planejar atividades significativas 
que atendam
trabalhando duro na construo de brinquedos            tornarem bem sucedidos na elaborao de produtos,                  aos interesses individuais ou de pequenos 
grupos e ao
que possam auxiliar crianas cegas em processo de       servios e aprendizagens significativos e autnticos (veja         mesmo tempo oportunizar atividades exploratrias
                                                                                                                           significativas para um grupo que no est 
interessado
alfabetizao. Eles j participaram de vrios debates   outras caractersticas do "Modelo de Enriquecimento                no assunto;
com professores alfabetizadores, conheceram como        Escolar" no Quadro 1).                                             A atividade de enriquecimento tipo III 
deve resultar em
                                                                                                                           um produto com aplicao social.
funcionam os equipamentos para a impresso em
64
            Referncias                                             Leituras Recomendadas

                                                                           Alencar, E.M.L.S. & Fleith, D. S. (2001).
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Sugestes de Atividades para                         Estratgias Criativas para Seleo                                  MAPA DE INTERESSES
Mapear os Interesses, Estilos de                     de Tpicos de Interesse Listados




                                                                                                                                                              Captulo 
3: Modelo de Enriquecimento Escolar
Aprendizagem e Habilidades dos                       pelos Alunos                                               Aluno (a): ________________________________
Alunos                                                                                                          _____________________________
                                                      1.     Eleio de tpicos interessantes que
      M APA DE INTERESSES                                    serviro de tema para palestras;                    Trs palavras que       Sinto-me desa-
                                                                                                                 parecem comigo so:     fiado quando:
                                                      2.     Caixinha de sugestes de onde sero
       Descrio: O Mapa de interesses possui                retiradas, mensalmente, as atividades que
duas folhas de respostas que podem ser reprodu-              devero ser implementadas no prximo                Quando no estou na     Fico muito feliz
zidas frente e verso ou divididas em duas colunas            perodo;                                            escola eu gosto de:     quando:
com frases que devem ser completadas pelo             3.     Cardpio de opes que sero sorteadas
aluno, de forma escrita, oral ou desenhada.                  por meio de um bingo ou loteria;
                                                                                                                 Eu gostaria de          Algum dia eu
                                                      4.     Quadro de curiosidades ou de perguntas              aprender mais sobre:    gostaria de:
      Procedimento: O professor deve entregar                a serem respondidas;
para cada aluno as duas folhas com as frases a        5.     Mapa de tesouros, em que cada pista
serem completadas ou pedir que eles escrevam,                pode ser um tipo de conhecimento que                Gosto de pessoas que:   O que eu fao
                                                                                                                                         melhor :
completem ou desenhem em folhas avulsas,                    o grupo elegeu como prioridade para
medida que ele dita as frases. Depois de realizada           tpicos mais complexos.
a atividade os alunos devem compartilhar em           6.     Guia turstico  Fazer um guia com a                Aprender  diver-       Eu gosto de
pequenos grupos os seus principais interesses.               indicao de vrios lugares que os alunos           tido quando:            brincar de:
O professor pode dar a cada aluno oportu-                    gostariam de conhecer dentro e fora de
nidade para falar sobre o seu mapa. Os mapas                 sua regio ou at mesmo fora do pas.                                       Penso muito em:
                                                                                                                 Eu gostaria de ser
podem ser recolhidos e um grande mapa da                     A visita aos lugares mais prximos pode ser         elogiado por:
turma pode ser elaborado a partir da tabulao               agendada com certa regularidade;
dos dados contidos em cada mapa individual.                As visitas podem ser presenciais ou virtuais. H
Em um segundo momento, a partir do Mapa de                 vrios museus e instituies que possuem tour         s vezes fico pre-      Aprendo melhor
                                                                                                                 ocupado com:            quando:
Interesses da turma, o professor dever planejar           virtual;
atividades significativas a serem desenvolvidas            Pessoas que foram a esses lugares podem ser
com o coletivo da turma ou formar grupos por               convidadas para contarem como foi a viagem e          Eu sei que sou:         s vezes tenho
afinidade de interesses. Com crianas menores,             compartilharem seu lbum de fotos;                                            vontade de:
o professor poder selecionar apenas alguns                Os alunos podero fazer, como atividades do tipo
comandos, solicitando s crianas que desenhem             III, um lbum de fotos desses lugares ou colecio-     Eu gostaria de ser:     Eu no gosto de:
ou respondam oralmente ao que se pede.                     narem vrios artigos, objetos e outras informaes
                                                           sobre os lugares para montarem o guia.
66
                                BATATA QUENTE
                                                                              CONHECENDO UM POUCO MAIS DE VOC E SEUS SENTIMENTOS
     Melhor amigo(a)             ...       Livro maravilhoso           ...
     Melhor ator                 ...       Melhor final de semana      ...
     Melhor atriz                ...       Passeio inesquecvel        ...   Nome: ________________________________
     Brinquedo preferido         ...       O maior "mico"              ...
     Brincadeira predileta       ...       A melhor piada              ...
                                                                             Idade: _______________
     Comida mais saborosa        ...       Roupa da moda               ...
     Uma cor                     ...       Lugar predileto             ...
                                                                             Gosto quando as pessoas admiram estas minhas caractersticas
     Um desenho animado          ...       Um nome                     ...
     Emoo mais forte           ...       Uma profisso               ...
                                                                             _____________________________________________
     Um filme                    ...       Uma vontade incontrolvel   ...
     Um esporte                  ...                                   ...   Eu sou ________________________________________
                                                                             _____________________________________________
                               EU E O ESPELHO...                             Eu me sinto melhor quando as pessoas __________________
                                                                             ____________________________________________
            Qualidades que tenho...
                                                                             A coisa que mais me preocupa atualmente  ______________
                                                                             _____________________________________________

                                                                             Eu perco a calma quando ___________________________
            Fatos que me do fora...                                        _____________________________________________

                                                                             A melhor coisa sobre o meu corpo  ____________________
                                                                             ____________________________________________
            Coisas positivas que fao...                                     Fico feliz quando _________________________________
                                                                             ____________________________________________

                                                                             Eu tenho medo de ________________________________
                                                                             _____________________________________________
            Coisas que respeito...
                                                                             Eu sinto orgulho de mim quando ______________________
                                                                             _____________________________________________
                    Anexos - Captulo 3




PORTIFLIO DO TALENTO TOTAL
68
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
                                               69
70
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
                                               71
72
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
                                               73
74
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
                                               75
76
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
                                               77
78
                                                                                                                                                                 
79




                                                                                                                                                                 
Captulo 3: Modelo de Enriquecimento Escolar
Nota: os instrumentos desse portflio foram adaptados e elaborados por Renata R. Maia-Pinto com base nos trabalhos de Oudheusden (1989), Renzulli e Reis (1997); 
Starko e Schack (1992), Tomlinson (1999) e Virgolim,
Fleith e Neves Pereira (2006)
                           Captulo 4




Desenvolvimento de Projetos
        de Pesquisa



                Renata Rodrigues Maia-Pinto
82
                                                                                                                                                                 
83


      M               uitas atividades podem ser
                      denominadas de pesquisa.
                                                        profissional dos trabalhos dos alunos. O desco-
                                                        nhecimento acerca do planejamento de pesquisa
                                                                                                                o que  pesquisa. Uma maneira seria apresentar
                                                                                                                vrios exemplos de problemas do "mundo real"




                                                                                                                                                                 
Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
                      No entanto, Starko e Schack       tem sido um grande entrave para a realizao deste      para os alunos, de preferncia a partir de suas
(1992) consideram pesquisa aquela atividade que         tipo de atividade. No Brasil,  comum os alunos         reas de interesse. Por exemplo, alunos mais velhos
envolve estudo investigativo cuidadoso, cuja essncia   terem acesso a atividades sistemticas de planeja-      podem ter interesse em investigar quais os esportes
 a produo de novas informaes. A pesquisa no       mento e implementao de projetos de pesquisa           preferidos dos colegas e as caractersticas desses
se resume  reproduo ou coletnea de informaes,     apenas no ensino superior.  importante que os          esportes, exercendo o papel de um reprter de um
como tradicionalmente tem sido implementada             alunos da educao infantil, ensino fundamental         jornal ou revista importante. Alunos mais novos
nas escolas.                                            e mdio saibam como o conhecimento ensinado             podem se interessar em pesquisar sobre como so
       Nos trabalhos de pesquisa, o professor deve      na escola  produzido. Assim,  fundamental dar         feitos os desenhos em quadrinhos de suas revistas
orientar os alunos a solucionarem um problema,          oportunidades para estes se envolverem em ativi-        preferidas.
sem indicar as respostas. O papel do docente  o        dades de pesquisa desde tenra idade.  importante              Outra maneira de ampliar o conceito do aluno
de ajudar o aluno a fazer as perguntas certas, ou       lembrar que esse no  um captulo de receitas          sobre pesquisa  lev-lo a pensar sobre as pessoas
seja, perguntas para as quais no existem respostas     que deve ser seguido  risca. So sugestes e idias    de sua comunidade e que tipo de pesquisa essas
predeterminadas e para as quais existam dados que       que o professor pode somar s suas experincias e       pessoas teriam interesse em realizar. Por exemplo,
possam ser investigados. Dessa maneira, a escolha       conhecimentos no sentido de oferecer oportuni-          quais questes a orientadora pedaggica da escola
do tema que o aluno ou o grupo investigar  o          dades de desenvolvimento do potencial criativo-         gostaria de responder sobre a causa de constantes
primeiro passo de um projeto de pesquisa.               investigativo-produtivo de seus alunos. A seguir,       queixas escolares que recebe sobre os alunos? E o
        importante tambm verificar quais habili-      so apresentados passos para a realizao de uma        guarda de trnsito, ser que ele gostaria de saber
dades bsicas o aluno deve ter para executar o          pesquisa (Starko & Schack, 1992).                       se todos os pais exigem de seu filho o uso do cinto
projeto. Por exemplo, ele conhece os passos para                                                                de segurana? E o servente que recolhe o lixo, ser
o desenvolvimento de um projeto? Sabe como              O Aluno como Pesquisador
se conduz uma entrevista? Sabe como registrar
os dados? Como avaliar seu trabalho? Ademais,                  Quando se pensa em pesquisa, algumas
 essencial alocar tempo suficiente para que o          imagens podem vir  sua mente. Alguns podem
projeto possa ser implementado e concludo, bem         lembrar de laboratrios, tubos de ensaios, de
como orientar os alunos a separar as informaes        cientistas malucos; outros podem lembrar daqueles
que so importantes e necessrias daquelas que so      costumeiros trabalhos escritos em folhas de
dispensveis.                                           caderno realizados a partir de consultas  biblioteca
       Para que o professor possa auxiliar o aluno      ou internet. Todas essas so vises parciais do
a conduzir trabalhos de pesquisa,  necessrio que      que pode ser uma pesquisa. Um bom passo seria,
eles tenham informaes sobre formas bsicas de         ento, oferecer ao aluno um conceito mais amplo
planejamento, tcnicas e vocabulrio de pesquisa.       de pesquisa.
A escola regular vem sendo constantemente                      Starko e Schack (1992) explicam que
criticada pela falta de criatividade e de carter       existem algumas maneiras de explicar ao aluno
84
     que gostaria de saber se os alunos tm informaes       comeo  estabelecer um problema de pesquisa. Os       dos interesses do aluno: "O mundo est repleto 
de
     suficientes sobre a separao de lixo e as conseq-      professores esto acostumados a encontrar tpicos      problemas, dilemas e situaes que precisam 
de
     ncias de um grande volume de lixo acumulado?            a partir do currculo regular. Alguns temas podem      uma pessoa com energia, entusiasmo e habilidade
     Ser que o dono do restaurante em frente  sua           servir para inmeras investigaes. Por exemplo,      para solucion-las. Complete as sentenas abaixo
     casa gostaria de saber a quantidade de crianas          comum, nas sries iniciais do Ensino Fundamental,      ponderando que situaes em sua vida precisam
     que freqentam seu restaurante para oferecer um          os alunos estudarem a sua rvore genealgica, a        ser melhoradas.
     cardpio mais atraente? Voc pode ainda convidar         vizinhana da escola etc. Todos esses temas podem             O que o mundo realmente necessita  ...
     profissionais para visitarem a escola e falarem sobre    servir para investigaes mais profundas sobre                Eu gostaria de tornar o mundo melhor 
ou
     as pesquisas que realizam em seu trabalho.               imigrao, caractersticas dos povos, sistemas         mais bonito criando ...
            Outra forma seria ajudar os alunos a identi-      hierrquicos, tipos de comrcio, desenho de mapas             A maioria das pessoas no percebe, mas, 
de
     ficarem algumas dvidas, questes e idias que eles      e prdios e estudo fotogrfico da vegetao local.     fato, existe alguma coisa errada com ...
     tm passveis de investigao. Se Juliana se interessa          Outras vezes, os temas de pesquisa no esto           Se algum me desse um milho de reais 
para
     em saber sobre a vida e as peculiaridades do estilo      relacionados a contedos do currculo comum. Uma       ajudar as pessoas, eu ...".
     de msica do conhecido cantor de rock Renato             exposio sobre a Idade Mdia, por exemplo, pode
     Russo, cujo filho Juliano estuda em sua escola, voc     despertar o interesse sobre a moda e os principais     Expanso do Tema
     pode encoraj-la a prosseguir com seu interesse.         tipos de vestimentas da poca. Um filme sobre os
     Se Brbara tem interesse em estudar mais sobre           planos de governo local pode levantar o interesse             O detalhamento de um tema de pesquisa
     o III Reich depois de ter visto o filme "A Lista         sobre o nmero de crianas desnutridas ou sem          possibilita ao aluno processar informaes, 
focar
     de Schindler", ela deve ser encorajada. Os alunos        escola.                                                seu interesse e identificar questes de pesquisa.
     podem no querer examinar as primeiras questes                                                                 Sem a expanso ou o detalhamento de um tpico
     que lhes vm  mente, mas reconhecer algum tpico        Identificao do Interesse do Aluno                     menos provvel que o aluno consiga perceber
     que poderia ser um objeto de investigao.                                                                      alguma possibilidade de pesquisa no contedo
            Voc pode criar formulrios do tipo "Eu me               A identificao do problema de interesse        trabalhado. Essa expanso pode ser feita de 
vrias
     pergunto se..." (veja exemplo ao final do captulo)      do aluno  um passo fundamental no processo de         formas, mas a mais comum  uma discusso sobre 
o
     e afix-lo no mural para incentivar seus alunos a        pesquisa, que pode levar o aluno a desenvolver e       tema seguida de uma atividade de enriquecimento
     levantarem problemas de seu interesse. Nem sempre        usar sofisticadas habilidades de coleta e anlise de   ou uma atividade do currculo regular:
     as questes que vm  mente do aluno podem ser           dados. A motivao do aluno aumenta  medida que              Pea ao aluno para identificar, entre 
as reas
     respondidas na hora, mas podem ser registradas           ele percebe a relevncia da pesquisa para o mundo             apresentadas, as que mais lhe interessam;
     para investigao posterior.                             em que vive. Alm disso, as descobertas que ele faz           Pea uma sugesto sobre qual recurso 
o
                                                              podem servir de informao para outras pessoas.               aluno gostaria de obter: impressos, udio-
     A Busca de uma Questo de                                Para identificar interesses do aluno, o professor             visual, local para visitar, pessoas para 
entrar
     Pesquisa                                                 pode usar inventrios de interesse, realizar ativi-           em contato etc;
                                                              dades exploratrias (como as de enriquecimento                Aponte oportunidades de treinamento ou
           Antes de se conduzir uma pesquisa,                do tipo I  veja Captulo 4), entre outras. Burns             prtica de habilidades necessrias  
investi-
     necessrio ter uma boa pergunta. Ento, um bom           (1990) sugere uma atividade para levantamento                 gao do problema;
                                                                                                                                                                 
85
       Faa conexes entre o tema apresentado e
       outros tpicos de interesse do aluno;




                                                                                                                                                                 
Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
       Identifique temas literrios ou artsticos que
       os alunos gostariam de investigar;
       Identifique questes de pesquisa relacio-
       nadas ao tpico de interesse do aluno.
       Imagine que os alunos acabaram de parti-
cipar de uma atividade de enriquecimento sobre
rpteis, especialmente cobras. Pergunte qual parte
da apresentao os alunos mais gostaram. Depois
pea para levantarem questes relacionadas s
cobras, como, por exemplo, o medo que esses
animais podem provocar, tipos de benefcios que
as cobras poderiam trazer ao meio ambiente e s
pessoas, questes de gnero (ex: meninas tm mais
medo de cobra do que meninos?).
       A discusso continuar de acordo com o
interesse dos alunos, mas um grupo pode estar           Figura 1. Exemplo de Rede de Assuntos, Teia de Temas ou Tempestade de Idias.
interessado em aprofundar o assunto e outro no.
Uma atividade de enriquecimento pode gerar              vem com um tema que reproduz uma questo clara           nas praias, funo social do tubaro em relao 
aos
uma grande variedade de questes em inmeras            de pesquisa. Geralmente os temas so gerais. Por         animais que compem seu habitat (veja Figura 1).
reas correlatas. Esse  o segredo para se encontrar    exemplo, depois de ter lido no jornal que, em uma        Uma rede feita em sala de aula com toda a turma
um tema de investigao. Nem todos os alunos            praia prxima  sua residncia, um jovem surfista        ou grupos, conforme vai sendo delimitada, pode
precisam investigar o mesmo tpico. Nesse sentido,      foi atacado por um tubaro, o aluno se interessou        gerar outras redes de interesse por parte de outros
os alunos devem compreender que a pesquisa pode         em conhecer mais sobre esse animal. Esse tpico          alunos. Essa rede ou teia  conhecida tambm
estar relacionada a qualquer rea. O objetivo do        envolve vrios subtpicos e  necessrio que o aluno     como tempestade de idias.
professor  ajudar o aluno a identificar e desen-       especifique mais o tema para definir sua questo                Essa escolha pode levar semanas e deve ser
volver seu interesse no sentido de encontrar um         de pesquisa. Uma maneira prtica de se fazer este        acompanhada pelo professor. Estabelecida a rede 
e
tema de pesquisa.                                       estreitamento  formar uma rede de assuntos que          identificado um subtpico, ainda  necessrio que
                                                        podem derivar desse tpico maior que o aluno             se defina qual realmente  a questo de pesquisa.
Foco no Problema                                        escolheu. O aluno deve colocar o tema principal, no      Suponhamos que o aluno escolheu "tubaro",
                                                        caso tubaro, no centro do papel e, como uma teia        como tema, e "segurana", como subtema. O que
       Depois que o tema foi identificado, ele deve     de aranha, derivar os temas conforme as peculia-         realmente o aluno quer saber sobre segurana?
ser transformado em uma pergunta de pesquisa            ridades sobre tubares que forem surgindo  sua          Muitas questes surgiro. Para esta escolha 
passvel de ser investigada. Dificilmente um aluno      mente - tipo de tubares, caractersticas, segurana     importante ter em mente as possibilidades de
86
     coleta de dados. Caso se trate de um tema que no       o entendimento da questo no estiver claro, ela              elaborao de um roteiro de atividades 
da coleta de
     seja possvel se coletar dados,  aconselhvel que se   deve ser reescrita. Por exemplo, o aluno perguntou:           dados pode ser til. No roteiro devem 
estar listadas
     reinicie o processo de escolha do tema.                 "Quais so as inovaes com relao  segurana               todas as atividades de coleta de dados, 
os horrios,
                                                             contra ataque de tubares nas praias?". O aluno               locais e responsveis por cada etapa.
     Implementao da Pesquisa                               pode refinar ainda mais esta pergunta: "Como tm                      importante lembrar ao aluno de 
separar
                                                             sido as inovaes com relao  segurana contra              todo material/equipamento necessrio para 
sua
            Depois de se ter definido o subtpico,           ataque de tubares nas praias urbanas do Recife               pesquisa. Por exemplo, se ele for entrevistar 
uma
     algumas palavras-chave podem ajudar a orientar          depois dos ataques de 1989 at maio de 2006?".                pessoa, o aluno deve trazer, alm do roteiro 
de
     o processo de definio da pesquisa: quem, o que,             Crianas pequenas, da educao infantil,                entrevista, o gravador, fitas, pilhas 
(no caso da
     quando, por que, como. Um aluno que se interessou       podem fazer perguntas baseadas em suas experi-                entrevista ser gravada), papel e lpis. 
Todo o
     pela anatomia dos tubares, especificamente as          ncias e a partir do que os adultos relataram ou              material de pesquisa deve estar bem organizado.
     mandbulas, pode perguntar: Quais so as caracte-       viram em filmes. Podem, por exemplo, querer                   O aluno poder guardar o material da pesquisa
     rsticas da mandbula dos tubares e qual o efeito      saber se as sementes de feijo que plantaram em               (instrumentos e dados coletados) em uma 
pasta.
     da aparncia da mandbula sobre a percepo que         algodes cresceriam mais fortes e mais rpido se               importante lembrar que esta fase  de 
coleta de
     as pessoas tm sobre esses animais? Dessa maneira       fossem regadas com leite. Essa questo derivou de             dados e no representa ainda o produto 
final do
     surge a pergunta: "Qual  a relao entre aspecto da    informaes que tiveram sobre os efeitos do leite             seu trabalho. Portanto, deve verificar 
se os dados
     mandbula dos tubares e o medo que ele provoca?".      no crescimento humano.                                        coletados so suficientes ou se  necessrio 
coletar
     Outro que se interessou pelo subtpico segurana                                                                      outras informaes.
     e habitat natural, especialmente nas praias urbanas,    Coleta de Dados
     pode perguntar: Por que o tubaro ataca? O que                                                                        Anlise e Interpretao de Dados
     falta no habitat dele que o faz vir  praia? Como              Aps definir o problema a ser investigado, o
     as autoridades locais evitam tais ataques e como        aluno, com auxlio do professor, estabelecer os proce-             Encerrada a coleta de dados, o aluno
     os banhistas devem se prevenir? Dessa maneira           dimentos de coleta de dados e selecionar os instru-          dever analisar os dados obtidos para 
se chegar
     surge a questo de pesquisa: "Existe uma relao        mentos a serem utilizados na coleta. Um bom incio            s concluses. Precisa interpretar as 
novas infor-
     entre degradao do ambiente natural dos tubares        planejar a organizao do material que ser usado           maes e explic-las. Deve organizar as 
infor-
     e ataques em praias urbanas? Quais os melhores          para a coleta de dados. O papel do professor  ajudar         maes obtidas para poder express-las 
com clareza
     fatores de preveno e segurana contra esses           os alunos a identificar, localizar e ter acesso a fontes de   e torn-las compreensvel para o seu pblico. 
A
     ataques?". Quando o tema  tambm de interesse          consulta (como livros, revistas, internet, dicionrios,       apresentao dos resultados no deve envolver
     da comunidade, pode ser utilizada uma parceria          atlas, globo, almanaques, enciclopdias, biografias,          opinies pessoais.
     com as instituies representativas locais.             dicionrios, brochuras, rdio, museus, galerias de
            Um levantamento bibliogrfico sobre o            artes, filmes, pessoas etc). A(O) bibliotecria(o) da
     tema de interesse ajuda a identificar questes que      escola pode tambm colaborar na tarefa de indicao           Apresentao dos Resultados
     ainda no esto totalmente definidas. Em seguida,       e localizao destas fontes. Existem vrios instru-
     verifique se a pergunta est clara e se no existem     mentos para coleta de dados: entrevista, questionrio,              Como os pesquisadores profissionais, 
os
     palavras que podem levar  dupla interpretao. Se      observao, fotografias, filmagens, entre outros. A           alunos pesquisadores devem compartilhar 
seus
                                                                                                                                                            87
resultados.  importante que os resultados da
pesquisa sejam divulgados entre os colegas,




                                                                                                                                                            Captulo 
4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
comunidade escolar, famlia etc. Starko e Schack                                            PLANEJAMENTO DE PROJETO
(1992) afirmam que quando o aluno trabalha
pensando em um pblico determinado, tem mais
envolvimento e cuidado com o projeto. Os alunos                Nome: _________________________________________________                 Data: ____________
devem contar com grande flexibilidade nas formas               Professor: ______________________________________________
de apresentao de seu trabalho: artigos para publi-
cao, msicas, poemas, contos, apresentao de
slides, jornal local ou da escola, revista, exposio,         Meu projeto ser sobre: _____________________________________________
entre outras. Concluda a pesquisa,  importante               O objetivo do meu projeto : ________________________________________
que professor e aluno faam uma avaliao de todo
                                                               As pessoas interessadas nos resultados do meu projeto so: _______________________________
o processo, salientando os pontos fortes, bem como
                                                               _________________________________________________
as limitaes do estudo.
       Um exemplo de planejamento de pesquisa                 Eu aprenderei mais sobre este assunto por meio dos seguintes:
apresentado a seguir.                                          Livros: ________________________________________________________________________
       Para todas as etapas do processo de pesquisa,
                                                               Revistas: ______________________________________________________________________
existem documentos organizadores que podem
ser elaborados pelos professores e pelos alunos                Pessoas: ______________________________________________________________________
(veja modelos1 apresentados no final do captulo).             (outros meios): ________________________________________________________________
O professor pode, tambm, fazer um sistema de
                                                               Estes so os passos que seguirei para realizar meu projeto:
premiao para as pesquisas desenvolvidas na sua
turma. No entanto, o que no pode faltar  um certi-           1. ____________________________________________________________________________
ficado de concluso da sua pesquisa. Os esforos               2. ____________________________________________________________________________
devem ser reconhecidos e valorizados. O registro
                                                               3. ____________________________________________________________________________
das etapas da pesquisa, o produto ou fotos do
produto, assim como o certificado e a concluso das            4. ____________________________________________________________________________
avaliaes devem constar do portfolio do aluno.                5. ____________________________________________________________________________
                                                               Eu sei que o meu projeto ser concludo porque: ____________________________________
                                                               A parte mais difcil da execuo do meu projeto ser: _______________________________
                                                               A parte mais legal da realizao do meu projeto ser: ________________________________
        1 Os modelos desse captulo e anexos foram adaptados
e elaborados por Renata R. Maia-Pinto, com base nos inven-
trios apresentados por Oudheusden (1989), Renzulli e Reis
(1997), Starko e Schack (1992) e Tomlinson (1999).
88
     Referncias

           Burns, D. (1990). Pathways to inves-
     tigative skills. Mansfield Center, CT: Creative
     Learning Press.
           Oudheusden, S. (1989). Go for it
      A student guide to independent projects.
     Mansfield Center, CT: Creative Learning
     Press.
            Renzulli, J. S. & Reis, S. M. (1997). The
     schoolwide enrichment model: How to guide
     for educational excellence (2a. ed.). Mansfield
     Center, CT: Creative Learning Press.
          Starko, A. J. & Schack, G. D. (1992).
     Looking for data in all the right places: a
     guidebook for conducting original research
     with young investigator. Mansfield Center,
     CT: Creative Learning Press.
          Tomlinson, C.A. (1999). The differen-
     ciated classroom: Responding to the needs of
     all learners. Alexandria, VA: ASCD.
Anexos - Captulo 4
90
Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
                                                      91
92
Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
                                                      93
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Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
                                                      95
96
Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
                                                      97
98
Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
                                                      99
100
Captulo 4: Desenvolvimento de Projetos de Pesquisa
                                                      101
                    Captulo 5




Grupos de Enriquecimento




                   Jane Farias Chagas
104
                                                                                                                                                                 
105


      O              grupo de enriquecimento 
                     uma estratgia de interveno
                                                                deve ser capaz de construir conhecimento
                                                                significativo.
                                                                                                                debate reflexivo ou a participao em atividades 
de
                                                                                                                instrumentao (como as do tipo II), em funo dos




                                                                                                                                                                 
Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
                     pedaggica no processo de                  Ao estabelecer combinaes dinmicas em         projetos em que esto envolvidos, ou em funo de
ensino-aprendizagem. Nesta perspectiva, cabe             funo das capacidades, estilos de aprendizagem e      certas caractersticas criativas ou scio-emocionais
ao professor estabelecer critrios intencionais de       interesses pontuais e processuais de seus alunos, o    que precisam ser desenvolvidas.
agrupamento e reagrupamento dos alunos, com o            professor deve considerar no somente os aspectos              Podemos classificar o tipo de agrupamento
objetivo de promover o desenvolvimento de habili-        cognitivos, mas tambm os aspectos afetivos ou         com base no local ou espao onde ele dever acontecer.
dades superiores e potencialidades, superar dificul-     motivacionais dos alunos. Deve manter-se na            Sendo assim o agrupamento pode ser extraclasse,
dades e ampliar avanos observados. Essa estratgia      posio de mediador, promovendo a autonomia e          interclasse ou intraclasse. O agrupamento extra-
permite ao professor do ensino regular ou da sala        produtividade dos alunos, durante todo o processo.     classe consiste no atendimento dos alunos, no turno
de recursos: gerenciar projetos, mediar aes educa-     Deve, ainda, considerar a importncia da relao       contrrio, em dias e horrios previamente combi-
tivas autodirigidas pelos alunos, atender demandas       aluno-aluno no processo de aprendizagem, uma vez       nados com a finalidade de enriquecer, aprofundar
particulares e individuais dos alunos, avaliar desem-    que a troca entre os pares constitui um momento        ou atender necessidades especficas de aprendi-
penho e desenvolver as potencialidades dos alunos.       precioso para a construo da conscincia, valorao   zagem. Esse tipo de agrupamento  denominado de
       Alguns aspectos importantes, diretamente          e diferenciao de si mesmo e do outro.                grupo de talentos ou de enriquecimento, uma vez
relacionados  aprendizagem significativa, devem                A adequao do nmero de participantes nos      que os alunos so agrupados de acordo com suas
ser considerados no planejamento de grupos de            grupos de enriquecimento depender do mapea-           habilidades e interesses, independente das turmas
enriquecimento:                                          mento prvio dos interesses, estilos de aprendizagem   que freqentam no ensino regular. Eles sero
       Cada aprendiz  uma pessoa nica, com             e expresso, necessidades, habilidades. Entretanto     agrupados no sentido de gerar produtos e servios
       experincias, interesses, habilidades e estilos   Renzulli, Gentry e Reis (2003) sugerem um nmero       com o objetivo de desenvolver suas habilidades e
       de aprendizagem nicos;                           entre 8 e 10 alunos por agrupamento, quando h         serem atendidos em seus interesses e necessidades.
       A aprendizagem  mais efetiva quando as           apenas um professor mediador/facilitador. Grupos       Por exemplo, os alunos podem formar um clube de
       experincias so planejadas e construdas de      maiores devem ter mais adultos facilitadores envol-    xadrez, participar de oficinas de origami, trabalhar
       forma a permitir que os alunos se sintam          vidos. No entanto, o nmero mnimo ou mximo           num projeto de matemtica ou horta comunitria,
       felizes com o que esto fazendo;                  dos grupos vai depender, em grande parte, do tipo      construir maquetes da cidade com a finalidade de
       A aprendizagem  mais significativa quando        de produto ou servio a ser elaborado. Os grupos       facilitar o trnsito de pedestres, participar de 
aulas
       o contedo/conhecimento e os mtodos utili-       de enriquecimento devem ser flexveis e dinmicos,     de culinria local com a finalidade de manter vivas
       zados so selecionados com base no contexto       de forma a incluir, durante o processo de desen-       algumas tradies locais, trabalhar com questes
       onde o aluno est inserido e em problemas         volvimento dos projetos, aqueles alunos que no        ambientais, participar de grmio estudantil ou time
       reais presentes neste contexto, ou seja, o        demonstraram, inicialmente, nenhum interesse em        esportivo. O planejamento das atividades deve ser
       contedo e o mtodo devem ser personali-          participar do grupo. Segundo os autores, os alunos     direcionado para os interesses dos alunos e visar 
a
       zados;                                            devem ser agrupados por reas de interesses e no      soluo de problemas reais da seguinte maneira:
       A aquisio de conhecimentos e de habili-         por srie ou idade. Este tipo de agrupamento tem               Professores e alunos definem ou selecionam
       dades de pensamento deve promover a               por finalidade gerar o aprofundamento em nveis                a rea em que gostariam de atuar ou parti-
       autonomia e autoria do aluno. Cada aluno          mais avanados de certos tpicos, promover o                   cipar;
106
             A construo de produtos ou servios deve         enriquecimento tiveram a oportunidade de falar             receitas no dia do aniversrio da cidade. 
Aquele
             atender uma necessidade real e impactar uma       sobre a importncia de se conhecer e valorizar             foi um dia de festa, quando os alunos, 
seus pais e
             audincia em particular;                          nossas razes. As informaes coletadas, durante           outros membros da comunidade tiveram o 
prazer de
             Uso de mtodos autnticos ou em nveis            todo processo, foram registradas e compiladas              degustar as delicias preparadas. Os alunos 
ficaram
             avanados para gerar os produtos ou servios.     num livro de receitas bem diferente e original.            to felizes que no queriam desfazer o 
grupo. Em
             O grupo deve operar em nvel profissional.        Alm das receitas, o grupo ilustrou o livro com            seguida, comearam a delinear o prximo 
projeto
             Veja o exemplo a seguir.                          fotos dos entrevistados e da visita  tribo indgena,      do grupo: "receitas alternativas para melhorar 
a
             O professor de histria da Escola Liberdade       opinies, curiosidades e com pequenos textos               sade e a qualidade de vida das populaes 
carentes
       especialista em povos indgenas brasileiros. Neste     contendo informaes sobre as descobertas cient-          de sua cidade".
      ano, um grupo de alunos ficou curioso em saber qual a    ficas do grupo. O livro de receitas foi doado para a              Agora vamos usar a imaginao e 
antecipar
      influncia da alimentao indgena na culinria local,   biblioteca municipal. O grupo convenceu o dono             como sero as coisas, para esse grupo de 
alunos, no
      aps uma aula de histria do Brasil. O professor e       de um pequeno restaurante da cidade a elaborar             prximo semestre! Mos  obra!
      os alunos interessados combinaram de se encontrar
      na escola, duas vezes por semana, no turno contrrio                   Projeto: Receitas Alternativas para Melhorar a Sade e Qualidade de Vida das Populaes
      ao de sala de aula para iniciarem uma pesquisa sobre                                               Carentes da Cidade Oportunidade
      os pratos tpicos de sua regio, buscando identificar                                                                                                 Imaginao
      quantas e quais iguarias sofreram a influncia dos            No.                                          Estmulo
                                                                                                                                                             em Ao
      primeiros habitantes do pas. Durante o primeiro                               Como o professor Carlos poder manter o grupo animado at o
                                                                     1
      e segundo semestre, eles entrevistaram pessoas                         incio do prximo ano letivo?
      da comunidade, pesquisaram em livros, consul-                  2              Como incluir outros alunos nesse grupo de enriquecimento?
      taram a internet, consultaram algumas cozinheiras                             Quais devem ser as primeiras atividades, estratgias que o grupo
      e cozinheiros "famosos" da cidade e visitaram a                3
                                                                             deve planejar?
      aldeia mais prxima. Os alunos aprenderam sobre                4              Qual o papel inicial do professor Carlos?
      pesos e medidas com o professor de matemtica. A
                                                                                    Quais as possveis atividades a serem desenvolvidas ao longo do
      professora de portugus deu vrias dicas de como as            5
                                                                             primeiro semestre?
      receitas so apresentadas em livros e como as entre-
                                                                     6              Quanto tempo deve durar esse projeto do grupo?
      vistas so conduzidas e os questionrios so elabo-
      rados. Os alunos aprenderam a selecionar as receitas                         Quais as pessoas que poderiam ser convidadas para ajudar no desen-
                                                                     7
      a partir do objetivo que tinham e no somente por                      volvimento desse projeto?
      serem interessantes e gostosas.                                               Quais habilidades, tcnicas e mtodos devem ser desenvolvidos,
                                                                     8
             A merendeira usou uma das receitas na                           aperfeioados ou adquiridos ao longo do processo?
      semana da alimentao na escola. Nesse dia, todos              9              Quais os recursos necessrios para o desenvolvimento do projeto?
      os alunos da escola comeram da iguaria e, alguns
                                                                                    Quais as possibilidades de produtos e servios que este grupo pode
      minutos do recreio, foram encaminhados para uma               10
                                                                             oferecer a fim de atingir os seus objetivos?
      palestra. Naquele momento, os alunos do grupo de
                                                                                                                                                                 
107
        Lembre-se de que os professores so guias para     processo ensino-aprendizagem.Nesse tipo de agrupa-               mediador no processo. Nos momentos de 
impasse,
os alunos nesse tipo de agrupamento ou atividade. O        mento o professor regente ou o professor da sala de              conflito ou reviso de metas, o professor 
deve




                                                                                                                                                                 
Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
professor ajudar os alunos a focalizarem um problema      recursos deve planejar atividades que promovam o                 gerenciar sua ansiedade por ensinar e 
procurar ouvir
real, localizarem informaes, contedos e mtodos         trabalho independente (coletivo ou individual), que              e solicitar o envolvimento dos alunos 
na soluo de
relevantes para a conduo do trabalho, utilizarem os      permita aos alunos o gerenciamento do tempo e a                  problemas, na busca por respostas s 
indagaes e
mtodos, tcnicas e recursos de maneira apropriada e       tomada de deciso, de acordo com seus interesses                 dvidas que porventura surjam ao longo 
do processo,
eficiente; avaliarem o processo e redefinirem as metas     e habilidades. As atividades de trabalho indepen-                na pesquisa ou aquisio de recursos 
necessrios 
e processos.                                               dente permitem ao professor atender especifica-                  implementao dos projetos, na busca 
de parcerias,
        O agrupamento interclasse  temporrio e           mente e diretamente seus alunos em suas demandas                 entre outras possibilidades. Os alunos 
devem ser
envolve a participao de alunos de salas diferentes       individuais, enquanto os grupos trabalham de forma               estimulados a permanecer engajados e 
trabalhar de
num mesmo grupo, com finalidade e objetivos pedag-        autodirigida. O planejamento desse tipo de agrupa-               forma autnoma.
gicos especficos. Por exemplo, os professores de duas     mento pode ter as mais distintas finalidades, porm                     Agora  sua vez! Imagine que voc 
 um aluno
turmas diferentes podem estabelecer um horrio para        o professor no deve perder de vista seu papel de                com os interesses listados a seguir.
o encontro de suas turmas, a fim de que seus alunos
                                                           ALUNO                               INTERESSES
tenham a oportunidade de trabalhar em projetos
comuns. Os grupos de trabalho sero formados por           Aluno da 2 srie do Ensino         Gosta de fazer colees. Tem uma coleo de pedras coloridas de vrios 
formatos e uma
                                                           Fundamental com 8 anos              outra de penas de pssaros.
alunos de ambas as turmas que tenham interesses
em projetos comuns. Esse tipo de agrupamento              Aluna da 5 srie do Ensino         Passa horas lendo revistas de corte e costura. Corta vestidinhos para 
a boneca e finge que
                                                           Fundamental com 10 anos             participa de um desfile de modas.
bastante eficaz para a ampliao dos vnculos entre os
alunos, quando as turmas so pequenas, quando um           Aluno de 6 anos da Educao         Gosta de observar as formigas carregando folhas.
                                                           Infantil
projeto  bastante complexo para ser desenvolvido
por um grupo com poucos alunos, necessitando da            Aluna de 15 anos da 1 srie do     Os colegas dizem que ela sabe tudo sobre astronomia. Sabe o nome das 
estrelas de vrias
                                                           Ensino Mdio                        constelaes e sua localizao no cu. Ultimamente, est desenhando 
a rbita de alguns
adeso de outras crianas com os mesmos interesses.                                            cometas.
Alm disso, os professores envolvidos devem apreciar
                                                           Aluno com 5 anos que est fora da   Passa muito tempo desenhando carrinhos. Ele tem uma coleo de carrinho 
de vrios
o trabalho coletivo e o bom relacionamento, habili-        escola                              modelos e de vrias fbricas. Agora comeou a desenhar seus prprios 
modelos.
dades imprescindveis para a conduo eficaz desse
                                                           Aluna de 9 anos na 3 srie do       muito falante e comunicativa.  a porta-voz da turma na hora de 
solucionar problemas.
tipo de agrupamento. A cooperao, a solidariedade         Ensino Fundamental                  Gosta muito de ler e acabou de decorar vrios poemas dos modernistas. 
Parece que ser
e a formao de vnculos devem ser fomentadas e                                                reprovada, pois tem uma caligrafia pssima!
no a competio ou comparao entre as turmas.           Aluno de 13 anos na 8 srie do     Gosta de montar e desmontar coisas. Vive construindo engenhocas e 
brinquedos
possvel o agrupamento de alunos de vrias turmas da       Ensino Fundamental                  diferentes. Depois de uma aula de cincias, agora s pensa em construir 
um rob.
escola, desde que haja um planejamento cuidadoso           Aluna de 9 anos na 4a srie do      Gosta de pular e rodopiar. Corre de um lado para outro e d cambalhotas. 
Passa muito
das atividades, projetos e interesses.                     Ensino Fundamental                  tempo danando e inventando movimentos corporais.
        Os grupos de enriquecimento podem ser reali-       Aluno de 10 anos na 4a srie do     Fica muito triste e deprimido quando v, na televiso, a situao 
de algumas crianas
zados no interior da sala de aula (intraclasse), diaria-   Ensino Fundamental                  pobres, no nosso pas. Ele recorta os jornais e revistas e guarda 
matrias com esses temas.
                                                                                               Ele pensa em ser mdico ou assistente social quando crescer.
mente, de acordo com as demandas dinmicas do
108
            Agora utilize toda a sua criatividade e planeje                   Focalizar problemas que tenham importncia            dades metodolgicas ou tcnicas 
e de recursos
      algumas atividades que os grupos de enrique-                            para indivduos ou grupos especficos;                humanos e materiais;
      cimento intraclasse, interclasse ou extraclasse                         Distinguir as informaes que so relevantes          Estabelecer padres, comparaes, 
analogias,
      poderiam desenvolver para atender aos interesses                        e irrelevantes na soluo de um determinado           relaes e discrepncias entre 
as informaes
      desses alunos. Mas lembre-se de que as atividades                       problema;                                             com a finalidade de solucionar 
problemas ou
      no devem ser iguais quelas que esto contem-                          Planejar etapas e passos para a soluo de            refinar certas habilidades;
      pladas no currculo regular da escola ou que j so                     problemas, seqnciar eventos a partir de             Gerar argumentos razoveis ou 
explanaes
      regularmente desenvolvidas em sala de aula. Use e                       elementos lgicos ou prticos, considerar             que justifiquem a tomada de deciso 
ou curso
      abuse da imaginao!                                                    cursos de ao ou possveis conseqncias de          de ao;
                                                                              determinadas aes ou eventos;                        Predizer necessidades para o 
desenvol-
             Independente do tipo de agrupamento, as                          Gerenciar a construo de seu conhecimento,           vimento de um projeto: tempo, 
recursos,
      atividades dos grupos de enriquecimento podem ser                       prevendo a necessidade de informaes ou              custos, trabalho cooperativo, 
qualidade das
      planejadas, segundo Renzulli, Gentry e Reis (2003),                     entendimento de determinados temas em                 interaes entre as pessoas do 
grupo;
      a partir do desenvolvimento de habilidades como:                        nveis mais avanado de contedo, habili-             Examinar caminhos, alternativas 
e estratgias
                                                                                                                                    que devem ser adotadas ou adaptadas 
para a
                                                                                                TIPO DE AGRUPAMENTO
                                                                                                                                    soluo de situaes ou problemas 
(transfe-
      ALUNO                                 INTERESSES                        ATIVIDADES                                            rncia ou generalizao de aprendizagem);
                                                                                            (EXTRA, INTRA OU INTERCLASSE)
                                                                                                                                    Comunicar de forma proficiente 
e profis-
      Aluno com 8 anos    Coleo de pedras coloridas de vrios formatos                                                            sional temas variados em diversos 
formatos e
                          e uma outra de penas de pssaros.
                                                                                                                                    gneros a diferentes audincias.
      Aluna com 10 anos   Revistas de corte e costura, costura e desfile de                                                         Alm disso, os grupos de enriquecimento
                          modas.
                                                                                                                             devem permitir o envolvimento dos alunos 
na busca
      Aluno com 6 anos    Observao de formigas.                                                                            de solues para problemas do mundo 
real e em
                                                                                                                             atividades de investigao e elaborao 
de produtos
      Aluna com 15 anos   Astronomia: estrelas, cometas e constelaes.
                                                                                                                             criativos.
      Aluno com 5 anos    Desenhar carrinhos.
                                                                                                                             Na busca de solues para problemas
      Aluna com 9 anos    Falar em pblico e poesias.                                                                        do mundo real.

      Aluno com 13 anos Montar e desmontar coisas, construir coisas e                                                               Mas afinal, o que so problemas 
do mundo
                        robtica.                                                                                            real? Podemos definir os problemas do 
mundo real
      Aluna com 9 anos    Dana e movimentos corporais.                                                                      a partir de quatro elementos (Renzulli, 
Gentry &
                                                                                                                             Reis, 2003):
      Aluno com 10 anos Questes sociais e medicina.                                                                           (a) Problema personalizado  o problema
                                                                                                                                    deve ser significativo para algum, 
estar
                                                                                                                                                                 
109
    diretamente relacionado com um interesse          (d) Audincias autnticas  Os produtos e              ender seu pblico alvo. Podem, ainda, desenvolver
    individual ou coletivo. Por isso, o problema          servios elaborados pelos alunos devem ser         habilidades de gerenciamento do tempo, tomada de




                                                                                                                                                                 
Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
    a ser trabalhado no grupo de enriquecimento           dirigidos a uma audincia real ou um pblico       deciso, cooperao e auto-avaliao, autoconfiana
    no pode ser determinado pelo professor ou            de verdade. Devem ser destinados a pessoas         e criatividade.
    por um agente externo ao grupo, mas deve ser          que se interessam pelo assunto e que possam               Diante do que foi exposto, podemos fazer
    definido pelo grupo ou por um aluno;                  validar o conhecimento e o desempenho do           outro exerccio de criatividade. Vamos imaginar
(b) Vrias alternativas de soluo  O problema           aluno ou, ainda, possam se beneficiar com o        para que tipo de audincia os produtos e servios,
    deve ter vrias possibilidades de respostas e         produto ou servio oferecido. A escolha certa      listados a seguir, poderiam ser destinados.
    no uma nica soluo. Exerccios, frmulas e         da audincia ou do pblico pode contribuir
    simulaes podem ser utilizadas para treinar          para a manuteno da motivao ao longo do          PRODUTOS                             AUDINCIAS
    certas habilidades, mas no devem limitar             processo. O tipo de audincia pode, tambm,
                                                                                                              Livro de receitas
    a atuao dos alunos ou predefinir uma                modificar a forma como o produto ser
    seqncia de contedos e tcnicas a serem             apresentado, os nveis de envolvimento com          Palestra sobre dinossauros
    utilizados;                                           a tarefa, a necessidade de adeso de novos
(c) Contedo avanado e metodologia autntica             elementos ao grupo. A sala de aula e a escola       Dicionrio de grias
     A soluo do problema deve envolver                 podem constituir a audincia primria de um
                                                                                                              Coleo de borboletas
    ampliao do conhecimento e dos modos de              projeto de um grupo de enriquecimento, mas
    investigao, engajando os alunos na busca e          no devem ser as nicas.                            Debate sobre a merenda escolar
    desenvolvimento de habilidades criativas e de
                                                                                                              Livro de contos sobre lendas
    pesquisa (como as usadas pelos profissionais     Em atividades de investigao e                          locais
    da rea estudada). Assim, eles devem ser         elaborao de produtos criativos
                                                                                                              Espremedor hidrulico de laranjas
    orientados e treinados na aquisio de habili-
    dades avanadas de consulta de referncias,             Para o desenvolvimento de atividades de           Guia para lidar com a depresso
    de banco de dados, de pesquisa em livros e       investigao e elaborao de servios e produtos
                                                                                                              lbum de erros encontrados em
    bibliotecas. Os alunos devem ser capazes de      criativos devem ser propostas situaes de apren-        faixas e placas do comrcio da
    organizar o conhecimento contido nos livros,     dizagem que desafiem os alunos a pensar, sentir,         cidade
    revistas, manuais, utilizando ferramentas de     fazer ou praticar coisas como profissionais das reas    Revista de moda da Idade Mdia
    pesquisa e o mtodo cientfico. Alguns tipos     relacionadas aos projetos em que esto trabalhando.
                                                                                                              Pea teatral: pequenas coisas para
    de pesquisa vo requerer, inclusive, a utili-    Eles devem ter acesso a oportunidades e recursos e       fazer o tempo render
    zao de tcnicas e equipamentos sofisticados.   ser encorajados a aplicar e ampliar seus interesses,
    Eles devem ser desafiados e estimulados a        criando alternativas para a soluo dos impasses               Muito bem! Agora vamos inverter as coisas!
    experimentarem vrias formas e maneiras          e conflitos que porventura surgirem ao longo do         Vocs devem imaginar produtos e servios que
    de fazer e conhecer, com vistas a se tornarem    processo. Devem experimentar vrias possibilidades      poderiam causar impacto ou beneficiar audincias
    produtores e no meros consumidores de           de desenvolvimento de produtos, servios e perfor-      listadas a seguir. Quanto mais produtos e
    conhecimento;                                    mances com a inteno de causar impacto ou surpre-      servios, melhor!
110

                  AUDINCIAS               PRODUTOS             REA               DESCRITOR                TIPOS DE INTERESSES, HABILIDADES OU ESTILOS DE APRENDIZAGEM
       Jogadores de futebol                                       1       Leitura, Audio e Viso   Alunos com interesses voltados para a compreenso, interpretao, 
avaliao e
                                                                                                     compreenso de informaes, abstraes, idias complexas, tcnicas 
de compreenso
       Pais de crianas com leucemia                                                                 de informaes e mdia eletrnica.
       Moradores de uma vila prxima a                            2       Escrita e Fala             Alunos que demonstram variada capacidade acadmica e de domnios 
de tcnicas
       uma usina atmica                                                                             de escrita e comunicao.
                                                                  3       Artes                      Alunos que demonstram conhecimento de vrias formas de artes, 
processos e
       Moradores de rua                                                                              expresso artsticos, bem como criatividade artstica ou performtica 
e habilidades
       Elite do Corpo de Bombeiros                                                                   para apresentao artstica.

       Crianas hospitalizadas em pronto                          4       Pessoas ou Culturas        Alunos que demonstram grande interesse por geografia, culturas, 
histria e temas
       socorro                                                                                       ligados a eventos, influncias e seqncias relacionados a aspectos 
scio-histrico-
                                                                                                     culturais.
       Plantadores de milho
                                                                  5       Investigao               Alunos que demonstram habilidades de observao direta e facilidade 
para acessar
       Moradores de uma cidade sem                                                                   informaes e utilizar uma grande variedade de recursos para 
responder questes ou
       gua potvel                                                                                  formular hipteses.

       Alunos de uma escola que                                   6       Gerenciamento de           Alunos que demonstram um conjunto de habilidades de liderana 
e gerenciamento
       no possui parquinho ou local                                      Recursos                   de recursos para a construo de produtos e servios, utilizando 
apropriadas
       adequado para brincar                                                                         tecnologias para o acesso, avaliao e organizao de informaes 
e para a produo
                                                                                                     de produtos.
       Mdicos pediatras

       Diretores de um teatro municipal/
                                                                    A outra proposta idealizada por Chen e seus colaboradores (2001) esto estritamente ligadas  
"Teoria das
       estadual                                              Inteligncias Mltiplas" de Gardner e dizem respeito a atividades organizadas em sala de aula. No entanto, 
essa
       Professores e especialistas em                        mesma diviso pode ser utilizada para alocar os alunos nos grupos de enriquecimento. Esses grupos poderiam 
ser
       questes ambientais                                   estabelecidos a partir de oito categorias ou tipos de inteligncia:

             Os alunos podem ser tambm agrupados de            REA               DESCRITOR                TIPOS DE INTERESSES, HABILIDADES OU ESTILOS DE APRENDIZAGEM

      acordo com suas habilidades, estilos de aprendi-            1       Mecnica e Construo      Alunos que demonstram habilidades para consertar aparelhos, 
construir mquinas,
      zagem etc. Neste sentido, a escola pode ter grupos                                             objetos ou prdios, montar e desmontar objetos e resolver problemas 
mecnicos.
      de enriquecimento alocados em grandes reas                 2       Cincias                   Alunos que demonstram altos nveis de curiosidade e questionamento 
e possuem
                                                                                                     habilidades de observao, explorao, formulao e testagem 
de hipteses.
      ou categorias. Vamos detalhar duas estratgias, a
                                                                  3       Msica                     Alunos que demonstram habilidades de criao, produo, interpretao, 
percepo,
      primeira com base no modelo desenvolvido por                                                   composio e audio musical nas variadas formas: canto, notao 
musical,
      Renzulli, Gentry e Reis (2003) e o outro elaborado                                             instrumentao, domnio de tcnicas, tocar instrumentos.
      com base nas "Inteligncias Mltiplas" de Gardner           4       Movimento                  Alunos que demonstram capacidade para resolver problemas ou 
criar produtos
      (Chen, Ibserg & Krechevsky, 2001). Para Renzulli                                               utilizando o prprio corpo. So alunos que utilizam o corpo 
para expressar
                                                                                                     sentimentos, emoes e idias, explorar habilidades atlticas 
e testar limites ou
      e seus colaboradores, as reas ou grupos de enrique-                                           capacidades fsicas.
      cimento poderiam ser planejados com base em                 5       Matemtica                 Alunos que demonstram habilidades e conhecimento lgico-matemticos, 
para lidar
      seis categorias:                                                                               com conceitos e situaes matemticas.
..Continuao                                                                                                                                                    
111
        6        Entendimento Social         Alunos que demonstram habilidades de relacionamento intra e interpessoal,
                                                                                                                                                vrios membros do 
grupo de acordo com suas
                                             percepo aguada sobre os outros e sobre si mesmo: diferenas de humor,                           habilidades. Os objetivos 
so comuns, mas




                                                                                                                                                                 
Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
                                             temperamento, emoo, inteno, capacidade para responder a situaes que exijam                   cada um dar a sua 
parcela de contribuio,
                                             autoconhecimento, capacidade para reconhecer e definir papis.
                                                                                                                                                ter sob sua responsabilidade 
uma etapa ou
        7        Linguagem                   Alunos que demonstram capacidades relacionadas  escrita, leitura, comunicao e
                                             expresso em diversos contextos e de diferentes formas, bem como habilidade para                   partes do projeto. 
Essa estratgia permitir
                                             ouvir.                                                                                             que os alunos tenham 
experincias nicas, se
        8        Artes Visuais               Alunos com habilidades de observao e criao espacial, capacidade de representao por           tornem especialistas 
em algumas atividades e
                                             meio de cores, texturas e formas variadas, manipulao de instrumentos e materiais de arte
                                             e grande sensibilidade esttica.                                                                   reas e dominem certas 
tcnicas;
                                                                                                                                          (7)   Modificar a rotina 
e as prticas tradicionais
                                                                                                                                                implementadas na 
escola e na sala de aula. Os
       Alm disso, os grupos de enriquecimento                                 cimento so formados para produzir, de                           alunos devem estar 
envolvidos em diferentes
devem ter o seu planejamento diferenciado do plane-                            forma criativa, produtos e servios. Seus                        atividades. Dependendo 
do tamanho do
jamento dos cursos tradicionais ou daquilo que j                              membros devem ter autonomia para decidir                         grupo, da quantidade 
de professores facili-
est previsto no currculo regular adotado na escola.                          sobre quais assuntos, tpicos e tcnicas tm                     tadores envolvidos, 
do tempo para o desen-
O planejamento de suas atividades deve, segundo                                necessidade para a execuo do projeto. Os                       volvimento dos projetos, 
algumas atividades
Renzulli, Gentry e Reis (2003):                                                professores so facilitadores e, como tal, no                   podem ser desenvolvidas 
com maior ou menor
                                                                               podem ficar apticos ou se posicionarem                          regularidade do que 
outras como passeios e
  (1)       Manter o foco na aplicao de contedos                            de forma passiva. Como mediadores, eles                          visitas a escritrios, 
teatros, museus, fbricas,
            e processos voltados para os interesses dos                        podem criticar e examinar passos e solues,                     laboratrios ou centros 
de pesquisa, partici-
            alunos, dos produtos, priorizando o desenvol-                      propor alternativas e caminhos, analisar as                      pao em eventos, 
seminrios, palestras ou,
            vimento da liderana, habilidades de relacio-                      estratgias, indicar mtodos, orientar no                        ainda, treinamento 
na utilizao de tcnicas e
            namento interpessoal e de gerenciamento de                         uso de ferramentas, mas no devem impor                          equipamentos. Alguns 
projetos podem durar
            tempo e recursos;                                                  sua vontade ou seu conhecimento;                                 mais tempo e depender 
de um nmero maior
  (2)       Manter professores e alunos interessados,                  (5)     Utilizar mtodos, metodologias, contedos,                       de investimento, 
recursos, equipamentos
            entusiasmados e motivados em participar                            materiais, equipamentos e ferramentas de                         como, por exemplo, 
produzir um filme de
            e escolher os tpicos ou os projetos com os                        profissionais da rea. Com isso, professores                     forma profissional 
ou escrever um livro. O
            quais queiram contribuir;                                          e alunos tero muito a aprender com outros                       grupo poder manter-se 
engajado durante
  (3)       Promover o agrupamento por outros critrios                        profissionais e outras reas do conhecimento.                    todo esse tempo, 
se tiver uma rede de apoio
            diferentes de faixa etria e srie. Os interesses,                 Mentores, especialistas, manuais e mtodos                       social envolvida 
no projeto. Outros projetos
            estilos de aprendizagem e expresso e as                           de pesquisa sero preciosas ferramentas e                        podem levar apenas 
algumas semanas, tais
            habilidades devem ter prioridade sobre                             recursos a serem consultados durante todo o                      como construir uma 
rplica de um objeto
            quaisquer outros critrios;                                        processo de desenvolvimento de produtos e                        antigo, a miniatura 
de uma obra arte ou a
  (4)       Evitar o uso de unidades e lies previa-                          servios;                                                        releitura de uma 
poesia. A atmosfera ou o
            mente planejadas com a finalidade de guiar                 (6)     Promover o desenvolvimento de mltiplos                          clima no grupo de 
enriquecimento deve ser
            as aes dos alunos. Os grupos de enrique-                         talentos e a diviso de trabalho entre os                        sempre de satisfao 
e auto-realizao, desejo
112
              de produzir e curiosidade em aprender;         trabalhar com este ou aquele grupo de alunos. Pais,                       ou quinzenalmente, nos fins 
de semana ou no
        (8)   Reservar horrios para desenvolvimento         diretores, profissionais e outros voluntrios podem                       perodo de frias. Antes de 
comear ser preciso
              das atividades do grupo de enriquecimento      ser lderes de grupos de enriquecimento. Os grupos                        definir e comunicar aos pais, 
alunos professores
              de forma a no inviabilizar o envolvimento     no precisam, necessariamente, trabalhar contedos                        e voluntrios:
              do aluno nas demais atividades escolares. A    acadmicos. Alunos e professores podem participar                                A quantidade de pessoas 
que ir compor
              discusso e a deciso sobre a quantidade de    de grupos de enriquecimento com a finalidade                                     cada grupo;
              horas a serem despendidas semanalmente         de cozinhar, aprender tcnicas de jardinagem, de                                 Nmero de grupos a 
entrar em funciona-
              nos projetos de enriquecimento devem           marcenaria, de fotografia, de cenografia, decorar                                mento;
              ser acordadas entre professores, famlias e    bolas, fazer bichinhos de balo, aprender tcnicas                               A durao de cada encontro 
do grupo;
              direo da escola.                             de marketing, fazer arranjos florais etc.                                        Dias da semana, quantidade 
de horas e
                                                                    Passo 3  Fazer um cronograma de funcio-                                  perodo do ano em as 
atividades do grupo
      Passos para a Criao e                                namento dos grupos                                                               de enriquecimento sero 
implementadas.
      Desenvolvimento de Grupos de                                  Antes de iniciar as atividades do grupo de                                Para encontros dirios 
 recomendado um
      Enriquecimento                                         enriquecimento,  importante fazer um crono-                              perodo mnimo de 1 hora e 
30 minutos. Para
                                                             grama contendo os horrios de seu funcionamento.                          encontros alternados, semanais 
ou quinzenais, o
             Renzulli, Gentry e Reis (2003) sugerem sete     As atividades do grupo de enriquecimento no                              tempo pode variar de 2 a 4 
horas, dependendo da
      passos que podero auxiliar na implementao de        devem coincidir ou prejudicar outras atividades                           necessidade. No entanto, cabe 
a cada grupo e escola
      grupos de enriquecimento.                              em que os alunos estejam, como aulas de ingls,                           decidir quanto a alocao 
de tempo. Veja a seguir
             Passo 1  Conhecer os interesses dos alunos     educao fsica ou outras atividades definidas no                         alguns modelos que podero 
auxiliar no preparo
      e adultos envolvidos                                   calendrio escolar ou currculo regular. Os grupos                        do cronograma de funcionamento 
dos grupos de
             Geralmente, no ensino regular, os alunos        podem funcionar diariamente, semanalmente                                 enriquecimento em sua escola.
      se envolvem nas mesmas atividades, independen-
      temente de seus talentos e interesses. Em contra-                                         MODELO DE CRONOGRAMA SEMANAL PARA ENCONTROS DIRIOS
      partida, nos grupos de enriquecimento, tudo deve                                   CRONOGRAMA SEMANAL PARA GRUPOS DE ENRIQUECIMENTO DIRIO (GED)
      ser planejado com base nos interesses, preferncias,                                    Segunda                  Tera                  Quarta             
Quinta          Sexta
      estilos de aprendizagem e expresso e talento dos
                                                                                                                Disciplinas             Disciplinas              
Disciplinas    Disciplinas
      alunos. Ento, o primeiro passo ser conhecer estes                                       GED
                                                                                                                curriculares            curriculares             
curriculares   curriculares
      interesses e talentos.                                                             Disciplinas                                    Disciplinas              
Disciplinas    Disciplinas
                                                              Disposio das                                            GED
             Passo 2 - Formar um banco de interesses e                                   curriculares                                   curriculares             
curriculares   curriculares
                                                              Disciplinas
      de possveis facilitadores                              Curriculares e do          Disciplinas            Disciplinas                                      
Disciplinas    Disciplinas
                                                                                                                                               GED
                                                              GED                        curriculares           curriculares                                     
curriculares   curriculares
              de extrema importncia para a implemen-
                                                                                         Disciplinas            Disciplinas             Disciplinas              
Disciplinas
      tao dos grupos de enriquecimento ter um grupo                                                                                                            
GED
                                                                                         curriculares           curriculares            curriculares             
curriculares
      de facilitadores em potencial que, alm de agrupar                                 Disciplinas            Disciplinas             Disciplinas              
Disciplinas
                                                                                                                                                                 
GED
      os alunos por interesses em categorias maiores,                                    curriculares           curriculares            curriculares             
curriculares
      poder ter seus prprios interesses contemplados ao     Nota: Vrios grupos podem estar reunidos em cada um desses horrios, intra, inter ou extraclasse.
                                                                                                                                                                 
113

                                                                     MODELO DE CRONOGRAMA SEMANAL EM TURNO CONTRRIO




                                                                                                                                                                 
Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
                                        CRONOGRAMA SEMANAL PARA GRUPOS DE ENRIQUECIMENTO EM TURNO CONTRRIO AO DE SALA DE AULA REGULAR

                                                                                     SEGUNDA                     TERA                   QUARTA      QUINTA      
SEXTA
DISPOSIO DOS GRUPOS DE ENRIQUECIMENTO (04 HORAS SEMANAIS)                            GE1                         G3                     GE1         G3
                                                                                                                                                                 
G6
                                                                                       GE2                         G4                      G2         G4
Nota: Dependendo do nmero de grupos, cada dia e horrio pode ter mais de um grupo reunido




                                                 MODELO DE CRONOGRAMA SEMESTRAL PARA FUNCIONAMENTO DOS GRUPOS DE ENRIQUECIMENTO

                                                   CRONOGRAMA ANUAL PARA FUNCIONAMENTO DOS GRUPOS DE ENRIQUECIMENTO  1 SEMESTRE

         SEMANAS                           SEGUNDA                          TERA                            QUARTA                        QUINTA             SEXTA
                                                                                                   JANEIRO
      1 a 4 semanas                                                                                          Frias Escolares
                                                                                                  FEVEREIRO
      1 a 4 semanas                                                                        Estudos sobre os interesses e estilos de aprendizagem
                                                                                                  MARO
         1 Semana              Mapeamento dos Interesses e Formao do Banco de Facilitadores
         2 Semana              Mapeamento dos Interesses e Formao do Banco de Facilitadores
         3 Semana              Formao dos Grupos de Enriquecimento
         4 Semana              Formao dos Grupos de Enriquecimento
                                                                                                   ABRIL
                                              G1                              G3                              G1                             G3
         1 Semana                                                                                                                                            G5...
                                              G2                              G4                              G2                             G4

         2 Semana


         3 Semana


         4 Semana
114        ...Continuao

                                                                                      MAIO
                                             G1                       G3                        G1                         G3
                  1 Semana                                                                                                                              G5...
                                             G2                       G4                        G2                         G4

                  2 Semana


                  3 Semana


                  4 Semana

                                                                                      JUNHO
                                             G1                       G3                        G1                         G3
                  1 Semana                                                                                                                              G5...
                                             G2                       G4                        G2                         G4

                  2 Semana


                  3 Semana


                  4 Semana




             Nota: O cronograma pode ser o mesmo no           atores escolares (assistentes, pessoal de apoio, psic-     que poder ser til para o melhor desenvolvimento
       o
      2 semestre, se os grupos se mantiverem, ou poder       logos, orientadores), podem ser includos na lista de       das atividades do grupo. A deciso pela 
incluso de
      ser modificado de acordo com a disponibilidade de       voluntrios: pais, universitrios, especialistas, profis-   voluntrios  estritamente da competncia 
da escola
      professores, alunos e famlias. A durao dos grupos    sionais da comunidade etc. Os voluntrios podem             e deve ser orientada por critrios estabelecidos 
e
      de enriquecimento  flexvel e, por isso, no precisa   prover diversos tipos de recursos, materiais e habili-      divulgados para esse fim.
      durar o semestre inteiro.                               dades especficas de uma determinada profisso.                    Passo 5  Fornecer orientao para 
os
             Passo 4  Recrutar facilitadores para os         Os adultos que iro se envolver nas atividades do           facilitadores
      grupos de enriquecimento                                grupo devem ser responsveis, maduros e cheios de                  Todas as pessoas envolvidas nos 
grupo de
             Alocar pessoas como facilitadores dos grupos     entusiasmo, bem como possuir interesses e habili-           enriquecimento devem ter acesso a informaes
      de enriquecimento pode ser uma tarefa simples           dades adequadas ao tipo de produto ou servios a            e mtodos que possam, pelo menos inicialmente,
      quando os professores, pais, diretores e coordena-      ser desenvolvido nos grupos de enriquecimento.              auxili-los na conduo dos grupos de enrique-
      dores j esto sensibilizados para a necessidade da     Eles devem ser convidados a participar e orientados         cimento, uma vez que a dinmica desses 
grupos 
      participao dos alunos em atividades de enrique-       quanto  filosofia do trabalho, objetivos, necessi-         muito diferente daquilo que a maioria deles 
experi-
      cimento curricular. Alm dos professores e outros       dades, organizao do tempo, cronograma e tudo o            mentaram durante a sua vida escolar. Apostilas,
                                                                                                                                                                 
115
minicursos e reunies podem ser estratgias facilmente     para a identificao de alunos com altas habilidades/     jornalzinho de modo a sensibilizar as pessoas 
com
organizadas com a finalidade de capacitar os facilita-     superdotao. Sempre que possvel nomeie o grupo de       relao s espcies em extino. Voc pode tambm




                                                                                                                                                                 
Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
dores no uso de tcnicas no tradicionais de ensino,       enriquecimento com ttulos interessantes e criativos de   fazer uma tempestade de idias e encontrar vrias
na resoluo criativa de problemas e no planejamento       modo a chamar a ateno dos alunos.                       solues para o efeito estufa. Explorar a floresta
dos encontros do grupo, bem como no gerenciamento                 Exemplo de uma chamada de inscrio para           Amaznica ser certamente uma jornada cheia
do tempo e formas de manter os alunos engajados no         um grupo de enriquecimento:                               de aventuras!
desenvolvimento dos produtos e servios escolhidos.                                                                         Nmero de encontros por semana: 2 sesses
A troca de experincias entre os facilitadores e a                                                                   de 45 minutos durante 3 meses.
                                                                      GRUPO DE ENRIQUECIMENTO
equipe de coordenadores e direo da escola  outra                                                                         Outros exemplos de ttulos de grupos 
de
estratgia bastante eficiente na formao da equipe.                                                                 enriquecimento:
                                                               Sociedade Para Preservao da Floresta Amaznica
        Passo 6  Registrar os alunos nos grupos de                                                                         Oficina dos Poetas
enriquecimento                                                 Voc sabia que a floresta Amaznica  um dos                 Equipe de Robtica Experimental
         interessante registrar a participao dos            mais exticos lugares da terra? Em que muitos                Companhia de Desenhos de Mveis
alunos nos grupos de enriquecimento. Isso pode ser             animais e plantas esto em perigo de extino a              Criativos
feito, inicialmente, por meio de ficha de inscrio,           cada ano? Mergulhe na fauna e flora da floresta              Luzes, Cmara, Ao: Tcnicas de Produo
pedido de autorizao aos pais, participao de reunio        Amaznica por meio de slides, fotografias, fil-              de Vdeos
para orientao de funcionamento dos grupos etc.               mes, enciclopdias virtuais juntamente com Alex,             Prezado Sr. Shakespeare: Oficina de Escrita
Os professores, pais e famlias envolvidas devem ter           um bilogo especialista na floresta Amaznica!               para Jovens Escritores
oportunidade para fazer suas consideraes sobre o             Voc pode desenvolver um slogan, um manual ou                Associao de Conscientizao da Cultura
desenvolvimento dos grupos. Para tanto, podem ser              um jornalzinho de modo a sensibilizar as pesso-              Espanhola
elaborados questionrios para a avaliao das ativi-           as com relao s espcies em extino. Voc                 Passo 7  Celebrar o sucesso
dades realizadas, do processo, do resultado final em           pode tambm fazer uma tempestade de idias e                  bom criar mecanismos de reconheci-
termos da participao dos alunos e/ou dos produtos e          encontrar vrias solues para o efeito estufa.       mento do trabalho realizado por cada partici-
servios apresentados.                                         Explorar a floresta Amaznica ser certamente         pante do grupo de enriquecimento. A mdia pode
        O registro dos alunos  importante para organi-        uma jornada cheia de aventuras!                       ser convidada para a apresentao dos produtos
zao de atividades fora da escola e para a previso de                                                              dos grupos. Cartazes contendo elogios pelo
materiais a serem utilizados. Alm disso, os alunos                                                                  sucesso ou finalizao dos projetos, cerimnias
que demonstrarem habilidades acima da mdia                      Voc sabia que a floresta Amaznica  um            e a organizao de eventos de premiao, festas
ou comportamentos de superdotao podero ser              dos mais exticos lugares da terra? Em que muitos         e jantares de confraternizao, medalhas de
encaminhados para atendimento em salas de recursos         animais e plantas esto em perigo de extino a           honra ao mrito, feiras e show de talentos,
para serem atendidos em suas necessidades especiais.       cada ano? Mergulhe na fauna e flora da floresta           certificados, livros, jornais, faixas de congratu-
Assim, o grupo de enriquecimento alm de constituir        Amaznica por meio de slides, fotografias, filmes,        lao, criao de espaos para comunicao so
uma experincia enriquecedora, tambm se revela uma        enciclopdias virtuais juntamente com Alex, um            algumas estratgias que podem ser adotadas
eficiente estratgia caa-talentos, pois tanto contempla   bilogo especialista na floresta Amaznica! Voc          para valorizar o esforo e dedicao dos alunos
habilidades e interesses dos alunos como contribui         pode desenvolver um slogan, um manual ou um               e professores.
116
             Renzulli, Gentry e Reis (2003) apresentam       cipantes para o planejamento eficaz de ativi-
      vrias sugestes para o desenvolvimento das ativi-     dades ou estruturao do ensino. Aquilo que       Como as pessoas com interesse nesta rea estudam
      dades dos grupos de enriquecimento.                    deu certo em determinado grupo em deter-          este tpico?
             O papel do professor ou adulto facilitador      minado tempo pode no ser uma estratgia          Que tipo de produtos ou servios eles costumam
             no grupo  o de mediador. O planejamento        eficiente para outro grupo. Com isso, velhos      criar?
             de ensino  diferente daquele destinado         hbitos de ensino devem ser rompidos para
                                                                                                               Quais os mtodos que eles usam para desenvolver o
              sala de aula tradicional. As atividades       no inibir o desenvolvimento de habilidades
                                                                                                               seu trabalho?
             devem ser baseadas no modelo de enrique-        e interesses;
             cimento escolar: atividades de explorao,      O que torna os grupos de enriquecimento           Quais os recursos ou materiais so necessrios para
             instrumentao e de desenvolvimento de          diferentes  que eles lidam com problemas         produzir produtos e servios de alta qualidade?
             servios e produtos. No deve haver super-      do mundo real e com o desenvolvi-                 Como esses profissionais comunicam ou apresentam
             posio de atividades do ensino regular         mento de produtos e servios que visam            os resultados de seu trabalho?
             com as do grupo de enriquecimento para          solucionar tais problemas. A participao         Quais os passos que precisam ser seguidos para que
             que os alunos no fiquem sobrecarregados.       nesses grupos no deve ser um prmio              os resultados, produtos ou servios possam causar
             O ambiente de ensino no grupo deve ter          para os melhores alunos, mas uma oportu-          impacto na audincia?
             dinmica agradvel, flexvel e sem excessivo    nidade para todos demonstrarem o seu
             controle ou rotina;                             potencial. Nunca devemos duvidar do que
             Os alunos fazem parte de um time, de uma        uma pessoa motivada  capaz. Acredite nas            So elas:
             equipe. Os adultos so mentores, tcnicos,      possibilidades de crescimento do seu aluno,
             agentes, guias que vo ajudar os seus           mesmo quando elas no so visveis no
             pupilos a demonstrarem o seu potencial.         momento ou parecem apenas uma nublada                Esta no deve ser uma tarefa realizada nos
              preciso tomar uma posio diferenciada,       promessa de sucesso;                                 moldes tradicionais. Todos os membros do
             ter altas expectativas sobre o desempenho       Os tpicos que sero desenvolvidos nos               grupo devem ter satisfao em descrever a sua
             e possibilidades de realizao dos alunos.      grupos de enriquecimento devem ser fasci-            percepo do trabalho realizado, registrar os
             Eles sero os autores, os produtores de         nantes! Elas devem ser o reflexo dos interesses      seus desejos, sonhos, necessidades. Essa estra-
             conhecimento, aqueles que tero a rdea         de seus membros.;                                    tgia pode ser utilizada para que os alunos
             do processo de aquisio de conhecimento        Vrias questes podem ser respondidas ao             sintetizem ou organizem o conhecimento;
             e que conduziro a sua prpria histria;        longo processo para prover informaes,              Os grupos de enriquecimento podem ser
             Os grupos so formados por pessoas com          clarear idias e orientar o grupo na tomada          formados por alunos de vrias idades, de
             diferentes    interesses, personalidades,       de deciso sobre os servios e produtos a            turmas ou de escolas diferentes.  impor-
             estilos de aprendizagem, experincias e         serem elaborados. Os alunos devem tirar suas         tante que todos sejam ouvidos e se sintam
             trajetrias de vida. Isto faz com que cada      prprias concluses e serem encorajados a            parte do grupo. Uma estratgia inicial que
             grupo tenha uma configurao e identi-          descobrir caminhos. Essas questes podem             muito poder ajudar  distribuir placas de
             dades nicas. Por isso,  preciso coletar uma   estar relacionadas com aspectos especficos          identificao ou crachs contendo o nome
             ampla gama de informaes sobre os parti-       e profissionais sobre os tpicos selecionados.       dos alunos, seus interesses, hobbies ou outras
                                                                                                                                                                 
117
       caractersticas. Trabalhar em equipe envolve      mentos que podero ser utilizados na implemen-        Projeto Spectrum: atividades iniciais de aprendizagem
       a diviso de trabalho entre os membros de         tao de grupos de enriquecimento.                    (vol. 2). Porto Alegre: Artmed.




                                                                                                                                                                 
Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
       acordo com suas preferncias, habilidades
       e interesses. Os alunos devem ser sempre          Referncias                                           Leituras Recomendadas
       encorajados a aprofundar o conhecimento e
       a utilizar novas metodologias de trabalho.              Renzulli, J. S., Gentry, M. & Reis, S. M.              Nos livros indicados vocs encontraro vrias
       Finalmente, as atividades desenvolvidas nos       (2003). Enrichment clusters: A practical plan for     fichas, instrumentos, exerccios e atividades que
grupos de enriquecimento devem ser objeto de             real-world, student-driven learning. Mansfield, CT:   podero ser utilizadas como modelos para mapear os
constante avaliao por parte da equipe de facili-       Creative Learnig Press.                               talentos e interesses. No entanto, encorajamos todos
tadores, coordenadores e alunos. Devido a sua                  Chen, J., Isberg, E. & Krechevsky, M. (2001).   os professores, coordenadores e outros profissionais
dinmica flexvel,  importante que todos opinem                                                               a desenvolverem seus prprios instrumentos e ativi-
sobre o andamento das atividades, a seqncia dos                                                              dades e compartilh-los com os demais colegas que
tpicos e aes. Para isso, so necessrios meios e                                                            esto no caminho de se tornarem especialistas em
instrumentos eficientes que favoream o direciona-                                                             enriquecimento escolar/curricular. Boa leitura!
mento e o redirecionamento das mltiplas possibi-                                                                     Campbell, L., Campbell, B. & Dickinson, D.
lidades que vo surgindo ao longo do processo de                                                               (2000). Ensino e aprendizagem por meio das inteli-
elaborao de produtos e servios autnticos.                                                                  gncias mltiplas. Porto Alegre: Artmed.
       A avaliao deve ser voltada tanto para o                                                                      Del Prette, Z. A. P. & Del Prette, A. (2005).
processo quanto para o produto. Cada membro                                                                    Psicologia das habilidades sociais na infncia: teoria 
e
da equipe deve avaliar a sua participao, o nvel                                                             prtica. Petrpolis: Vozes.
dos conhecimentos adquiridos, os procedimentos                                                                        Goleman, D., Kaufman. P. & Ray, M. (1997).
adotados, as atividades desenvolvidas, os recursos                                                             O esprito criativo. So Paulo: Cultrix.
utilizados, as caractersticas do produto, o impacto                                                                  Rodari, G. (1982). Gramtica da fantasia. So
dos resultados sobre a audincia, os nveis de                                                                 Paulo: Summus.
motivao e a integrao da equipe durante o                                                                          Sternberg, R. J. & Grigorenko, E. L. (2003).
processo. Os dados gerados na avaliao devem ser                                                              Inteligncia plena: ensinando e incentivando a apren-
registrados, tabulados e compartilhados entre os                                                               dizagem e a realizao dos alunos. Porto Alegre:
membros do grupo a fim de que todos sejam co-                                                                  Artmed.
responsveis pelas decises tomadas a partir desses                                                                   Virgolim, A. M. R., Fleith, D. S. & Neves-
eventos avaliativos. A avaliao pode ser escrita ou                                                           Pereira, M. S. (2006). Toc, toc...Plim, plim! Lidando
oral e utilizar instrumentos como questionrios,                                                               com emoes, brincando com o pensamento atravs da
entrevistas, formulrios e discusso. No entanto, a
avaliao no deve ser feita para atribuir meno
e no deve estar atrelada ao que acontece na sala
de ensino regular. Veja, ao final do captulo, instru-
118
                               Anexos - Captulo 5




Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
                                                     119
120

      criatividade (8a ed.). Campinas: Papirus.        O MUNDO SERIA MELHOR SE...




      MEU GRUPO 


                                                  Eu       pudesse       ________________________
                                                  Os      polticos       _______________________
                                                  Minha         me      ________________________
                                                  Meu       pai       __________________________
                                                  Meus          professores   ___________________
                                                  O     lugar     onde    moro__________________
                                                  Minha           cidade ______________________
                                                  Meu      Estado         _______________________
                                                  Meu       Pas       _________________________
                                                  O      dinheiro        ________________________
                                                  A      escola       __________________________
                                                  As      crianas        _______________________
                                                  Os      animais        ________________________
                                                  As      estradas       _______________________
                                                         121




                                                         Captulo 5: Grupos de Enriquecimento
              CERTIFICADO DE APRECIAO




   Certificamos que ______________________________
__ completou com sucesso o projeto _________________
___ desenvolvido no Grupo de Enriquecimento em nossa
escola, no perodo de ____/____/______.

                                           Local, data

    Diretor                               Facilitador
SOBRE AS AUTORAS




       Mnica Souza Neves-Pereira  pedagoga,           Renata Rodrigues Maia-Pinto               
mestre e doutora em Psicologia Escolar. Atua      pedagoga, mestre e doutoranda em Psicologia
em docncia de nvel superior h 15 anos e tem    na Universidade de Braslia.  analista de plane-
trabalhos publicados na rea de criatividade      jamento e gesto educacional da Secretaria de
e ensino.                                         Educao Especial do Ministrio da Educao.
       Angela Mgda Rodrigues Virgolim                  Vera Lcia Palmeira Pereira  pedagoga,
 psicloga, mestre em Psicologia e Ph.D.         mestranda em Educao na Universidade
em Psicologia Educacional pela University         Catlica de Braslia.  professora do programa
of Connecticut. Foi presidente do Conselho        de atendimento ao aluno com altas habili-
Brasileiro para Superdotao  ConBraSD           dades/superdotao da Secretaria de Estado de
(binio 2005/2006) e  professora adjunta do      Educao do Distrito Federal.
Instituto de Psicologia da Universidade de
Braslia.
       Jane Farias Chagas  mestre e douto-
randa em Psicologia pela Universidade de
Braslia, Licenciada em Msica e Bacharel em
Teologia. Atualmente  professora itinerante
do programa de atendimento ao aluno com
altas habilidades/superdotao da Secretaria de
Estado de Educao do Distrito Federal.
                   Ministrio da Educao
               Secretaria de Educao Especial
 Esplanada dos Ministrios - Bloco L 6 andar CEP: 70.047-900
seesp@mec.gov.br - naahs.seesp@mec.gov.br - www.mec.gov.br
